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Em meio à covid-19, Pernambuco tem desafio de vacinar mais de meio milhão de crianças contra poliomielite

Para quem tem entre 1 e 4 anos (público de mais de 549 mil em Pernambuco), a indicação é fazer uma dose de pólio indiscriminadamente, se o esquema básico contra a doença estiver completo

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 04/10/2020 às 14:59
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ERASMO SALOMÃO/MS
Campanha Nacional de Multivacinação tem foco na atualização das cadernetas infantis, especialmente para a prevenção da poliomielite e do sarampo - FOTO: ERASMO SALOMÃO/MS
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Com o objetivo de imunizar e conscientizar a população sobre a importância da vacina para a proteção contra diversas doenças, a Campanha Nacional de Multivacinação começa, em todo o Brasil, nesta segunda-feira (5). Em meio à pandemia de covid-19, que fez cair as coberturas vacinais, a mobilização vai até 30 de outubro e é voltada a meninos, meninas e adolescentes abaixo dos 15 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias). A indicação é que todos sejam levados a uma sala de vacina para que o cartão seja avaliado por um profissional e, se necessário, sejam aplicadas as doses que estão em falta. Em paralelo, também ocorre a Campanha de Vacinação contra a Poliomielite, que chama a atenção para as três doses básicas dos menores de 1 ano. Para quem tem entre 1 e 4 anos (público de mais de 549 mil em Pernambuco,), a indicação é fazer uma dose indiscriminadamente, se o esquema básico da pólio estiver completo.

No Recife, a meta é imunizar pelo menos 95% das mais de 80 mil crianças de 1 a 4 anos na capital. E para atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias), a Secretaria Municipal de Saúde também se mobiliza para a campanha de multivacinação para atualização da caderneta. Durante o período da campanha, serão oferecidas 17 vacinas do calendário.

As doses serão disponibilizadas em mais de 140 unidades de saúde do Recife, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A orientação é que os pais ou responsáveis levem o cartão de vacina à unidade de saúde para que o profissional possa avaliar se há alguma vacina que ainda não foi administrada ou se há doses que necessitam ser aplicadas para completar o esquema vacinal.

“Estamos vivenciando, ano a ano, queda nas coberturas vacinais, mesmo tendo o maior programa público de imunização do mundo. Sabemos que a vacinação é uma grande aliada da saúde, protegendo contra diversas doenças que hoje são pouco lembradas. Deixar de vacinar é quebrar um pacto social de proteção e permitir que doenças, como a poliomielite, há três décadas sem circulação no nosso País, possam voltar a acometer nossas crianças, já que ela ainda ocorre em países como Paquistão e Afeganistão", afirma o secretário Estadual de Saúde, André Longo.

Ele faz um chamado para que pais e responsáveis levem todas as crianças e jovens menores de 15 anos para atualização das suas cadernetas de vacinação. "Lembramos que as doses são gratuitas, seguras e fundamentais para evitar, inclusive, epidemias destas doenças que podem ser evitadas pela imunização. Precisamos do apoio e engajamento de toda a sociedade e dos profissionais da área para garantir saúde para os nossos pequenos e jovens pernambucanos", acrescenta. 

Até 6 anos

Para as crianças abaixo de 7 anos, são disponibilizados os seguintes imunizantes: BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócica 10, meningocócica C, febre amarela, tríplice viral, varicela, hepatite A e DTP.

Dos 7 aos 14 anos 

A partir dos 7 anos, até os menores de 15, podem ser feitas as doses da hepatite B, febre amarela, meningocócica ACWY, HPV e varicela. É importante lembrar que a aplicação da vacina vai depender da idade e da necessidade de cada um – exceto a da poliomielite, que será feita indiscriminadamente em todos os meninos e meninas entre 1 e menores de 5 anos (público de mais de 549 mil), caso estejam com o esquema básico da pólio completo.

Pandemia 

A queda nas coberturas vacinais, nos últimos anos, pode ser agravada ainda mais por causa da pandemia do novo coronavírus, apesar de as salas de vacinas terem permanecido em funcionamento, mesmo nos meses mais críticos da doença. "A população precisa saber que todos os serviços receberam as orientações de segurança e higiene para o momento, garantindo a saúde da população e de todos os profissionais envolvidos. Durante esta campanha, estamos reforçando essas recomendações para que tenhamos sucesso na ação”, frisa a superintendente de Imunizações da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Ana Catarina de Melo.

Entre as recomendações repassadas aos municípios e salas de vacina para garantir a segurança do ato, estão a utilização de espaços abertos ou ventilados, o distanciamento entre as pessoas, a desinfecção frequente dos ambientes, a garantia de local adequado para higienização das mãos e triagem de pessoas com sintomas respiratórios antes de entrar na sala de vacina, a fim de evitar a propagação da covid-19.

"Em caso de febre, a orientação é que seja adiada a vacinação para quando o quadro de saúde da criança ou do adolescente estiver reestabelecido, como o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença. Isso também é uma forma de evitar o contato com outras pessoas, já que quadros febris podem estar relacionados ao novo coronavírus", reforça Ana Catarina.

Em casos sugestivos ou confirmados da covid-19, orienta-se manter o isolamento por pelo menos até três dias depois do desaparecimento dos sintomas, com tempo mínimo de isolamento de 14 dias do início das manifestações. Só após isso, é indicado procurar o posto de saúde para a imunização. Para os contatos, mesmo assintomáticos, também orienta-se aguardar os 14 dias.

Baixas coberturas

Em 2019, o Brasil não atingiu meta em nenhuma das 12 vacinas indicadas para as crianças menores de 1 ano e disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse é um fato inédito nos últimos 20 anos. Em Pernambuco, apenas as doses da BCG (91,34%), contra formas graves da tuberculose, e a primeira da tríplice viral (98,92%), contra o sarampo, rubéola e caxumba, chegaram ao índice mínimo preconizado pelo Ministério da Saúde (MS), de 90% e 95%, respectivamente. Neste ano, até o momento, a melhor cobertura no Estado é também da primeira dose da tríplice, mas em apenas 65%. Com isso, a proteção contra diversas doenças que podem deixar sequelas, como a poliomielite, e levar ao óbito, como o sarampo, está seriamente comprometida.

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