reunião do golpe

Um dia após reunião com Bolsonaro, ministro foi à Câmara levantar suspeitas do TSE

Então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira levantou suspeitas sobre eleições em audiência pública na Câmara

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Rodrigo Fernandes

Publicado em 12/02/2024 às 11:16
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No dia 6 de julho de 2022, ou seja, um dia após a famigerada reunião de Jair Bolsonaro com seus ministros que se tornou prova de planejamento de golpe de estado, o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira foi à Câmara dos Deputados para levantar suspeitas sobre a integridade das urnas eletrônicas junto aos parlamentares. A informação é do Estadão.

O ministro participou de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores (CRE) da Câmara, que tinha como objetivo expor as prioridades da pasta para o ano de 2022 e também falar sobre os reforços nas fronteiras brasileiras.

Na ocasião, Nogueira afirmou que eles teriam reuniões decisivas pela frente, para ver "o que pode ser feito, que ações poderão ser tomadas pra que a gente possa ter transparência, segurança, condições de auditoria e que as eleições se transcorram da forma como a gente sonha”.

Em outro momento da reunião, o ex-ministro classificou o TSE como um "inimigo" e assumiu que instrumentalizou as Forças Armadas para questionar a condução do processo eleitoral.

Em diversas ocasiões, ele aproveitou para falar sobre a necessidade da participação das Forças Armadas na fiscalização e “aperfeiçoamento” das urnas, alegando que os militares assumiram essa missão à convite do TSE.

"Sabemos muito bem que esse sistema eletrônico necessita sempre de aperfeiçoamento. Não há programa imune a um ataque, imune a uma invasão. Não há. Estão aí os bancos que gastam milhões de reais com segurança. Eu tive meu cartão clonado há três semanas, e minha esposa, no ano passado. Então, isso é fato”, comparou o ministro de Estado.

A ex-deputada Perpétua Almeida (PCdoB) disse que não caberia às Forças Armadas discutir a integridade das urnas eletrônicas.

"Eu me recuso a debater este assunto com o Ministro da Defesa, eu me recuso a debater este assunto com qualquer um dos comandantes, porque esta não é a tarefa dos senhores”, afirmou.

Uma semana depois, o ex-ministro voltou à carga e também visitou o Senado, onde anunciou um plano de “votação paralela” em papel para, segundo ele, aumentar a lisura das eleições de 2022.

Com informações do Estadão

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