INVESTIGAÇÃO

PMs envolvidos na morte de adolescente, no Recife, são afastados das ruas

Dois cabos do 11º Batalhão da Polícia Militar participaram da ação que resultou na morte de Vitor Kauã Souza da Silva, no último sábado (11)

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 14/12/2021 às 19:38
ALEX OLIVEIRA/JC IMAGEM
MISTÉRIO Vitor estava na garupa de moto com amigo quando morreu - FOTO: ALEX OLIVEIRA/JC IMAGEM
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Três dias após a ação policial que resultou na morte do adolescente Vitor Kauã Souza da Silva, de 17 anos, em Sítio dos Pintos, Zona Norte do Recife, o comando da Polícia Militar decidiu afastar os dois cabos do 11º Batalhão envolvidos na mal esclarecida ocorrência. A Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) também instaurou procedimento para investigar a conduta dos policiais. 

Parentes contaram à reportagem da TV Jornal, no fim de semana, que Vitor Kauã Souza da Silva estava na garupa a caminho de uma farmácia para comprar remédios para a mãe do amigo, que pilotava a moto. Em abordagem, os policiais militares teriam pedido para que eles parassem, mas o motociclista não teria obedecido por não ter carteira de habilitação. Então, os tiros foram efetuados. Vitor morreu pouco depois de ser socorrido. O amigo não se feriu.

A versão oficial divulgada pela Polícia Militar, no dia seguinte, foi a de que a equipe soube, por meio de populares, de uma dupla que estava praticando assaltos no local em uma motocicleta. "Os policiais seguiram em diligências e visualizaram os suspeitos, que ao perceberem a presença do efetivo policial efetuaram disparos de arma de fogo contra os PMs, que revidaram a injusta agressão, atingindo um dos suspeitos."

A família do adolescente é enfática em afirmar que ele não tinha envolvimento com criminalidade, era trabalhador e dedicado. 

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está investigando as circunstâncias da morte do adolescente. Os pais devem prestar depoimento nesta quarta-feira (15). 

PUNIÇÃO AOS PMS 

Mesmo sem 2021 ter chegado ao fim, Pernambuco já atingiu o mais alto número de policiais militares expulsos nos últimos anos. Levantamento obtido pela coluna Ronda JC, a partir da Lei de Acesso à Informação (LAI), revela que 39 PMs foram excluídos da corporação entre janeiro e setembro deste ano, após investigações conduzidas pela Corregedoria da SDS.

Se comparado com todo o ano de 2020, quando 19 militares foram expulsos, a diferença chega a 200% - e pode aumentar, pois ainda não não foram divulgados os dados do último trimestre deste ano. Ao longo de 2019, oficialmente, foram 35 exclusões.

As punições estão relacionadas a acusações de crimes como homicídios, associação criminosa, entre outros. 

ARTES/JC
PUNIÇÕES POLICIAIS WEB - ARTES/JC

Promessa para dezembro deste ano, a implementação das câmeras acopladas às fardas da Polícia Militar de Pernambuco ficará para 2022. A corporação informou que a aquisição das chamadas bodycams ainda está em fase de licitação. O equipamento, mais que necessário, contribui para esclarecer as ações policiais que, por vezes, são questionadas quando há mortes.

Em São Paulo, por exemplo, o uso de câmeras nas fardas tem diminuído o número de mortes em ações policiais.

Levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, divulgado nesta terça-feira (14), apontam que as mortes por intervenção policial mais que dobraram (53%) em Pernambuco, em 2020, e aumentou também a proporção de negros mortos nessas ações que chega a 97%. No total, 113 pessoas foram vítimas de ações policiais no Estado. Dessas, 109 eram pessoas negras, três brancas, e em um caso não foi possível identificar a cor da pele.

No ano anterior, o total de pessoas mortas pela polícia em Pernambuco foi de 74 casos, e 93% eram negras. No Recife, segundo o estudo, todas as pessoas mortas pela polícia no município são negras. Isso mesmo, o percentual é de 100% das pessoas negras mortas pela polícia em 2020.


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