Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho
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Por Fernando Castilho
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Indústria prepara tratamento para celulites, estrias, cicatrizes e manchas à base cannabis

Por causa de proibição no Brasil, empresários do País apostam em negócios com cannabis com empresas sediadas no exterior

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 16/02/2021 às 10:40
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Produtos dermatologicos Cannabis que serão feitos pela Productora Uruguaya de Cannabis Medicinal (PUCMed), - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Enquanto articulam iniciativas no Congresso e buscam contornar a legislação que proíbe a produção e comercialização no mercado interno, empresários brasileiros com interesses nos produtos derivados de cannabis apostam cada vez mais no setor, indo de cursos de formação de médicos para que possam prescrever derivados a produtos dermatológicos e estéticos focados no tratamento para celulites, estrias, cicatrizes, manchas, além de trazer frescor e evitar o envelhecimento precoce da cútis.

Mas não é uma coisa fácil. E mesmo que a Agência Nacional de Saúde (Anvisa) tenha liberado o extrato de Canabidiol para fins medicinais, a partir de medicamentos vendidos em farmácias sob prescrição médica, isso não quer dizer que adquiri-lo seja menos burocrático.

E como a venda de produtos para a pele feitos com cannabis ainda não é regulamentada no Brasil, a solução encontrada pelos empresários foi investir em parcerias em países vizinhos como o Uruguai, primeiro país a legalizar o mercado da cannabis em seu território.

Esse foi o caminho do empresário Afonso Braga Neto, que se juntou com a Productora Uruguaya de Cannabis Medicinal (PUCMed), uma empresa criada em 2019 por investidores brasileiros e licenciada pelo Governo Uruguaio para o cultivo de cannabis. Eles firmaram uma parceria no início de 2021 focada em produtos específicos para o rosto e para o corpo.

Braga Neto criou a linha de cosméticos BeHemp Skin ainda este ano, cujos produtos contêm infusão de CBD, mas o lançamento terá que ser feito em Punta del Este, Uruguai, e os produtos serão comercializados nos países em que já são liberados, como Argentina, Colombia e México além do próprio Uruguai.

A marca terá produtos específicos para o rosto e para o corpo e vai apresentar opções de tratamento para celulites, estrias, cicatrizes, manchas, além de trazer frescor e evitar o envelhecimento precoce da cútis associados com outros elementos, como a argila verde, a erva mate, schisandra, goji-berry e peôni.

A marca aguarda a legalização dos cosméticos à base de CBD no Brasil para operar em solo nacional. O empresário lembra que grandes marcas internacionais já entraram na onda e investiram no potencial lucrativo da cannabis em países legalizados para lançar linhas específicas de cosméticos: esse é o caso da francesa Sephora, da inglesa The Body Shop e das americanas Avon e Kiehl's.

Braga Neto não está sozinho. A neurocirurgiã brasileira Patrícia Montagner, especialista no tema, criou a WeCann Academy, uma plataforma de formação médica que abordará os principais recursos para a prescrição da cannabis medicinal.

O curso, que custa R$ 7.500, faz parte do programa de Certificação Internacional em Medicina Endocanabinoide da WeCann Academy e é totalmente online. Ele terá sua primeira turma em março, com cinco módulos e sete semanas de duração. Proporcionará ao aluno uma atualização semanal sobre artigos científicos e mentorias com a participação de diversos especialistas nacionais e internacionais para discussão de casos clínicos.

Segundo ela, a aplicação da medicação, entre as quais o tratamento de dor crônica, dor neuropática, fibromialgia, doença de Parkinson, Alzheimer, epilepsia, doença inflamatória intestinal, transtornos de ansiedade, insônia e nos cuidados paliativos de pacientes oncológicos, todos cientificamente embasados.

Patrícia Montagner é médica neurocirurgiã, graduada em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Administração em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas, especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e diretora técnica da Clínica NeuroVinci, em Florianópolis (SC).

Também fora do Brasil, outra brasileira, Maria Cordeiro, juntou-se aos advogados americanos Ken Hwang e James Shih num projeto de US$ 1,7 milhão (R$ 9 milhões) para a abertura da empresa com licença na Califórnia ancorado num espaço colaborativo, uma mistura de incubadora com coworking que já possui contrato assinado com 15 empresas que fabricam itens diversos como cremes, snacks, barras de cereais, doces, etc.

Um dessas empresas trabalha no desenvolvimento de um brigadeiro à base de cannabis, capaz aliviar os sintomas da TPM, como cólica, dor de cabeça e estresse. De acordo com a empresária, este será o primeiro produto patenteado pela MyGN. Dessa forma, a empresa lançou um SharkTank, cujo objetivo é promover uma seleção de empresas para oferecer a oportunidade de produção dentro de seu espaço.

Em 2019, através da Resolução da Diretoria Colegiada nº 327, a Anvisa inseriu o Brasil no rol dos 40 países que permitem o uso medicinal de produtos derivados da Cannabis Sativa ("Cannabis").

A resolução tornou mais simples a entrada dos produtos com efeitos terapêuticos ou medicinais extraídos das variantes da planta no país. Pacientes com epilepsia, autismo, dor crônica, Parkinson e transtornos de ansiedade estão entre alguns dos beneficiados pelo uso medicinal do canabidiol (CBD) e do tetrahidrocanabidiol (THC), derivados da Cannabis.

Apenas em 2018, esse mercado movimentou US$18 bilhões ao redor do mundo. Até 2026, estima-se que o número atinja a marca de US$ 194 bilhões, o que, atualmente, é cerca de 2,5 vezes mais do que toda a produção agropecuária do Brasil em 2018.

 

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Afonso Braga Neto Empresário que vai produzir uma linha de dermatológicos com base em cannabis. - FOTO:DIVULGAÇÃO

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