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Mais da metade dos idosos com quadro grave de covid-19 morreram em Pernambuco

No acúmulo de casos graves causados pelo novo coronavírus, 45,1% (11.908) são de pessoas a partir dos 60 anos. E entre elas, 52,98% (6.310) morreram

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 07/10/2020 às 20:31
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Em todo o mundo, as taxas de letalidade por covid-19 são maiores em idades mais elevadas - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Mais da metade dos idosos a partir dos 60 anos que têm um quadro de síndrome respiratória aguda grave (srag) causado por covid-19 foram a óbito, nestes quase sete meses de pandemia, em Pernambuco. A análise é feita com base no boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que registrou, na terça-feira (6), a marca de 150.217 casos confirmados do novo coronavírus. Desse total, 26.406 são de quadros de srag e 123.811 de pessoas que tiveram sintomas leves. No acúmulo de casos graves, 45,1% (11.908) são de pessoas a partir dos 60 anos. E entre elas, 52,98% (6.310) morreram.

Por outro lado, elas representam uma fatia menor (12,4%) entre os casos leves. Esse retrato da pandemia no momento em que o Estado ultrapassa a marca de 150 mil infecções reafirma a influência do envelhecimento no perfil clínico da covid-19. Em todo o mundo, as taxas de letalidade são maiores em idades mais elevadas. Mas o perfil etário não deve ser analisado isoladamente, e sim associado a diversidades sociais, econômicas e epidemiológicas de cada localidade.

Outro detalhe é que o fato de ser idoso não deve considerado uma sentença para o agravamento da doença. Muitos têm se recuperado, inclusive os de idade mais avançada, a partir dos 80 anos, quando a fragilidade do organismo é mais acentuada e favorece a piora do quadro. Além disso, não é por estar fora da faixa etária mais longeva que adultos jovens devem descuidar. Eles também adoecem e estão sujeitos a ter complicações pelo novo coronavírus, assim como os idosos. Entre os mais de 150 mil casos de covid-19, 111.736 foram em pessoas entre 20 e 59 anos. Deles, 12,2% (13.633) evoluíram para um quadro grave da infecção. E desse grupo que teve manifestações mais severas, 14,4% (1.975) não resistiram e foram a óbito.

Para a médica epidemiologista Ana Brito, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, os dados acumulados ao longo da pandemia, não apenas em Pernambuco, mas em todo o Brasil, não representam a exata magnitude da epidemia, no entanto, permitem ver a tendência da covid-19 em relação a casos e mortes. "Os números não simbolizam a realidade, e sim a forma como cada região enfrenta a pandemia. Há muita heterogeneidade entre diferentes locais e países", diz. Ela destaca que atualmente, embora o Estado tenha apresentado um esforço para ampliar o diagnóstico, é preciso melhorar o acesso à testagem. Há muitas barreiras ainda para a realização do teste", acrescenta Ana Brito, referindo-se à oferta de agendamento restrita (por meio de aplicativo, ao qual à população mais vulnerável não tem acesso) e ao esquema de drive-thru, que exige horas dentro do carro, na fila.

A epidemiologista ressalta que, apesar de Pernambuco ter declínio de casos e óbitos, ainda mantém um platô com altos índices. Na terça-feira (6), por exemplo, houve confirmação de 763 novos casos da covid-19, sendo 4% quadros de srag e 96% ocorrências leves. "Isso mostra que ainda existe transmissão ativa do vírus. Algumas hipóteses explicam por que a maioria dos casos tem sido leve. Primeiramente, há mais testes, o que alcança mais pessoas. Outro ponto é que, quando o vírus passa por vários grupos de pessoas, há uma tendência de que ele se torne menos selvagem. Ou seja, ele pode ir perdendo o poder de virulência, que é o de fazer formas graves", explica Ana Brito.

A médica acrescenta que a população tem buscando mais os serviços de saúde, em comparação com o momento inicial da pandemia, quando muitas pessoas ainda permaneciam em casa e perdiam a chance de diagnóstico e assistência precoces, o que é essencial para evitar complicações.

Confira os casos da covid-19 em Pernambuco por município:

 

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