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Pernambuco é o Estado que menos testa para covid-19, aponta IBGE

Do início da pandemia até agosto, 5,8% da população pernambucana já fizeram algum teste para detectar a doença

Danielle Santana
Danielle Santana
Publicado em 23/09/2020 às 17:18
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VINICIUS MAGALHAES
Os casos foram notificados no boletim Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) desta terça-feira (9) - FOTO: VINICIUS MAGALHAES
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Pelo segundo mês seguido, Pernambuco foi o Estado do Brasil que menos realizou testes para detectar a covid-19. O cálculo, feito de maneira proporcional, leva em conta o tamanho da população e o número de testes realizados. O dado foi revelado pela PNAD Covid, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que divulga mensalmente os índices dos Estados. A pesquisa apontou que, do início da pandemia até o mês de agosto, 5,8% da população pernambucana já realizaram algum tipo de teste para detectar a doença, o que equivale a 558 mil pessoas.

Apesar de continuar no topo da lista, Pernambuco aumentou em 164 mil o número de pessoas testadas em comparação a julho, quando o percentual foi de 4,1%. A alta é refletida na proporção de resultados positivos. A pesquisa indicou que cerca de 1,3% da população do Estado afirmou ter testado positivo para o novo coronavírus em agosto, contra 1% em julho.

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta terça-feira (23), o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, destacou que o Estado continua "estudando estratégias para ampliar a testagem da covid-19, facilitando o acesso da população". O secretário afirmou que "Pernambuco é o quarto Estado que mais testa RT-PCR no Brasil, tem apostado e ampliado fortemente a testagem por RT-PCR, que é o padrão-ouro para a detecção da atividade viral". 

O investimento na ampliação da capacidade de testagem do Estado foi ressaltada. O secretário estimulou que as pessoas sintomáticas e contatos de pessoas que testaram positivo procurem os postos de saúde do município onde residem ou realizem o agendamento da testagem através do atende em casa.

A existência dos centros de testagem que atendem demanda espontânea da população, sem necessidade de agendamento, também foi destacada pelo secretário. Atualmente, o Estado possui dois centros desse tipo, um no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa) e outro no Centro de Convenções. "A segurança da testagem para garantir o nosso plano de convivência é fundamental", afirmou André Longo.   


TIPOS DE TESTE

Das 558 mil pessoas testadas, a maior parte realizou o teste rápido com coleta de sangue através do furo do dedo. Das 234 mil que fizeram esse teste, 25 mil, o correspondente a 18,8%, testaram positivo. Outras 203 mil realizaram o RT-PCR, que faz uso do swab. Dessas, 57 mil, o equivalente a 28,1%, obtiveram resultado positivo. As 188 mil restantes fizeram o teste de sangue por meio de veia no braço, 50 mil, ou 26,6%, tiveram o diagnóstico confirmado. A pesquisa ressalta que a mesma pessoa pode ter realizado mais de um tipo de teste.

INDICADORES SOCIAIS

A maior parte das pessoas testadas para covid-19 no Estado (32,6%) tem renda salarial de menos de um salário mínimo. Em seguida, estão as pessoas com rendimento entre um e dois salários mínimos (29,1%), menos de meio salário mínimo (16,6%), dois a quatro salários mínimos (13%) e mais de quatro salários mínimos (8,7%).

As mulheres continuam sendo as mais testadas no Estado. Cerca de 286 mil mulheres realizaram o exame em agosto, contra 272 mil homens. O percentual de pessoas infectadas continuou equilibrado, 50% para cada sexo.

Dos testados, 60% se identificam como pretos ou pardos. O grupo representa 58,2% dos infectados enquanto os brancos realizaram 218 mil testes, sendo 49 mil deles positivos para covid.

Os adultos com idade entre 30 e 59 anos representaram a faixa etária da maioria dos pernambucanos testados, seguidos pelos jovens entre 20 a 29 anos.

SINTOMAS APRESENTADOS

Em agosto, o Estado obteve uma queda de 28% no número de pessoas que tiveram sintomas conjugados de Covid-19, em comparação a julho. O IBGE considera como sintomas conjugados a perda de cheiro ou sabor; febre, tosse e dificuldade de respirar; febre, tosse e dor no peito.

Dos que se enquadraram no critério, 33,7% buscaram atendimento médico em agosto, maior percentual registrado desde o início da pesquisa. No mesmo mês, 443 mil pessoas (4,6% da população) apresentaram algum sintoma relacionado a síndrome gripal em Pernambuco. O número representa uma queda de 8,1% em comparação ao mês de julho e de 65,34% em comparação aos resultados de maio, os primeiros divulgados pela pesquisa.

300 MIL ABANDONARAM O ISOLAMENTO RÍGIDO

A pesquisa apontou ainda uma queda no isolamento da população pernambucana. O número de pessoas que estavam em casa e só saíam para necessidades básicas saiu de 4,3 milhões (45,8% da população) para 3,9 milhões (41%). A queda também foi notada entre os que adotavam o isolamento rigoroso, o número caiu de 2,4 milhões (26%) em julho para 2,1 milhões (22,9%) em agosto.

Outros 174 mil pernambucanos (1,8%) não adotaram qualquer medida de restrição em agosto. Também foi possível notar um aumento no número de pessoas que reduziram o contato, mas continuaram saindo de casa: de 2,4 milhões (25,5%) para 3,1 milhões (33,2%).

As crianças são as que mais respeitam as medidas de distanciamento social, 57% das pessoas entre 0 a 13 anos ficaram rigorosamente isoladas, seguidas por aqueles com 60 anos ou mais, que registraram uma taxa de isolamento de 32%. Na faixa etária de 30 a 49 anos, somente 6% adotou isolamento rigoroso. Os idosos formaram maioria entre os que ficaram em casa e só saíram em caso de necessidade básica em Pernambuco, o que ocorreu com 50,6% deles.

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