Investigação

Sarí mandou mãe e avó de Miguel assinarem contrato com prefeitura, dizem depoimentos 

Depoimentos constam no inquérito policial que apura o esquema de funcionários fantasmas em Tamandaré

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 06/07/2020 às 8:15
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YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
ACUSADA Sarí Corte Real estará no banco dos réus - FOTO: YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
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Novos elementos sobre o escândalo dos funcionários fantasmas na Prefeitura de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco, complicam ainda mais a situação do prefeito Sérgio Hacker (PSB) e da esposa, Sarí Corte Real. De acordo com depoimentos prestados no Departamento dede Repressão Ao Crime Organizado (Draco), da Polícia Civil, a mãe e a avó de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que trabalhavam como empregadas domésticas na casa do casal, assinaram contratos com a Prefeitura de Tamandaré a pedido da primeira-dama do município.

Os depoimentos constam no inquérito policial que apura o esquema de funcionários fantasmas na prefeitura, descoberto após a morte de Miguel, que caiu do nono andar de um edifício de luxo na área central do Recife, após Sarí deixá-lo sozinho em um elevador.

Em depoimento, a avó de Miguel, Marta Maria Santana, afirmou que o vínculo com a Prefeitura de Tamandaré começou "após Sérgio (Hacker) ganhar a eleição de 2016 para prefeito". Na ouvida, ela disse que "Sarí levou uma documentação para a depoente e sua filha assinarem, passando as duas a receber salários pela prefeitura". Marta ainda reafirmou que nunca esteve na prefeitura "seja a trabalho ou qualquer outra coisa".

O depoimento de Mirtes Santana foi semelhante. Ela afirmou também que nunca "entrou na Prefeitura de Tamandaré para prestar nenhum tipo de serviço".

Questionada pela polícia sobre o caso, a mãe e avó de Miguel contaram que nunca foram na prefeitura e que aceitaram ser pagas através da prefeitura, pois acharam "natural", tendo em vista que a prática seria comum."... Que a depoente concordou, pois não achou nada demais, já que outras pessoas também recebiam pela prefeitura, mesmo prestando serviços particulares à família (do prefeito); Que esclarece que o tio de Sérgio (Hildo Hacker), já tinha sido prefeito de Tamandaré e fazia a mesma coisa", disse outro trecho do depoimento de Mirtes.

Na entrevista concedida ao programa Fantástico, da TV Globo, nesse domingo, Sarí não falou sobre o assunto. A produção da Globo contou no podcast do programa que essa foi uma condição da defesa para que a entrevista fosse autorizada.

Ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que também apura o caso, a prefeitura enviou ofício dizendo que todo o dinheiro pago às três funcionárias foi devolvido aos cofres públicos. As funcionárias também foram exoneradas. Os gastos do poder público com as funcionárias somaram R$ 193.365,20 (valores corrigidos) no período. Na semana passada, com base nas provas colhidas, o MPPE impetrou uma ação civil pedido a condenação do prefeito por improbidade administrativa, após a comprovação de que a mãe, a avó de Miguel e outra empregada do casal eram funcionárias fantasmas de Tamandaré. A Justiça determinou o bloqueio parcial dos bens de Sérgio Hacker.

OUTRO LADO

Em nota, o prefeito Sérgio Hacker afirmou que "não foi oficialmente comunicado sobre a aludida ação judicial. E que, ao recebê-la, promoverá sua defesa plena e efetiva, como deve ser assegurada a todo e qualquer cidadão". A nota disse ainda que o prefeito irá recorrer da decisão judicial. "Nenhuma culpa foi lhe atribuída", disse outro trecho da nota oficial.

CASO MIGUEL

O MPPE recebeu, na tarde da sexta-feira (3), o inquérito que investigou a morte de Miguel. No documento, concluído na última quarta-feira (1º), a Polícia Civil indiciou Sarí por abandono de incapaz com resultado morte. A pena prevista para o crime é de 4 a 12 anos de prisão.O promotor escolhido terá um prazo de 15 dias, de acordo com o Código de Processo Penal, para apontar se denunciará ou não a ex-patroa da mãe da criança. O promotor também poderá solicitar novas ações à Polícia Civil.

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