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Coronavírus: Pernambuco não sabe dizer quantos pacientes estão à espera de UTI

Secretário Estadual de Saúde reconhece que há dificuldades nas vagas de terapia intensiva, mas informou que cenário é dinâmico e, por isso, é difícil dizer quantas pessoas com suspeita ou confirmação de covid-19 aguardam, em enfermaria ou outro tipo de acomodação, um leito de UTI

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 28/04/2020 às 2:12
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ALUÍSIO MOREIRA/SEI
Pela gestão estadual, foram colocados em funcionamento 348 leitos de UTI para covid-19. Quase todos já estão ocupados - FOTO: ALUÍSIO MOREIRA/SEI
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Das 20 unidades de saúde que reúnem atualmente as 348 vagas de unidades de terapia intensiva (UTI) para covid-19 da rede estadual em Pernambuco, apenas quatro tinham pouquíssimos leitos disponíveis na segunda-feira (27), quando o Estado e o Recife anunciaram que superaram juntos a marca dos mil leitos em funcionamento para atender pacientes com suspeita e confirmação da infecção pelo novo coronavírus. Com taxa de ocupação de 96% de UTI, Pernambuco só estava com leitos nos Hospitais Alfa, em Boa Viagem, no Agamenon Magalhães, em Casa Amarela, e no São Marcos, na Boa Vista (localizados na Zonas Sul, Norte e Centro do Recife, respectivamente). Além deles, havia leitos no Neurocárdio, em Petrolina, Sertão do Estado. Na ponta do lápis, chegamos ao número de 14 vagas de UTI distribuídas entre essas quatro unidades de saúde.

“As taxas são dinâmicas e mudam a cada hora no sistema. Mas estamos falando, diga-se de passagem, de poucas vagas de UTI nessas quatro unidades. Existe um número de pessoas que está sim (à espera), mas isso não é por causa de covid-19; é da dinâmica do sistema de saúde. Há dificuldades, sim, nas vagas de terapia intensiva”, disse na segunda-feira (27), em coletiva de imprensa online, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, ao ser questionado sobre o número de pacientes com suspeita ou confirmação de de covid-19 atualmente, em leitos de enfermaria ou outro tipo de acomodação, que aguarda uma vaga em UTI.

O secretário explica que há mudanças contínuas na condição de saúde dos pacientes que estão em unidades de pronto atendimento (UPA) ou numa sala vermelha de hospital. "Mas é preciso dizer que eles recebem assistência nessas salas de estabilização. Nelas há, inclusive, respiradores para garantir a vida. Não é necessariamente um ambiente de UTI, mas é um ambiente de tratamento intensivo, com aporte de profissionais, equipamentos, monitor, respirador e exames para garantir assistência enquanto se mobiliza para garantir a vaga de UTI", explicou. 

Sabemos que não vamos conseguir salvar todos. A própria letalidade da doença explica a situação, e isso não acontece só em Pernambuco nem apenas no Brasil
André Longo, secretário de Saúde de Pernambuco

No Recife, que também vem anunciando abertura de leitos, a taxa de ocupação das UTIs chegou a 72,5% na segunda-feira (27), quando a prefeitura entregou mais 21 vagas. O município tem 91 leitos de terapia intensiva e 66 permanecem ocupados. Eles estão nos Hospitais Provisórios 1 e 2 (Aurora e Coelhos, respectivamente), como também no Hospital da Mulher do Recife (bairro do Curado, Zona Oeste da cidade), que estava com quatro vagas de UTI disponíveis, entre as 30 disponíveis na unidade.

Depois da capital pernambucana, que acumula 1.935 casos graves de covid-19, os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista, todos no Grande Recife, são os que, nesta ordem, mais reúnem pacientes com diagnóstico severo da doença. Com 355 confirmações de infecções que evoluíram para a forma grave, Jaboatão dos Guararapes informou, através da assessoria de comunicação, que os 131 leitos do Centro de Triagem e Tratamento para o Coronavírus (CTTC) só estarão em funcionamento em maio. A unidade, segundo a prefeitura, terá respiradores nem concentradores de oxigênio, mas não será um espaço para operar com leitos de UTI. “Se houver necessidade de transferência do paciente para uma UTI, será feito encaminhamento aos hospitais conveniados ao município”, diz.

Está prevista para o dia 5 de maio a abertura de 60 leitos de enfermaria no Clube Municipal do Nobre, em Paulista, no Grande Recife, sem previsão de inauguração de vagas de UTI. A cidade tem 233 casos graves do novo coronavírus. Já o trabalho de implantação de leitos de Olinda, que conta com 320 pacientes com diagnóstico grave de covid-19, foi feita através de uma parceria entre a prefeitura e o governo do Estado, com a reestruturação da maternidade Brites de Albuquerque. A unidade conta com 20 leitos de UTI e outros 20 de enfermaria.

Já em Caruaru, no Agreste, há leitos de UTI apenas da rede estadual e estão no Hospital Mestre Vitalino, onde há dez pacientes assistidos em terapia intensiva. Eles são das cidades de João Alfredo, Bonito, Chã de Alegria, Vitória de Santo Antão, Recife, Vicência, Lagoa do Carro, Flores e São Caetano (79 anos). A prefeitura anunciou a ampliação do Hospital Municipal Manoel Afonso, no bairro Maria Auxiliadora, como a unidade de retaguarda para os pacientes suspeitos e com diagnóstico de covid-19. Nele, são disponibilizados apenas leitos de enfermaria (73 ao todo), além de vagas em sala vermelha para estabilização.

Balanço 

O Estado de Pernambuco chegou, na segunda-feira (27), a 5.358 casos confirmados do novo coronavírus, sendo 3.688 pacientes diagnosticados em situação de agravamento da doença e outros 1.670 casos leves. Dos casos graves, 1.684 estão em isolamento domiciliar e 850 internados, sendo 190 em UTI e 660 em leitos de enfermaria, tanto na rede pública quanto privada. Além disso, o boletim apontou 704 pacientes já recuperados da doença. Até agora, os casos graves confirmados da doença estão distribuídos por 110 municípios pernambucanos, além do Arquipélago de Fernando de Noronha.

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Sabemos que não vamos conseguir salvar todos. A própria letalidade da doença explica a situação, e isso não acontece só em Pernambuco nem apenas no Brasil

André Longo, secretário de Saúde de Pernambuco

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