Punição máxima para motorista que matou três na Tamarineira

Publicado em 06/12/2017 às 7:57
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  João Victor, responsável pela tragédia da Tamarineira, foi indiciado por triplo homicídio doloso (dolo eventual) e dupla lesão grave. Pena pode chegar a 70 anos. Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem   No que depender do olhar da Polícia Civil de Pernambuco, a punição será máxima para o motorista João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, que matou três pessoas e feriu outras duas numa colisão de trânsito na Tamarineira, bairro da Zona Norte do Recife, no domingo 26/11. O jovem poderá pegar uma pena de até 70 anos de prisão, ser julgado por um júri popular e, no que depender da Justiça, ter a habilitação suspensa ou até cassada. Para isso, a Delegacia de Delitos de Trânsito indiciou o jovem por triplo homicídio doloso (pelo dolo eventual, quando não se quer matar, mas se assume o risco) e dupla lesão corporal grave. E provas para incriminá-lo não faltaram: um índice de alcoolemia três vezes superior ao máximo permitido pela lei, uma velocidade de 108 km/h – quase o dobro da permitida na via –, e o avanço do semáforo 22 segundos depois de ele ter ficado vermelho.  
Os airbags foram capazes de protegê-lo, mas esperamos que a justiça se cumpra nesse caso. Uma família inteira foi destroçada, destruída pela ação de um irresponsável, um criminoso” Joselito Amaral, chefe da Polícia Civil
  Além de um inquérito policial robusto, concluído em nove dias, com farta perícia criminal e depoimentos contundentes de 22 testemunhas, os policiais civis e peritos criminais não pouparam críticas ao comportamento de João Victor Ribeiro. As palavras mais duras, inclusive, foram do chefe da Polícia Civil, Joselito Amaral: “Os airbags foram capazes de protegê-lo, mas esperamos que a justiça se cumpra nesse caso. Uma família inteira foi destroçada, destruída pela ação de um irresponsável, um criminoso”, afirmou ao abrir a entrevista coletiva que apresentou as conclusões do inquérito, que já está nas mãos do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para análise das provas e formalização da denúncia em até cinco dias. LEIA MAIS Crimes que ainda doem e indignam menos A impunidade nos crimes de trânsito dói muito – relatos daqueles que só perderam Um psicopata ao volante. Com vocês, o motorista João Victor Ribeiro ‘Eu peço perdão’, diz pai de motorista que provocou tragédia no trânsito Justiça nega transferência de motorista para clínica de tratamento A matança no trânsito brasileiro continua  
João Victor começou a beber às 12h daquele domingo, dia da colisão, e só parou próximo das 19h. Isso tudo dirigindo, indo e vindo de restaurantes e bares. Foram nove garrafas de cervejas e pelo menos um litro de uísque e energéticos nesse período. Os próprios amigos que estavam com ele contaram. Era só uma questão de tempo, com o histórico que possui, se envolver num crime de trânsito”, delegado Paulo Jean
  João Victor foi indiciado pelas mortes de Maria Emília Guimarães, 39 anos, de seu filho Miguel Arruda da Motta Silveira Neto, 3, e da babá Roseane Maria de Brito, 23, grávida de quatro meses. Maria Emília e Roseane morreram no local da colisão, enquanto o garoto faleceu no dia seguinte, durante uma cirurgia para controlar uma hemorragia abdominal. As lesões corporais foram contra o advogado Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, 46, e a filha mais velha dele, Marcela Guimarães, 5, que permanecem internados. Os 70 anos como uma possível pena são compostos por 20 anos para cada homicídio por dolo eventual e cinco anos para cada lesão corporal grave.     A fundamentação do inquérito policial não se sustentou apenas nas provas técnicas obtidas pela perícia, como o exame de alcoolemia feito em João Victor Ribeiro – que indicou 1,03 mg de álcool por litro de sangue, o que representa três vezes mais do que o máximo permitido pela legislação de trânsito (a partir de 0,3 mg de álcool por litro de sangue é considerado crime de trânsito. Para a infração não há tolerância alguma, apenas a margem de erro da aferição de até 0,05 mg/l) –, o avanço de semáforo bastante tempo depois de ficar vermelho e a velocidade abusiva. O delegado Paulo Jean, adjunto de Delitos de Trânsito e responsável pela investigação, fez uma retrospectiva do histórico de imprudências de João Victor, não só no dia do crime, mas anterior a ele. “João Victor começou a beber às 12h daquele domingo, dia da colisão, e só parou próximo das 19h. Isso tudo dirigindo, indo e vindo de restaurantes e bares. Foram nove garrafas de cervejas e pelo menos um litro de uísque e energéticos nesse período. Os próprios amigos que estavam com ele contaram. Era só uma questão de tempo, com o histórico que possui, se envolver num crime de trânsito”, afirmou o delegado Paulo Jean.   Vinte e duas testemunhas foram ouvidas e relataram outros casos de imprudência ao volante por parte do jovem. O universitário não foi indiciado pela morte do bebê de Roseane porque, segundo a polícia, ele não sabia que a vítima estava grávida e não teve a intenção de matar – por isso vai responder pelo dolo eventual. O mesmo argumento foi dado por Paulo Jean para não ter transformado as duas lesões corporais graves em dupla tentativa de homicídio.  

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