Covid-19

Casos de coronavírus disparam, e Pernambuco registra 811 novos infectados em 24 horas

O Estado totaliza 8.145 diagnósticos da doença

Larissa Lira Marília Banholzer
Larissa Lira
Marília Banholzer
Publicado em 02/05/2020 às 16:33
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JOEL SAGET / AFP
Dos casos graves, 1.894 evoluíram bem, receberam alta hospitalar e estão em isolamento domiciliar. - FOTO: JOEL SAGET / AFP
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Pernambuco registrou neste sábado (2) mais um recorde diário de novos casos de coronavírus. Foram 811 novos infectados em apenas 24 horas, segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). O número é quase o dobro do registrado no boletim da sexta-feira (1º/4), que apresentava 458 novos casos. O último recorde em um dia havia sido computado na última quinta-feira (30): 682 novos infectados. Com a disparada, o Estado totaliza 8.145 diagnósticos da doença.

Ainda de acordo com o boletim deste sábado, foram contabilizados mais 25 mortes em decorrência da covid-19. As vítima foram 11 mulheres e 14 homens, residentes nos municípios de Recife (10), Olinda (2), São Lourenço (2), Água Preta (1), Cabo de Santo Agostinho (1), Camaragibe (1), Caruaru(1), Escada (1), Ibimirim (1), Jaboatão dos Guararapes (1), Paulista (1), Ribeirão (1), Timbaúba (1), Xexéu (1). Com isso, 628 pessoal morreram, em Pernambuco, vítimas desta doença que foi registrada pela primeira vez no Estado no dia 12 de março deste ano.

A disparada dos números registrados pode ter duas explicações principais. A primeira é de que está se testando mais para covid-19, seja através dos esforços nos hospitais públicos e privados, mas nos laboratórios de análises clínicas que passaram a oferecer o serviço. A segunda é a redução do isolamento social que hoje está em 48%, mas já esteve em 65% na segunda quinzena de março. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ideal seria 70% de isolamento social.

Para o infectologista Demetrius Montengro, chefe do Departamento de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), uma das referências de Pernambuco no enfrentamento à Covid-19, um maior número de registros pode ter um lado positivo. Segundo ele, com a facilitação de acesso aos testes através dos laboratórios, muitas pessoas, mesmo sem sintomas, buscam saber se estão infectadas.

O médico pontua que quando esses resultados são positivos e o paciente ainda está assintomático, ou apresentado apenas uma versão leve da doença, o índice de mortalidade cai. "Antes a testagem era voltada, principalmente, para os casos mais graves, o que dificulta os esforços pela recuperação. Mas se você tem um paciente ainda no início as chances são bem maiores. Temos notado que esse vírus é quase como uma loteria. Ele se apresenta de diversas formas, então quanto mais dados a gente tiver, melhor", analisou Demetrius Montenegro.

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Ainda segundo o boletim da SES, dos casos graves, 1.894 evoluíram bem, receberam alta hospitalar e estão em isolamento domiciliar. Outros 1.332 estão internados, sendo 216 em UTI e 1.116 em leitos de enfermaria, tanto na rede pública quanto privada. Além disso, há 1.193 pacientes recuperados da doença, 98 a mais que o boletim anterior. Os pacientes que morrem por covid-19 tinham idades entre 46 e 86 anos e faleceram entre os dias 15 de abril e 1º de maio. Dos novos 25 pacientes que vieram a óbito, 17 apresentavam comorbidades.

Com relação à testagem dos profissionais de saúde com sintomas semelhantes aos do novo coronavírus, até agora, 2.097 casos foram confirmados e 1.337 foram descartados. As testagens abrangem os profissionais de todas as unidades de saúde, sejam da rede pública (estadual e municipal) ou privada.

Temendo uma disparada ainda maior dos casos de coronavírus, Demetrius Montenegro volta a reforçar a necessidade das pessoas permanecerem em casa, mas admite que tem notado uma desmobilização preocupante. "As pessoas já estão estressadas, saturadas, mas é importante seguir essa recomendação. Eu sei que por questões sociais para algumas pessoas ficar em casa não é a melhor opção. Para alguns, estar na rua chega a ser mais confortável, mas é preciso evitar a contaminação a todo custo", diz ele.

A principal preocupação das autoridades sanitárias é para a falta de leitos. Atualmente, segundo o boletim, dos 423 leitos de UTI disponíveis no Estado, 91% deles estão ocupados. Os leitos são ocupados por pacientes com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), incluindo suspeitos e confirmados da covid-19. Já nos leitos das enfermarias, a taxa de ocupação é de 84%. "Por causa disso, para tentar evitar que pessoas não sejam assistidas, pedimos pelo isolamento social. Quanto mais parecer desnecessário, mais eficaz está sendo", comenta Montenegro. 

Perfil dos infectados

Em Pernambuco o coronavírus tem afetado, prioritariamente, pessoas com idades entre 30 e 59 anos. No entanto, as mortes têm se concentrado na população com idades entre 60 e mais de 80 anos. As mulheres têm se infectado mais, correspondendo a 55,3% dos casos registrados, mas os homens falecem mais pela covid-19, representando 53,8% dos óbitos.

Até agora, os casos graves confirmados da doença estão distribuídos por 125 municípios pernambucanos, além do Arquipélago de Fernando de Noronha que conta com 28 pessoas infectadas. Na Região Metropolita do Recife, a capital pernambucana é a cidade com a maior quantidade de casos, com 2.634 diagnósticos. Em seguida estão Jaboatão dos Guararapes (477) e Olinda (443).

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

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