Decisão

Coronavírus: TJPE nega pedido de prisão domiciliar para Delma Freire

Condenada pelo assassinato da turista alemã Jennifer Kloker, a sogra da vítima pediu a conversão da prisão alegando problemas de saúde

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 13/04/2020 às 15:58
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Delma Freire é apontada como mentora do assassinato da ex-nora, a turista alemã Jennifer Kloker. Foto: JC Imagem/Arquivo
Delma Freire é apontada como mentora do assassinato da nora, a turista alemã Jennifer Kloker. Foto: JC Imagem/Arquivo - FOTO: Delma Freire é apontada como mentora do assassinato da ex-nora, a turista alemã Jennifer Kloker. Foto: JC Imagem/Arquivo
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Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) negou pedido de prisão domiciliar para Delma Freire de Medeiros, que cumpre pena pelo assassinato da nora, a turista alemã Jennifer Kloker. A defesa alegou à Justiça que a detenta, de 59 anos, estaria sofrendo risco de ser infectada pela COVID-19, pois estaria na faixa etária de maior periculosidade em relação ao novo coronavírus, além de ser hipertensa e fumante desde a juventude.

A coluna Ronda JC teve acesso à decisão. O desembargador Mauro Alencar de Barros, responsável pela análise do pedido de habeas corpus, apontou que a defesa de Delma sequer anexou aos autos do pedido um laudo médico comprobatório de que a paciente faz parte de grupo de risco. Esse foi um dos argumentos para negar o pedido da defesa.

Dez anos após ser presa pelo assassinato da nora, cujo corpo foi encontrado às margens da BR-408, em São Lourenço da Mata, Delma Freire cumpre pena em regime semiaberto. Ela teve o benefício concedido pela Justiça recentemente. Ela tem direito a trabalhar durante o dia e, à noite, volta à Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima, como determina a lei.

CASO JENNIFER

As investigações do assassinato Jennifer Kloker foram cercadas de reviravoltas. Segundo a versão apresentada pela família à polícia, dois homens em uma moto teriam encostado no carro onde Jennifer estava com o marido, Pablo Tonelli, os sogros, Ferdinando Tonelli e Delma, e o filho, que na época tinha dois anos de idade. Os supostos ladrões teriam obrigado a família a sair do veículo e a entregar todos os pertences. Um dos bandidos teria levado Jennifer no automóvel e o outro seguiu de moto. O corpo da alemã foi encontrado às margens da BR-408.

Menos de uma semana depois, a versão de assalto começou a ser desmontada após a divulgação dos dados fornecidos pelo GPS do carro locado pelos parentes da vítima. O sistema de localização mostrou que o carro fez trajeto diferente do informado à polícia por Pablo Tonelli. A prova foi fundamental para a polícia começar a montar o quebra-cabeça e descobrir a trama articulada por Delma, Pablo e Ferdinando para matar Jennifer Kloker no Brasil e ficar com o seguro de vida, feito na Itália, avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

PENAS

No ano passado, as penas condenatórias para os acusados foram revistas e reduzidas pelo TJPE. Delma, condenada inicialmente a 30 anos de prisão e dois anos de detenção pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa da vítima), formação de quadrilha e fraude processual, teve a pena reduzida para 26 anos e seis meses de prisão, e um ano de detenção.

O viúvo da turista alemã, Pablo Richardson Tonelli, condenado a 25 anos e seis meses de reclusão, passou a cumprir 22 anos e seis meses de prisão. Dinarte Dantas de Medeiros, irmão de Delma e apontado como a pessoa que comprou a arma e que contratou o executor do crime, havia recebido a pena de 14 anos e 4 meses de reclusão. O tempo foi menor que o dos outros réus porque, na época, houve um acordo de delação premiada. Com o novo cálculo, ele terá que cumprir 12 anos e oito meses de prisão.

Já Alexsandro Neves dos Santos, contratado para assassinar a turista alemã, havia sido condenado a 26 anos de prisão. A Justiça reduziu para 23 anos. O sogro da turista, Ferdinando, não teve a pena recalculada porque já faleceu.

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