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Coronavírus: "Amanhecemos o dia com 15 vagas de UTI", diz secretário sobre a alta ocupação de leitos

Em coletiva de imprensa, André Longo disse que Pernambuco está no limite do trabalho da expansão de leitos de UTI

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 15/04/2020 às 17:45
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Secretário André Longo reforça a necessidade de a população seguir o isolamento social para se evitar o colapso do sistema de Saúde em Pernambuco - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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O uso de metáforas tem sido uma constante nas falas diárias do secretário de Saúde de Pernambuco, o médico cardiologista André Longo. A sensação é que, dessa forma, ele consegue traduzir, de forma clara, para todos os públicos, as terminologias incorporadas ao jargão epidemiológico da covid-19. Nesta semana, uma frase colocada por ele tem feito muito sentido para compreendermos a dimensão da gravidade do novo coronavírus. “Temos conseguido estar a um passo, mas um passo pequeno, à frente da epidemia”, disse Longo, preocupado com um número que esteve à sua frente nas primeiras horas da quarta-feira (15): “Nós amanhecemos com 15 vagas de UTI (unidade de terapia intensiva) para população”, alertou Longo num dia em que o Estado tem mais um recorde diário de casos e mortes pela doença. Em 24 horas, foram confirmados 200 novos diagnósticos e 28 mortes por covid-19.

É pouquíssimo - ou quase nada - para um universo imenso de pessoas com sintomas graves, suspeitos e confirmados de covid-19, que chegam às unidades de saúde de Pernambuco e precisam ter internamento. “Esse número tem duplicado na última semana, e isso pressiona por mais vagas de UTI. E como lidamos com isso neste momento? Com a ampliação de leitos”, informou o secretário, que relata um trabalho diário para correr contra o tempo e permanecer, no mínimo, com um pequeno passo (uma figura de linguagem para expressar disponibilidade de leitos) à frente dessa expansão tão brutal da epidemia. Por enquanto, de um dia para o outro, tem se conseguido abrir um número maior de leitos do que o volume de pacientes que precisam de assistência.

Mas até quando? “Em pouco mais de 30 dias, ofertamos mais de 250 leitos de UTI. É um esforço concentrado: compramos leitos do privado, ampliamos leitos do filantrópico e da nossa rede, requisitamos hospitais, e a Prefeitura do Recife tem aberto unidades provisórias. “Mas estamos no limite de trabalho quanto à expansão de leitos. A maioria das pessoas tem ajudando (com isolamento social), mas é preciso envolver aqueles que são mais refratários à política de ficar em casa. É preciso proteger a população da dificuldade de chegarmos a ter momentos que não tenhamos leitos para ofertar à demanda crescente de casos”, ressaltou Longo.

Leitos no Huoc

Na quarta-feira (15), o governador Paulo Câmara anunciou a abertura de mais dez novos leitos de UTI no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central do Recife. Com isso, subiu para 43 o número de vagas de terapia intensiva no hospital, que já conta com 133 leitos de enfermaria dedicados exclusivamente ao tratamento de pacientes com sintomas de covid-19. Outros dez novos leitos de UTI deverão ser ativados no Huoc na próxima semana. Também foram nomeados mais 224 novos profissionais de saúde para atuar no hospital.

“Hoje (quarta-feira), no decorrer do dia, temos a expectativa que, em três serviços no Estado, tenhamos mais 30 leitos de UTI à disposicão, com mais 20 que a Prefeitura do Recife disponibiliza, neste primeiro momento, na Rua da Aurora (com início do funcionamento do Hospital Provisório Recife 1, no bairro de Santo Amaro). Então, temos a expectativa de terminar esta quarta-feira (15) com mais vagas do que no início do dia, com mais 50 leitos de UTI ofertados à população. Esse é um exercício que está sendo diário”, disse André Longo.

Atualmente, das 1.484 pacientes infectados pelo novo coronavírus no Estado, 942 estão em isolamento domiciliar e 331 internados, sendo 68 em leitos de UTI e 263 em leitos de enfermaria. Ainda há as pessoas que permanecem nas unidades dedicadas à covid-19 por estarem com sintomas graves sugestivos da infecção e estão na mesma conta de ocupação de leitos.

“Estamos testemunhando o que é provavelmente o maior evento de saúde pública da história do Recife, e a prefeitura enfrenta tudo isso com um esforço na mesma proporção, realizando mobilização com foco em salvar vidas”, destacou o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. Só a capital pernambucana reúne 857 (58%) das 1.484 confirmações de covid-19 do Estado.

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