Retirada dos cobradores dos ônibus é retomada na RMR

Publicado em 27/05/2019 às 14:02
Foto: Sérgio Bernardo/Arquivo JC Imagem
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Mais 17 linhas perderam os cobradores somente este ano. Foto: Sérgio Bernardo/Arquivo JC Imagem  

 

Sem divulgar pela imprensa e com pouquíssima informação para os passageiros, o governo de Pernambuco retomou a retirada dos cobradores dos ônibus que circulam na Região Metropolitana do Recife. Somente este ano, 17 linhas passaram a operar sem os profissionais. No total, são 58 linhas rodando sem cobradores desde 2015, quando o processo foi iniciado no Grande Recife. O assunto não é tratado com facilidade pelo governo. Ao contrário. É sempre difícil, até porque o processo de retirada dos cobradores foi suspenso pessoalmente pelo governador Paulo Câmara, em 2017, quando a população começou a ser surpreendida com a ausência dos profissionais e sem uma ampla rede de vendas de créditos do Vale Eletrônico Metropolitano (VEM). Mas foi retomado. E a todo vapor.  

Atualmente, temos 110 mil cobradores no Brasil. Entendemos a situação econômica do País, mas a demanda por segurança nos coletivos, com a retirada do dinheiro dos ônibus, e questões como o avanço tecnológico são irrefutáveis. Não temos como frear esse processo. Ao contrário, a presença de cobradores é rara em outros países como Estados Unidos e na Europa, onde o pagamento é feito ao motorista ou então só por cartão”, Otávio Cunha, presidente executivo da NTU

A mais recente mudança aconteceu no Terminal Integrado Recife, que faz integração com o metrô, no bairro de São José, Centro da capital. As seis linhas circulares que operam na unidade estão sem cobrador desde a segunda-feira 13/5. Por enquanto, apenas no horário da manhã, das 5h40 às 13h. Mas é uma questão de tempo para que seja incorporado nos turnos da tarde e noite. Nesses dois períodos, tanto os motoristas quanto os cobradores estarão comercializando o Vale Eletrônico Metropolitano (VEM) Comum nos ônibus para os passageiros que queiram adquirir o cartão ao preço de R$ 10.

Anteriormente, 11 linhas da MobiBrasil também perderam os profissionais. A retirada, inclusive, foi oficialmente desautorizada pelo Estado – que afirmou ter sido uma iniciativa da empresa –, mas depois o governo voltou atrás e manteve a operação sem cobradores. Segundo o GRCT, as mudanças são realizadas sempre com o objetivo de preservar a modicidade tarifária, melhorar a prestação de serviços e reduzir os subsídios pagos pelo contribuinte – atualmente o sistema recebe R$ 250 milhões por ano de subsídios, dinheiro que sai do bolso do pernambucano usuário ou não do transporte por ônibus.

Por email, o GRCT também esclareceu já ter enfatizado com as operadoras a importância de respeitar as convenções coletivas de trabalho, remanejando e capacitando esses profissionais para executarem outras atividades na própria empresa. A retirada dos cobradores é um caminho sem volta. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), 27 cidades, incluindo capitais, já eliminaram totalmente o posto de cobrador e 26 o fizeram parcialmente. Outras cinco ainda eliminaram a circulação total de dinheiro no sistema. “Atualmente, temos 110 mil cobradores no Brasil. Entendemos a situação econômica do País, mas a demanda por segurança nos coletivos, com a retirada do dinheiro dos ônibus, e questões como o avanço tecnológico são irrefutáveis. Não temos como frear esse processo. Ao contrário, a presença de cobradores é rara em outros países como Estados Unidos e na Europa, onde o pagamento é feito ao motorista ou então só por cartão”, informa Otávio Cunha, presidente executivo da NTU.

 

MOTORISTAS ACUMULAM FUNÇÃO DO COBRADOR

 

Prática adotada em alguns sistemas no Brasil, o acúmulo de função de cobrador pelo motorista também começou a ser adotado no transporte da Região Metropolitana do Recife. E deverá ser ampliado cada vez mais. Não há volta. Além de que, é considerada legal. Foi acordada durante convenção coletiva dos motoristas e cobradores em 2018 e validada pelo governo de Pernambuco, via Grande Recife Consórcio de Transporte. Os motoristas de algumas linhas que já operavam sem a figura do cobrador desde 2015 passaram a acumular a função de receber dinheiro, passar troco e liberar a catraca ao mesmo tempo em que dirigem. Ou seja, estão atuando, também, como cobrador.

 

Motoristas estão acumulando função de cobrador em 40 linhas de baixa demanda de pagamento em dinheiro. Foto: Léo Mota/JC Imagem

 

O acúmulo de função está valendo desde o dia 1º de novembro do ano passado, em pelo menos 40 linhas operadas por seis empresas: Caxangá (10 linhas), Empresa Metropolitana (14 linhas), MobiBrasil (11 linhas), Transcol (1 linha), Pedrosa (2 linhas) e São Judas Tadeu (2 linhas). Para isso, os motoristas estão ganhando um acréscimo de R$ 100 a R$ 150 por mês. A categoria não gosta por duas razões: é um trabalho a mais e termina por estimular a retirada dos cobradores e, assim, diminuir os postos de trabalho. Mas não será diferente. Até porque, segundo os argumentos do setor empresarial e dos gestores do sistema, o acúmulo de função está sendo adotado apenas em linhas que têm baixíssima demanda de passageiros pagantes em dinheiro – todas têm menos de 5%.

 

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O acúmulo de função pelos motoristas também é tendência. Levantamento feito pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) em 101 cidades brasileiras revelou que em 28 delas os motoristas atuam também como cobradores. “O processo é válido se bem feito e respeitando alguns critérios. O sistema de transporte por ônibus de Goiânia (GO), por exemplo, funciona assim há 20 anos. Mas é preciso escolher linhas em que o pagamento em dinheiro seja exceção. Também é fundamental que os motoristas obedeçam o CTB e não manuseiem dinheiro com o veículo em movimento”, ponderou Marcos Bicalho, diretor da NTU, em entrevista ao Blog MoveCidade no ano passado.

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