Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

Tullet foi o primeiro papel higiênico feito em Pernambuco. E não era muito macio

Há 70 anos, Pernambuco começou a usar o papel higiênico feito em Jaboatão dos Guararapes. A fábrica produzia papel higiênico, papel de embrulhar pão e de embrulhar charque

Fernando Castilho
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Publicado em 09/05/2022 às 11:00 | Atualizado em 09/05/2022 às 12:00
ARQUIVO IBGE
Fabrica da Portela, pioneira na fabricação de papel higiênico no Nordeste-Marca Tullet - FOTO: ARQUIVO IBGE
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Para quem se acostumou com papel higiênico folha dupla, branquinho e extra-macio, pode parecer inusitado que os consumidores tenham usado um papel feito à base de celulose de cana-de-açúcar, e que ele tenha sido o melhor produto do mercado. Mas isso aconteceu aqui em Pernambuco. 

O município de Jaboatão dos Guararapes foi pioneiro no Nordeste na produção de papel higiênico. Ele começou a ser produzido pelas Indústrias Brasileiras Portela S. A., fundada em 1952, portanto, há 70 anos.

Infelizmente, não existem imagens da publicidade do produto, que era vendido em rolos de 20 metros e tinha uma cor acinzentada devido à qualidade de seu tratamento industrial. Mas era um sucesso.

A Portela usava como matéria-prima a celulose de cana-de-açúcar para fazer o papel higiênico folha simples Tullet. Comparado ao que o mercado oferece 70 anos depois, o papel era de baixíssima qualidade.

Não tinha processo de branqueamento e, na verdade, era um dos produtos da indústria criada para produzir papel para embalagens de alimento, o famoso papel de embrulhar charque, cujo peso acrescentava até 50 gramas, por quilo, na hora da compra pelo consumidor.

A Portela também fabricava papel para embalagens, em geral em folhas, entre elas papel para alimentos, especialmente pão e derivados de trigo.

Mas o Tullet fez sucesso. Talvez porque fosse o único disponível no mercado, sendo considerado uma evolução ao tradicional papel para embrulhar pão e que era “reciclado” para higiene pessoal no Nordeste. Papel jornal também era usado para limpeza humana.

A empresa também começou a produzir papel para embalagens de cimento, que era produzido pelas indústrias que haviam se instalado na Zona Norte da Região Metropolitana do Recife pelos empresários José Ermírio de Moraes e João Santos.

Somente com a melhoria dos produtos por empresas do Sul e Sudeste foi que o consumidor conheceu os novos produtos. Primeiro, um papel branquinho; depois, o folha dupla; e, mais recentemente, os produtos perfumados.

Nos Estados Unidos, líderes no mercado consumidor de papel higiênico, chegou-se a fabricar papel higiênico com histórias em quadrinhos. Mas as autoridades de proteção do consumidor limitaram as tiras em no máximo um metro.

A linha de papel higiênico deixou de ser produzida em 1974, depois que, em 1972, o Grupo João Santos comprou a Portela e mudou o nome para Celulose e Papel de Pernambuco S. A.

Com isso, a Cepasa, constituída em 1925, passou e se concentra apenas na produção de papel para embalagens de cimento do Grupo João Santos, que fabrica a marca Nassau, fundada em 1951 pelo empresário João Pereira Santos. O empresário João Santos faleceu em 2009, aos 101 anos.

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