Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
castilho@jc.com.br

Informação e análise econômica, negócios e mercados

Coluna JC Negócios

Guerra da Ucrânia e covid na China fazem preços do papel higiênico disparar no Brasil

O Brasil é o 5º maior país em termos de capacidade instalada para produção de papéis Tissue, atrás apenas de China e Estados Unidos. Papel higiênico já subiu mais de 15% nos supermercados

Fernando Castilho
Cadastrado por
Fernando Castilho
Publicado em 09/05/2022 às 10:25 | Atualizado em 09/05/2022 às 15:00
DIVULGAÇÃO
Papel higiênico brasileiro. O Brasil é o 5º maior país em termos de capacidade instalada para produção de papéis Tissue. - FOTO: DIVULGAÇÃO
Leitura:

No final de abril, quando saiu a inflação de março medida pelo IBGE (IPCA), revelando que ela acelerou para 1,62% no maior resultado para o mês de março desde 1994 (42,75%) - antes da implantação do Real -, todo mundo só prestou a atenção nos principais impactos. Transportes (3,02%) e alimentação e bebidas (2,42%), juntos, contribuíram com cerca de 72% do índice do mês.

Entretanto, no grupo de cuidados pessoais, outro crescimento ajudou no índice, embora tenha um peso na conta total de apenas 0,20%: os preços do papel higiênico. No mês março, ele subiu quase 1% (0,57%). No ano, os preços cresceram 2,45% e, em 12 meses, o nosso papel higiênico de casa, na média, já subiu 10,63%.

Pouca gente sabe, mas o Brasil é o 5º maior país em termos de capacidade instalada para produção de papéis Tissue, atrás apenas de China e Estados Unidos, que juntos representam 44% da produção mundial, com produção muito próxima de Japão e Itália.

Hoje, 80 empresas fabricam Tissue no Brasil. Os estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná respondem por 76% da produção nacional.

Pernambuco está nesse negócio com a Ondunorte, em Igarassu, que produz as marcas Alpino e Caprice (folha dupla) e Rose e Novo (folha simples).

Mas o que está acontecendo no mercado tem a ver com a covid-19, fechamento do setor de transporte na China e, a partir de fevereiro, com a guerra da Rússia com a Ucrânia.

Isso mesmo. A guerra está interferindo diretamente nos preços da celulose, por consequência, na indústria de papel e, finalmente, no papel higiênico.

A indústria madeireira é um dos setores mais antigos de exploração na Rússia. O país detém um quarto de todas as florestas do mundo e a contribuição do complexo florestal para a economia do País é de 0,5% do PIB, de acordo com os resultados de 2019.

Este ano, uma combinação de fatores, das mais diversas naturezas, tem contribuído para que os preços da celulose sigam surpreendendo até mesmo os produtores em 2022.

GUERRA NA UCRÂNIA REDUZ CELULOSE

Guerra na Ucrânia, ruptura na cadeia logística global em determinadas regiões e, para completar, uma concentração de paradas programadas para manutenção em fábricas da América do Sul. Momento de demanda aquecida, em particular na América do Norte e na Europa.

No ano passado, os preços já tinham subido muito. Em novembro do ano passado, um analista da indústria de celulose disse à BBC que “Nunca vimos aumentos de preços mensais como esse na história do setor. É algo inédito”.

Segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), os principais insumos utilizados na produção do papel higiênico e outros papéis sanitários tiveram forte alta de preços este ano: celulose, aparas de papel brancas e marrons, embalagens plásticas e de papelão, energia elétrica e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), utilizado na secagem do papel.

O preço da celulose saltou de US$ 606 (cerca de R$ 3,1 mil) por tonelada métrica em setembro de 2020 para mais de US$ 907 (R$ 4,7 mil) por tonelada métrica em abril de 2021.

Segundo ele, uma combinação de fatores elevou os preços, incluindo uma recuperação pós-covid na China, o maior comprador de celulose do mundo, e atrasos no embarque global, disse o especialista.

No mês passado, o diretor de celulose da Suzano, Leonardo Grimaldi, disse que o mercado global da commodity usada na produção de diferentes tipos de papéis seguia com restrições de oferta, com a demora da entrada em operação de novas capacidades produtivas e estoques baixos, o que favorecia aumentos de preços nos próximos meses.

DIVULGAÇÃO
Papel higiênico brasileiro. O Brasil é o 5º maior país em termos de capacidade instalada para produção de papéis Tissue. - DIVULGAÇÃO

A Suzano Papel e Celulose anunciou aumento de US$ 30 por tonelada no preço lista da celulose fibra curta negociada na Europa, América do Norte e China, com novos valores válidos a partir de 1º de novembro.

Nesse mercado, que começou a ser desbravado há apenas três anos, a Suzano já alcançou participação nacional de 8,3%, sendo no 61% no Norte e 28% no Nordeste, onde tem presença relevante

A Suzano já operava outras quatro unidades de bens de consumo, que atendem principalmente aos mercados do Norte e Nordeste, instaladas em Mucuri (BA), Imperatriz (MA), Belém (PA) e Maracanaú (CE).

Os produtores de celulose russos têm dificuldades para continuar operando em meio à falta de algumas matérias-primas, e um dos principais deles foi forçado a interromper as atividades temporariamente. À medida que a invasão da Ucrânia continua, mais interrupções no fornecimento são esperadas no Mar Negro.

O que já era complicado com os problemas logísticos (excessos e faltas de produtos e meios de transporte em diferentes partes do globo) se complicou com o desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos e serviços em razão da paralisação forçada de atividades econômicas em praticamente todos os países (em função da pandemia da covid-19)

No primeiro trimestre, a disponibilidade de celulose também foi afetada pelos problemas no transporte marítimo, ruptura na logística interna com greve de trabalhadores em diferentes partes do mundo e atrasos na entrada de novas fábricas.

Nos Estados Unidos, os preços do papel higiênico aumentaram 15,6% durante as 52 semanas encerradas em 1º de maio em comparação com o ano anterior, de acordo com os últimos números da NielsenIQ, que acompanha os dados de ponto de venda dos varejistas.

Comentários

Últimas notícias