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Com aumento nos casos graves e leves de covid-19, Recife admite flutuação em números da pandemia

A capital pernambucana teve incremento de 46% nas confirmações de casos graves de covid-19 na semana epidemiológica 43, de 18 a 24 de outubro, em comparação com a anterior

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 26/10/2020 às 23:16 | Atualizado em 26/10/2020 às 23:40
ANDRÉA RÊGO BARROS/PCR
No Recife, o único hospital de campanha municipal que permanece funcionando completamente é o Hospital Provisório Recife 1, localizado na Rua da Aurora, em Santo Amaro - FOTO: ANDRÉA RÊGO BARROS/PCR
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Em meio a relatos de médicos preocupados com aumento nos atendimentos a pessoas com sintomas sugestivos do novo coronavírus, especialmente em serviços privados de saúde, o Recife teve um aumento de 46% nas confirmações de casos graves de covid-19 na semana epidemiológica 43 (18 a 24 de outubro), que totalizou 41 pessoas com síndrome respiratória aguda grave (srag) decorrente da doença, em comparação com a semana anterior, que somou 28 pacientes diagnosticados com a mesma condição. Paralelamente ao universo de srag por covid-19, cresceu também o total geral de casos, que reúne os leves e os graves. Foram 356 confirmações na semana 42 e, na seguinte, o número subiu para 443, o que representa um incremento de 24,4%. São índices que servem como alerta, mas que não confirmam ocorrência de uma segunda onda da pandemia, como ocorre em países da Europa.

O secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, considera que a cidade vive um momento de flutuação dos registros da infecção. "Temos que ter muita serenidade. Não devemos nos precipitar em avaliar variações e flutuações pequenas, sem que seja detectada minimamente uma tendência. Esse é o grande recado", explica.

Para ele, no Recife, existe atualmente uma tendência de estabilidade na baixa da pandemia de covid-19. "A gente vê caindo, caindo, caindo; todos os indicadores mostram isso. Quando chega num determinado ponto, há uma pequena flutuação. Às vezes, para cima; às vezes, para baixo. Mas permanecemos com uma média muito inferior à de meses anteriores. Mesmo que sejam comparadas médias de períodos mais longos, como meses fechados, vemos que outubro tem menos casos do que setembro, que tem menos casos do que agosto e, assim, sucessivamente", destaca Jailson. O secretário continua o raciocínio ao ressaltar que, quando se chega a um ponto da curva de covid-19, em que ainda há a transmissão comunitária, são esperadas algumas flutuações. "Portanto, eu diria que é uma instabilidade na frequência baixa de casos graves e de óbitos."

A taxa de ocupação de leitos, especialmente os de unidade de terapia intensiva (UTIs), também é considerada um termômetro da pandemia. Por um convênio estabelecido entre a Prefeitura do Recife e o governo do Estado, desde março, os leitos de ambas as gestões são regulados pela Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES). Pelos números absolutos das vagas ocupadas no Hospital Provisório Recife 1 (o único de campanha a funcionar), em Santo Amaro, área central da cidade, havia 66 pacientes em leitos de UTI. É o maior quantitativo deste mês, que chegou a ter 39 pessoas em terapia intensiva, na mesma unidade, no último dia 15. Vale frisar que o Recife, pela regulação estadual, recebe também pacientes de outros municípios.

"A gente não pode olhar só a realidade de um único hospital. Precisamos ver a rede, pois basta uma mudança no comportamento da regulação, encaminhando a nós (Recife) mais pacientes, que se muda o status de número de internados. Será que toda a rede aumentou a taxa de ocupação?", questiona Jailson Correia. Atualmente, considerando as vagas de UTI voltadas para casos suspeitos e confirmados da covid-19, abertas pelo Estado e somadas com as da capital, 72% (de um total de 790) estão ocupadas por pessoas que apresentam quadros graves de covid-19. Esse percentual inclui o universo somente da rede pública. Há pouco mais de um mês, essa taxa chegou a 62%, quando o Estado totalizava 903 leitos de UTI. Ou seja, em ambas as situações (atual e anterior), o número de pacientes em assistência intensiva, no Sistema Único de Saúde, com suspeita ou confirmação de covid-19, continua praticamente o mesmo: acima de 550.

Segundo a SES, o Hospital Getúlio Vargas, no Cordeiro (Zona Oeste do Recife), está com 60% dos leitos de UTI ocupados; o Hospital de Referência Unidade Boa Viagem Covid-19 (Zona Sul), com 74%. Já o Hospital Dom Helder Camara, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana, tem ocupação de 75% das vagas de terapia intensiva. "Continuamos monitorando diariamente os indicadores da covid-19 e vamos permanecer com o máximo de transparência para levar a informação real e verdadeira para a população. Precisamos reforçar que os próximos passos dependem da atitude de cada um de nós, porque o vírus continua circulando", informa o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo.

Confira os casos da covid-19 em Pernambuco por município:

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