COLUNA MOBILIDADE

Recife amplia malha para bicicletas a conta gotas e evita os grandes corredores viários

A impressão é de que é um mero cumprimento de implantação de infraestrutura, mesmo que não tenha muita utilidade para quem usa a bicicleta como transporte

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 19/05/2021 às 17:27
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Marcos Pastich/PCR
Quem usa bicicleta nunca vai reclamar de ciclofaixas ou ciclovias, mas o Recife precisa mesmo é de infraestrutura nos grandes corredores viários onde o perigo de pedalar é maior - FOTO: Marcos Pastich/PCR
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Quem pedala não irá reclamar, de jeito nenhum, da ampliação da infraestrutura para bicicleta na cidade do Recife. Quanto mais, melhor. Mas é difícil não olhar com desconfiança a expansão pulverizada que a Prefeitura do Recife vem fazendo da malha cicloviária na gestão João Campos (PSB). Na verdade, essa estratégia já vinha sendo adotada ainda com Geraldo Julio (PSB) e segue na nova gestão. O anúncio de mais 10 quilômetros de ciclofaixas da cidade é um exemplo.

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A impressão que fica é que, ao anunciar uma extensão tão pequena - quando consideramos que são trechos de um, dois e três quilômetros -, o prefeito está mais preocupado em garantir mídia do que em criar uma infraestrutura conectada e segura para que as pessoas possam usar a bicicleta como veículo de transporte diário. Até porque muitas dessas novas rotas não estão em vias de tráfego intenso e que exigem uma infraestrutura de segurança para o ciclista.

Diego Nigro/PCR
Ciclofaixa está sendo implantada na Ponte da Boa Vista (Ponte de Ferro), onde a maioria dos "veículos" já são bicicletas. Quem pedala quer infraestrutura em vias como Agamenon Magalhães, Caxangá e Viaduto Capitão Temudo, por exemplo - Diego Nigro/PCR

A impressão, novamente, é de que o que importa é contar os quilômetros até alcançar a promessa de campanha - 100 km em quatro anos. Seria um mero cumprimento de infraestrutura, mesmo que não tenha utilidade para quem pedala. Vejamos o caso da Ponte da Boa Vista, mais conhecida como Ponte de Ferro, por exemplo. Ali seria um dos últimos lugares necessários para se implantar uma ciclofaixa porque os ciclistas que a utilizam conseguem circular com segurança, já que o volume de veículos é pequeno - ela conecta duas ruas de pedestres!!!

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Aliás, um terço dos “veículos” que passam na Ponte de Ferro já são bicicletas, segundo dados do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS) levantados para o Plano de Mobilidade Urbana do Recife. O plano, aliás, estava quase finalizado pela gestão Geraldo Julio e até agora não teve nenhuma retomada pela nova gestão municipal. A melhor notícia no pacote de 10 km de ciclofaixas que a PCR anunciar é a implantação da Ciclofaixa Rua do Futuro, reivindicação antiga dos cicloativistas sempre rejeitada pelas gestões municipais. Mesmo tendo apenas 1km de extensão, ligará o Parque da Jaqueira à Ciclofaixa Amélia, que vai até a área central da cidade.

Mais uma vez destacamos que nenhum ciclista vai reclamar de ciclofaixas, ciclovias e até de ciclorrotas. E que o Recife avançou na expansão da malha - serão 16 km entregues desde o início da nova gestão e um crescimento de 525% entre 2013 e 2021, totalizando quase 150 km em toda a cidade. Mas o Recife precisa mesmo é de infraestrutura para bicicletas em vias como a Avenida Agamenon Magalhães, Avenida Caxangá, Avenida Abdias de Carvalho, Viaduto Capitão Temudo, Avenida Norte, entre outros grandes corredores que fazem a conexão da cidade.

Marcos Pastich/PCR
A impressão, novamente, é de que o que importa é contar os quilômetros até alcançar a promessa de campanha - 100 km em quatro anos - Marcos Pastich/PCR

Os 10 km anunciados nesta quarta-feira (19/5) pelo prefeito João Campos são:

- Ciclofaixa Santo Antônio, com 1 km de extensão, que vai interligar os bairros da Boa Vista e de Santo Antônio e agregará, também, um espaço inovador de área compartilhada entre ciclistas e pedestres na Rua Nova
- Ciclofaixa Lindolfo Collor, na Zona Oeste do Recife, que terá 2 km de extensão e fará a conexão com a Reitoria da UFPE, além de outros pontos de interesse nas proximidades.
- Esse equipamento também se interligará com a nova Ciclofaixa CDU/UFPE, que terá 3 km e ficará próxima ao Terminal Integrado CDU, aumentando a integração intermodal.
- A Ciclovia Beberibe, na Zona Norte, será entregue com 2 km de extensão na nova via.
- A Ciclofaixa Hipódromo, também na Zona Norte, terá 1 km de extensão e se conectará aos bairros do Rosarinho e Torreão.
- A Ciclofaixa Rua do Futuro, com 1 km de extensão, ligará o Parque da Jaqueira à Ciclofaixa Amélia, que vai até a área central da cidade.

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