Construção civil/Exclusivo

João Campos precisou esperar benção do Vaticano para tocar Parque da Tamarineira

O terreno do antigo Sítio da Tamarineira será permutado por seis lotes que fazem parte do futuro Parque Eduardo Campos, no Pina, e totalizam uma área de 18 mil metros quadrados, área quase seis vezes menor (mas livre para construção) em comparação ao terreno permutado

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Jamildo Melo

Publicado em 27/10/2023 às 17:40 | Atualizado em 27/10/2023 às 21:50
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Por uma questão de justiça, é preciso tirar o chapéu para a equipe técnica do prefeito João Campos (PSB) no Recife. Eles deram nó em pingo d'água para viabilizar o Parque da Tamarineira, depois que uma lei de Priscila Krause ainda vereadora travou o uso da área, para evitar uso comercial. A negociação que foi concluída agora precisou ser chancelada pelo Vaticano, uma vez que sozinha a Arquidiocese de Olinda e Recife não tinha poder para assinar o acordo de permuta de áreas.

O xabu do Parque da Tamarineira se deu no começo de 2022, quando já se contava 12 anos que a cidade do Recife esperava pela construção do parque – um projeto que mobilizou a cidade em 2010, quando foi anunciada a possível construção de um shopping center no local.

Naquele ano, os projetos de lei municipais 02 e 03 não contemplaram a viabilização do parque. Pelo projeto original, a Santa Casa iria doar todo o terreno à Prefeitura do Recife (PCR) e receberia em troca o direito de exportar o potencial construtivo, que é chamado de TDC (Transferência do Direito de Construir).

"Nesses projetos de lei (os vereadores) não ressalvaram esse direito e inviabilizaram o parque. Resolveram dificultar o uso da TDC", explicou então uma fonte do blog. "(Santa Casa) Desistiram da doação por conta dos entraves criados pela legislação". O projeto inicial do empreendimento previa a construção de 170 lojas no local, cujo empreendimento iria sustentar o parque.

 Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife
João Campos (PSB) - Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife

Assim, como se viu, o que aconteceu foi que as mudanças na legislação construtiva acabaram por deixar a Santa Casa com um grande mico na mão. Ela tinha um terreno gigante na mão, em uma área supervalorizada, do qual não podia se desvencilhar e fazer dinheiro. Foi por isto que o ex-arcebispo de Olinda e Recife, Fernando Saburido, mandou um ofício desistindo do negócio, assinado inicialmente ainda na gestão João da Costa, mas que passou pela gestão Geraldo Julio e veio desembocar nas mãos do jovem gestor do PSB.

Como havia a previsão de que 70% das arvores não podiam ser derrubadas, o chamado potencial construtivo do terreno foi para o espaço. Eram 105 mil metros quadrados inviáveis para a venda, nem com reza forte.

A solução técnica encontrada pela equipe de João Campos para viabilizar finalmente o Parque da Tamaineira foi a oferta de uma área de 18 mil metros quadrados ao lado do futuro Parque Eduardo Campos, no antigo Aeroclube. Com zero árvores, plano, desimpedido legalmente, o terreno tem uma potencial construtivo enorme, apesar de menor. Quem comprar pode colocar um supermercado, prédio, o que for, em uma área que vai se valorizar com o novo empreendimento da Prefeitura do Recife. Bem mais fácil de vender e fazer dinheiro para as obras de caridade da Santa Casa.

O terreno do antigo Sítio da Tamarineira equivale a 10 campos de futebol e será permutado por seis lotes que fazem parte do futuro Parque Eduardo Campos, no Pina, e totalizam uma área de 18 mil metros quadrados, área quase seis vezes menor em comparação ao terreno permutado.

A operação foi concluída agora porque finalmente chegou a validação do Vaticano, com a benção do Papa e tudo, que tinha a palavra final para avalizar a troca das áreas. Como se vê, depois que se deixou de fabricar terras neste velho mundo, as poucas terras que sobraram são disputadas até pelos representantes de Deus na terra.

Veja mais detalhes do novo projeto

O terreno de 10,5 hectares (ou 105 mil metros quadrados) da Santa Casa de Misericórdia será cedido para o município, mas um Projeto de Lei ainda será enviado ao legislativo para formalizar a cessão.

Haverá equipamentos para crianças, pessoas idosas, pessoas com deficiência e para as famílias de maneira geral. O espaço vai contar com equipamentos de lazer tanto para crianças quanto para adultos, de exercícios físicos, de convívio e contemplação da cidade, funcionando de forma complementar às áreas verdes já existentes, ajudando a desafogar o Parque da Jaqueira.

Segunda maior área verde da cidade

Segundo a gestão, o Parque da Tamarineira será a segunda maior área verde da cidade, ficando apenas atrás do Parque Eduardo Campos (12 ha) e à frente da Jaqueira (7 ha), levando mais lazer, saúde e áreas contemplativas para bairros e comunidades da Zona Norte, sobretudo as da área oposta à Avenida Norte, tais como Água Fria, Mangabeira, Arruda, Alto José do Pinho e Casa Amarela.

Serviços de saúde

Os serviços de saúde que funcionam no terreno (hospitais Psiquiátrico Ulysses Pernambucano, Pediátrico Helena Moura e o Centro de Prevenção, Tratamento e Reabilitação de Alcoolismo-CPTRA) permanecerão à disposição da população. A ideia é que a primeira etapa do parque, cuja área será de 19 mil metros quadrados, seja entregue à população já no primeiro semestre do próximo ano.

 

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