Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Brasil investiu pesado para combater covid-19, mas aumento dos casos vai retardar crescimento da economia

O recrudescimento do número de casos e a lentidão na aplicação das vacinas deve continuar a retardar a volta das atividades. Essa paralização não estava prevista em nenhum cenário das mais diversas consultorias.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 20/12/2020 às 17:15
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PANDEMIA Vacinação é uma das saída para retomada econômica - FOTO: AFP
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Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios do Jornal do Commercio 

Um estudo do Banco Central analisando as chamadas Respostas Fiscais (medidas anunciadas com custos proporcionais ao PIB), tentando diminuir a redução do crescimento esperado para 2020-2021, portanto, antes e depois da crise, revela que o Brasil foi o quarto país a colocar mais dinheiro para salvar sua economia.

O Brasil só perde para Japão, Canadá e Estados Unidos; igual à Alemanha e bem maior que os países do BRICs (África do Sul, China, Rússia e Índia). Todos esses países tomaram medidas de apoio as empresas e transferência de recursos ao seus cidadãos.

Apesar disso o recrudescimento do número de casos, a desorganização do Governo na gestão da crise sanitária e a lentidão no começo da aplicação das vacinas deve continuar a retardar a volta das atividades e, como está acontecendo, provocando até o fechamento delas para conter a nova onda de vírus. Essa paralização não estava prevista em nenhum cenário das mais diversas consultorias. 

Entre os emergentes, o Brasil foi o único de transferiu dinheiro diretamente aos seus cidadãos menos favorecidos deslocando mais de R$ 260 bilhões de um total de R$ 600 bilhões investidos em medidas anticíclicas em 2020.

O problema é que as ações de suporte à liquidez (17,5% do PIB), bem maior que Colômbia (10,9%) e Indonésia (9,1%), e de proteção ao crédito (20% do PIB), na frente de Argentina (18,3% e Colômbia 15,4%), custaram caro.

E esse novo gasto impactou diretamente na Dívida Pública Federal que se aproxima dos 100% do PIB, na maior elevação entre países emergentes. Há 10 anos ela estava em 60%, mas hoje é quase duas vezes maior que a média dos emergentes próximo de 60%, segundo o FMI.

Na crise, o Brasil gastou o que não tinha e vai continuar gastando até 2028, quando a trajetória da dívida começa a baixar de 100% do PIB. Mas até lá vai continuar a pagar juros maiores e ter dificuldades para rolar a dívida.

Um outro estudo feito pela Bloomberg, porém, revelou um dado inda mais preocupante. Todos os países emergentes viram os juros futuros subir após a covid-19, com destaque para a África do Sul e Brasil.

Nos contratos de 10 anos - conta a partir de 2020 - o Brasil saiu dos atuais 2% ao ano para 7% ao ano, em 2029. A África do Sul também teve crescimento chegando a taxas de 9% ao ano. Entretanto, em 2020, sua taxa básica é de 3,5% ao ano. Rússia e o México foram os emergentes que tiveram menor impacto nas taxas de juros futuras.

Um outro estudo, desta vez feito pelo Banco Goldman Sachs revela que os países desenvolvidos projetam taxas de tratamentos potenciais contratados de até 4% per capita de sua população (caso do Canadá), usando todas as vacinas em desenvolvimento avançado (Sinovac, Jonson&Jonson, Novavax, AstraZeneca, Moderna e Pfizer/Biontech).

E esses países terão mais chances de voltar a crescer assim que suas populações começarem a atingir alto índices de imunização tornando-as ainda mais competitivas.

A vacina da Pfizer, por exemplo está presente em todos os programas desses países, especialmente nos Estados Unidos, Canadá, Dinamarca e Japão. Esses países, como se viu acima, foram os que mais investiram em medidas de proteção de suas economias.

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