COLUNA MOBILIDADE

Não é mais acidente de trânsito. Agora, a definição é outra nas ruas, avenidas e estradas do Brasil

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) alterou a terminologia e, pelo menos na teoria, nivelou o Brasil a países que adotaram a Visão Zero no trânsito, ou seja, nenhuma morte é aceitável

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 04/02/2021 às 12:10
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FELIPE RIBEIRO/JCIMAGEM
Esse mecanismo é autorizado para os casos em que o proprietário do veículo não estava ao volante no momento em que a infração de trânsito foi registrada - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JCIMAGEM
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Demorou, mas aconteceu. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) alterou a terminologia acidente de trânsito para sinistro de trânsito. A mudança faz com que o Brasil se modernize e se adeque às tendências mundiais da Visão Zero (de nenhuma morte no trânsito), adotadas com redução de mortes em países como Espanha, Suécia e Estados Unidos.

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* Trânsito brasileiro mata mais do que as armas de fogo

* A indústria é da infração, não das multas de trânsito

* Motos seguem sendo as vilãs do trânsito

E razões não faltam para que o País faça todo o possível para reduzir a quantidade de sinistros. Afinal, o trânsito brasileiro mata muito, mutila demais e ainda custa muito caro. Foram 32 mil mortos em 2019 (dados mais recentes do DataSus), uma média de 300 mil mutilados por ano e um custo anual de R$ 132 bilhões.

Veja o que diz a ABNT NBR 10697, de 2020
A terminologia “sinistro de trânsito” é aplicada e definida, de forma geral, como “todo evento que resulte em dano ao veículo ou à sua carga e/ou lesões a pessoas e/ou animais, e que possa trazer dano material ou prejuízos ao trânsito, à via ou ao meio ambiente, em que pelo menos uma das partes está em movimento nas vias terrestres ou em áreas abertas ao público”. A mudança acontece para deixar claro que o termo “acidente” pode ser usado em diferentes casos, como por exemplo, a queda de um copo d’água. Por isso, no trânsito, agora é sinistro de trânsito.

 

 

Iniciativa Bloomberg
Segurança viária - Iniciativa Bloomberg

Segunda a Organização Mundial de Saúde - OMS, os limites de velocidade devem ser adequados ao tipo de vias, às suas condições físicas e ao volume e tipo de usuário do espaço, não devendo exceder 50km/h em vias urbanas

Iniciativa Bloomberg
Segurança viária - Iniciativa Bloomberg

Um atropelamento a uma velocidade de 60km/h, equivale a aproximadamente uma queda do 6º andar e 98% de chance de o pedestre vir a óbito.

 

Iniciativa Bloomberg
Segurança viária - Iniciativa Bloomberg

Quanto mais rápido um veículo estiver trafegando, maior será o impacto de um sinistro de trânsito. Dessa forma, a velocidade afeta não só o risco de ocorrência de um sinistro, mas a gravidade com que ele ocorre. Uma redução de até 5% na velocidade média do veículo pode resultar em 30% menos sinistros fatais, segundo a OMS. A 50km/h, o motorista não freia a tempo e o pedestre é atropelado com ferimentos e chance de sobrevivência. A 40km/h ou menos, o atropelamento é evitado.

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