Morte

Caso Miguel: advogados de Sarí Corte Real apresentam defesa à Justiça

Defesa pede a absolvição sumária da ex-patroa da mãe de Miguel. Ela é acusada de abandono de incapaz com resultado morte

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 11/09/2020 às 14:52
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YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
Sarí Corte Real, acusada de abandono de incapaz no Caso Miguel - FOTO: YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
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Após muita expectativa e prorrogação do prazo legal, os advogados da primeira-dama de Tamandaré, Sarí Corte Real, acusada pela morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, apresentaram à Justiça a defesa dela. A partir de agora, o juiz responsável pela 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital vai definir os próximos passos do processo. A morte de Miguel, que caiu de um prédio de luxo na área central do Recife, completou três meses no dia 1º de setembro.

De acordo com o advogado Célio Avelino, responsável pela defesa de Sarí, foi solicitada a absolvição sumária da ré. "A gente entende que não houve abandono de incapaz. Ela (Sarí) tentou convencer Miguel a sair do elevador", afirmou. O documento, segundo ele, foi entregue à Justiça nessa quinta-feira (10).

Sarí responde pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte. Se o juiz responsável decidir por dar continuidade ao processo, será marcada a audiência de instrução e julgamento do caso, quando testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas em juízo. Por fim, a ré também prestará depoimento (mas pode optar pelo silêncio). A etapa seguinte será a de alegações finais, quando Ministério Público e defesa apresentarão suas teses à Justiça. Por fim, o juiz dará a sentença.

RELEMBRE O CASO

Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), na tarde de 02 de junho, Sarí Corte Real, agindo dolosamente, teria abandonado Miguel, que estava sob sua vigilância naquele momento, nas dependências do Edifício Píer Maurício de Nassau, situado na Rua Cais de Santa Rita, bairro de São José, ocasionando tal atitude o evento morte do menor. Na ocasião, a mãe dele, Mirtes Renata Souza, passeava com o cachorro da patroa.

A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística no edifício constatou que Sarí apertou o botão da cobertura, antes de deixar a criança sozinha no elevador. Ao sair do equipamento, o menino passa por uma porta corta-fogo, que dá acesso a um corredor. No local, ele escala uma janela de 1,20 m de altura e chega a uma área onde ficam os condensadores de ar. É desse local que Miguel cai, de uma altura de 35 metros.

Sarí Corte Real, agora ex-patroa da mãe de Miguel, é esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio hacker (PSB). Mesmo com a denúncia, ela continua respondendo ao processo em liberdade.

Na época do caso, Mirtes e a avó de Miguel trabalhavam na casa do prefeito, mas recebiam como funcionárias da prefeitura. O MPPE instaurou uma investigação e a Justiça determinou o bloqueio parcial dos bens de Hacker. 

A mãe e a avó de Miguel ganhavam até gratificação por produtividade, mesmo sem trabalharem na prefeitura

Pedido por Justiça

Na semana passada, artistas, militantes, ativistas, advogados e familiares de Miguel se unem em uma campanha para amplificar a voz de Mirtes Renata Souza, mãe do menino. Entre as integrantes da campanha estão Lia de Itamaracá, Erika Januza, Mariana Ximenes e Angélica. Elas participam de um vídeo usando blusas com frases ditas por Mirtes.

O vídeo da campanha será disponibilizado nas redes sociais e foi realizado conjuntamente pela Articulação Negra de Pernambuco, Mana Bernardes e a família de Miguel, em parceria com o Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares (Gajop), o Coletivo Negritude do Audiovisual em Pernambuco e outros movimentos sociais.

 

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