Romoaldo de Souza

É fundamental que a PGR não repita erros do passado, quando arquivava inquéritos para agradar autoridades

Houve, em um passado não muito distante [1995 — 2003], um procurador-geral da República que ganhou o singelo apelido de "engavetador-geral", de tantos pedidos de investigação que ele mandava para o arquivo

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 18/02/2022 às 8:28
EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO
Agora o embate se dá entre a extinta Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia no Senado Federal e a Procuradoria-Geral da República - FOTO: EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO
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Houve, em um passado não muito distante [1995 — 2003], um procurador-geral da República que ganhou o singelo apelido de “engavetador-geral”, de tantos pedidos de investigação que ele mandava para o arquivo. Contam-se mais de 600 inquéritos criminais que chegaram à Procuradoria. Desses, mais de 400 tiveram como destino o arquivo. Apenas 60 denúncias foram aceitas.

Nos dias atuais, com a imprensa cada vez mais ativa, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito que não perde um minuto sequer para estar em evidência e, novamente, a Procuradoria-Geral da República é alvo de críticas por agir com uma certa demora para analisar pedidos de investigação contra autoridades graúdas da República. Usando uma linguagem popular, bem comum no dia a dia, pode-se dizer que o procurador está “devagar quase parando”.

Agora o embate se dá entre a extinta Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia no Senado Federal e a Procuradoria-Geral da República. Os senadores da CPI entregaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) documento que detalha os crimes que teriam sido cometidos por autoridades investigadas e que foram indiciadas pela comissão. Tudo isso como resposta, uma vez que na semana passada, o procurador-geral da República, Augusto Aras, tinha antecipado que poderia pedir o arquivamento do relatório da CPI por não apresentar provas. Tudo não passa de “informações desconexas e desorganizadas”, nas palavras do procurador.

Em um longo comunicado, pelas redes sociais, o ex-vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que o procurador “não atua em defesa do interesse público.”

“Na sua estratégia de ‘comprar tempo’, a PGR pediu para a CPI da Covid individualizar provas, como se centenas delas já não fossem suficientes. Nesse ritmo, só falta a PGR pedir, e não estranhem se isso acontecer, a exumação de 640 mil vítimas do descaso de Bolsonaro”, escreveu o senador.

Assim como é imprescindível a autonomia entre os poderes, é fundamental que a procuradoria não repita erros do passado, quando arquivava inquéritos para agradar autoridades que poderiam ser investigadas.
Pense nisso!

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