PORTO DE GALINHAS

Caso Heloysa: Secretário não explica silêncio da Polícia Civil sobre investigação; veja vídeo

Após quatro meses, a Polícia Civil encerrou a investigação sobre a morte da menina em Porto de Galinhas. Mas se nega a dar detalhes do caso

Raphael Guerra
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Raphael Guerra
Publicado em 04/08/2022 às 19:41 | Atualizado em 04/08/2022 às 19:51
FOTO AUTORIZADA E CEDIDA PELA FAMÍLIA
VÍTIMA Heloysa brincava na rua no momento em que foi baleada - FOTO: FOTO AUTORIZADA E CEDIDA PELA FAMÍLIA
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Uma semana após a Polícia Civil de Pernambuco concluir as investigações sobre o assassinato da menina Heloysa Gabrielle, de 6 anos, em Porto de Galinhas, no Litoral Sul, o secretário de Defesa Social, Humberto Freire, falou pela primeira vez sobre o caso. Mas não explicou o porquê de a Polícia Civil se negar a dar detalhes sobre a investigação.

O pronunciamento de Humberto Freire foi feito durante entrevista coletiva, nesta quinta-feira (04), convocada para anunciar que o governo do Estado comprou novas armas de fogo, munições e coletes para as polícias. 

A coluna Ronda JC aproveitou a ocasião para questionar o secretário sobre o Caso Heloysa. Eis a resposta de Humberto Freire:

"A polícia divulgou, a polícia se manifestou e encaminhou o inquérito. A Polícia Civil concluiu o inquérito e encaminhou ao Ministério Público, como lhe cabe, e divulgou que tinha concluído esse inquérito e encaminhado ao sistema de Justiça, como lhe cabe."

Como o próprio secretário afirmou - e até se desmentiu - a Polícia Civil só divulgou que o inquérito foi concluído.

Humberto Freire foi questionado, mais uma vez, sobre o motivo do silêncio - afinal, nesta quinta-feira (04), a Polícia Civil convocou uma coletiva de imprensa para detalhar um caso de estupro de uma adolescente no Cabo de Santo Agostinho - investigação que sequer foi concluída. 

E não houve resposta sobre o Caso Heloysa.

"Em diversos casos a Polícia Civil conclui que tem aspectos que precisam ser preservados, sigilosos, ela indica apenas que concluiu e que encaminhou ao Ministério Público", disse, encerrando a coletiva. 

CONFIRA O VÍDEO:

ENTENDA O CASO HELOYSA

Heloysa Gabrielle foi morta com um tiro no peito durante uma perseguição policial na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas, em 30 de março de 2022. 

Na ocasião, os policiais envolvidos alegaram que houve uma troca de tiros - o que foi negado por testemunhas.

Uma reprodução simulada apontou que os tiros disparados partiram apenas da viatura - e não do suspeito que estava na moto (como disse a polícia).

Após quatro meses, a Polícia Civil concluiu a investigação, mas não quis divulgar o resultado à imprensa. 

Coube ao Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares e o Projeto Oxé – Atendimento Jurídico e Psicossocial para vítimas de Racismo, que prestam apoio jurídico à família de Heloysa, divulgar as informações à imprensa. 

Um policial militar lotado no Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi o responsável pelo tiro que matou Heloysa Gabrielle, segundo o inquérito.

O policial militar, cujo nome não foi divulgado, foi indiciado pelo crime de homicídio doloso (por ter assumido o risco de atirar, mesmo sabendo da possibilidade de ocorrer uma morte).

O inquérito policial foi encaminhado há uma semana para análise do Ministério Público, que ainda não se pronunciou. 

INVESTIMENTOS EM SEGURANÇA NO SEGUNDO SEMESTRE

O governo de Pernambuco anunciou o investimento de R$ 25 milhões em equipamentos para as forças de segurança. O montante é destinado à compra de 8 mil coletes balísticos de uso individual, além de mais de 5 mil pistolas das fabricantes Beretta e Glock e munições. 

“São armamentos reconhecidos internacionalmente como de ponta. Além disso, haverá acréscimo de 50% em relação ao quantitativo atual de coletes balísticos, visando a dotar cada profissional com seu equipamento individual, o que prolonga a vida útil do material. Isso é importante para a atividade desses policiais que, com o seu trabalho, têm contribuído para reduzir a criminalidade”, destacou Freire. 

O secretário ainda informou que, em breve, será lançado o edital para aquisição de câmeras de videomonitoramento que serão instaladas nas vias públicas. O objetivo é sair de 400 para mais de 2 mil equipamentos, que irão auxiliar o policiamento e as investigações.

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