SEGURANÇA

Com aumento de feminicídios, Pernambuco pode ganhar 3 novas delegacias da Mulher

Projeto de lei que propõe a criação das unidades foi enviado para votação na Assembleia Legislativa

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Raphael Guerra

Publicado em 09/11/2021 às 20:56
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Em meio ao aumento de feminicídios registrado ao longo deste ano, Pernambuco pode ganhar três novas delegacias especializadas no combate à violência contra a mulher. Nesta terça-feira (09), a governadora em exercício, Luciana Santos, assinou um projeto de lei que propõe a criação de três novas Delegacias da Mulher nos municípios de Arcoverde (Sertão do Moxotó), Palmares (Mata Sul) e Olinda (Região Metropolitana do Recife).

Ao todo, 67 mulheres foram vítimas de feminicídio em Pernambuco nos nove primeiros meses deste ano, segundo as estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS). O aumento foi de 24,1%, se comparado com o mesmo período de 2020, quando 54 mulheres foram vítimas desse crime.

Atualmente, a Polícia Civil de Pernambuco conta com 11 delegacias da Mulher, além de uma unidade que funciona em regime permanente de plantão na capital. “Nós vamos levar o atendimento especializado à mulher para todas as áreas do Estado. Esse atendimento é fundamental para reduzir os índices de violência familiar e os feminicídios”, disse o secretário de Defesa Social, Humberto Freire.

O projeto de lei será enviado à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para votação.

AUMENTO DE CASOS

Na avaliação da secretária estadual da Mulher, Ana Elisa Sobreira, a pandemia da covid-19 contribuiu para o aumento dos casos. "Esse aumento ainda é reflexo da pandemia, porque o agressor passou mais tempo de convívio com a vítima. Muitas perderam emprego ou deixaram de trabalhar para cuidar dos filhos. Com medo de procurarem ajuda, as mulheres acabaram mortas", disse a secretária, em recente entrevista à coluna Ronda JC

"Agora, estamos no processo de retomada. Por isso estamos com um projeto de qualificação das mulheres, para garantir a autonomia financeira delas, para que elas entrem no mercado de trabalho e possam sair desse ciclo de violência. Muitas têm medo de não ter como se sustentar", explica Ana Elisa. O projeto deve ser lançado até o final do ano, garantiu a secretária.

"Nos primeiros indícios, as mulheres precisam registrar o boletim de ocorrência. Infelizmente, muitas esperam o mal maior para procurar ajuda. Elas precisam entender que não estão sozinhas. E que contam com centros de referência, com apoio psicológico e jurídico", pontuou. O número da Ouvidoria da Secretaria da Mulher é 0800-281-8187. A ligação é gratuita.

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