VIOLÊNCIA

Com 6 assassinatos nos últimos dias, Cabo de Santo Agostinho vive guerra entre facções

Somente neste mês de janeiro, pelo menos 24 pessoas foram mortas na cidade. No ano passado, o Cabo liderou entre os municípios do Grande Recife com maior taxa de homicídios

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 28/01/2022 às 19:14
BETO DLC/TV JORNAL
Moradores estão assustados com a frequente violência no Cabo de Santo Agostinho - FOTO: BETO DLC/TV JORNAL
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Moradores do Cabo de Santo Agostinho continuam vivendo dias de terror. Desde o último domingo (23), o município registrou ao menos seis assassinatos. Além disso, no ano passado, 178 pessoas foram mortas - uma média de um homicídio a cada dois dias. Entre as cidades da Região Metropolitana do Recife, o Cabo aparece com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes - índice que colocou em alerta as forças de segurança do Estado, por causa da guerra entre facções. 

Os criminosos não esperam nem o horário noturno para agir. Nessa quinta-feira à tarde, os amigos identificados como Ariel Eduardo da Silva, de 22 anos, e Ramon Felipe Andrade da Silva, 27, estavam na Rua do Ferreiro, no Engenho Mercês, quando foram surpreendidos por um veículo de cor branca. Homens armados desceram e efetuaram vários tiros contra as vítimas, que morreram na hora.

No mesmo dia, à noite, um homem identificado como Alexandre Valentim da Silva, de idade desconhecida, andava de bicicleta pela BR-101, na altura do bairro de Charnequinha, quando foi baleado e morreu em seguida. Não havia testemunhas no local.

O Delegado Cláudio Neto, titular da Divisão de Homicídios Metropolitana Sul, explicou que as vítimas do duplo homicídio já vinham sendo investigadas pela polícia. "Eles eram suspeitos de homicídios que ocorreram neste mês de janeiro", disse.

Os dois homens se enquadram no perfil das vítimas de violência no Cabo. De acordo com dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), 89 pessoas mortas na cidade no ano passado (50% do total) tinham idades entre 18 e 29 anos.

ARTES/JC
Raio-x do Cabo de Santo Agostinho_wEB - ARTES/JC

Segundo o delegado, a maioria dos homicídios tem relação com atividades criminais, principalmente o tráfico de drogas. "Existe uma guerra pelo domínio do tráfico no município. São grupos isolados que disputam espaço e, por isso, os crimes ocorrem", explicou Cláudio Neto.

Os requintes de crueldade nos homicídios também chocam. No final de outubro de 2021, o cantor de brega-funk João Vitor da Silva Amorim, 23 anos, conhecido como MC Pitbull da Firma, foi assassinado a tiros próximo à Avenida Laura Cavalcante, em Gaibu. Dois dias depois, o corpo dele foi desenterrado do cemitério e incendiado. A ação foi filmada pelos criminosos.

Dias antes de ser morto, o MC havia pedido orações dos amigos e fãs. Segundo relatou, teria sofrendo ameaças pelas redes sociais porque estaria sendo confundido com outro rapaz envolvido em outra morte.

Por causa da violência, o Cabo foi destaque na mais recente edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O município apareceu em 2º lugar no ranking das cidades brasileiras com maior taxa de homicídios - referentes a 2020. Com taxa de 90 mortes por 100 mil habitantes, o Cabo só perdeu para a cidade de Caucaia, no Ceará (98,6). Lá, os homicídios cresceram por causa da guerra entre duas facções pelo domínio do tráfico de drogas.

REAÇÕES

O Cabo já somou pelo menos 24 assassinatos neste começo de ano. Ciente do problema, o delegado Cláudio Neto informou que, nos últimos dias, três reuniões com a Polícia Civil discutiram ações para prender criminosos e trazer de volta a paz para quem vive no Cabo de Santo Agostinho.

"Recentemente, fizemos o mapeamento dos alvos prioritários da polícia no Cabo. Vamos atrás desses criminosos mais perigosos, dessas lideranças. Com certeza essas prisões vão dar resultados na redução da violência no município. Usamos essa estratégia em Jaboatão dos Guararapes, no ano passado, e conseguimos reduzir as mortes", disse o delegado.

Em relação às ações de prevenção, a Prefeitura do Cabo disse que foi montada na Praia de Gaibu uma base da polícia, que conta com videomonitoramento e outros recursos. Além disso, haverá a "contratação de quase 100 novos guardas municipais, novos equipamentos e apoio de viaturas que ajudam a polícia, nos casos de furtos e roubos, na segurança patrimonial e no disciplinamento do trânsito".

Outra ação, segundo a gestão municipal, é a Operação Correntes, que conta com a policiais Civil e Militar, juntamente com a Guarda Municipal e outros órgãos.

 

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