SAÚDE

Caso Liliane Amorim: cirurgião plástico explica riscos da lipoaspiração; veja perguntas e respostas

O JC conversou com o cirurgião plástico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Pedro Pita, para tirar dúvidas sobre a realização da cirurgia

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 25/01/2021 às 12:21
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Influenciadora digital Liliane Amorim, de 26 anos, reunia quase 100 mil seguidores nas redes sociais - FOTO: REPRODUÇÃO
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A internet se emocionou, nesse domingo (24), após a morte da influenciadora digital Liliane Amorim, de 26 anos, vítima de complicações após a realização de uma lipoaspiração. A fatalidade trouxe à tona discussões sobre como os padrões de beleza levam o Brasil a ser o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, segundo pesquisa divulgada em dezembro de 2019 pela ISAPS – Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética: uma posição conquistada, principalmente, pelas mulheres - que representam 87,4% do total de pacientes.

No Brasil, o procedimento mais buscado é a implantação de próteses de silicone – que consiste em implantar próteses para aumentar mamas pequenas, flácidas ou com alguma deformação. Em seguida, vem a lipoaspiração - procedimento feito por Liliane - usada para a retirada de gordura localizada em várias partes do corpo, incluindo coxas, braços, pescoço, cintura, costas, parte medial do joelho, peito, bochechas, queixo, pernas e tornozelos.

Para responder sobre perigos e cuidados necessários para a realização da lipoaspiração, o JC conversou com o cirurgião plástico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Pedro Pita. Confira:

A cirurgia de lipoaspiração é arriscada?

Pedro Pita: A lipoaspiração é uma cirurgia simples do ponto de vista de risco cirúrgico, porque você não abre cavidades, e não tem acesso a grandes vasos; mas tem que ter habilidade e experiência para fazer. É preciso que o profissional seja hábil. A maioria das que dão errado é pela imperícia do médico que vai fazer. Os riscos são o médico inadvertidamente usar a cânula, perfurar paredes e órgãos fechados como baço, fígado e pulmão.

Quando há indicação para a cirurgia?

Pedro Pita: A lipoaspiração sempre é feita por estética; salvo quando é para retirar lipomas grandes, que é uma cirurgia reparadora. Ela é indicada em todos os casos de gordura localizada, desde que a paciente não tenha flacidez, mas tem que avaliar caso a caso. Ela faz uma escultura na paciente, mas não é para emagrecimento.

Candidatos à lipoaspiração

  • Adultos, com 30% do seu peso ideal, que têm a pele firme e com bom tônus muscular;

  • Indivíduos saudáveis que não tenham doença com risco de morte ou condições médicas que possam prejudicar a cicatrização;

  • Não fumantes;

  • Indivíduos com atitude positiva e expectativa realista do resultado cirúrgico;

  • Indivíduos determinados a seguir as recomendações do cirurgião plástico.

Quero realizar o procedimento. Qual o primeiro passo?

Pedro Pita: Primeiro, tem que procurar um cirurgião plástico especialista ou titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o que não quer dizer que ele seja um bom cirurgião, mas que seguiu todos os trâmites e está apto a fazer as cirurgias. A garantia de um bom resultado é outra coisa, é questão de experiência, indicação e da conduta pessoal de cada cirurgião.

O médico conta que, para ser cirurgião plástico, o profissional passa por seis anos de faculdade medicina, dois anos estudando cirurgia e três, cirurgia plástica. Não se pode confiar a cirurgia em dermatologistas, clínicos gerais ou ginecologistas.

Como consultar se o profissional está apto para fazer o procedimento?

Segundo Pita, com o nome e o número do profissional no Conselho Regional de Medicina (CRM), basta entrar na aba 'Cirurgião de Confiança' do site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pesquisá-lo. Lá, constará se ele está registrado na organização e quais são as especialidades do médico.

O que será conversado nas consultas pré-operatórias?

  • A razão pela qual quer fazer a cirurgia, suas expectativas e o resultado desejado;
  • Condições médicas, alergia medicamentosa e tratamentos médicos;
  • Uso atual de medicamentos, vitaminas, medicamentos naturais, fumo, álcool e drogas;
  • Cirurgias prévias

O cirurgião poderá:

  • Avaliar o seu estado geral de saúde e todas as condições pré-existentes de saúde ou fatores de risco;
  • Tirar fotos para prontuário médico;
  • Discutir as suas opções e recomendar um tratamento;
  • Discutir prováveis resultados da cirurgia e quaisquer riscos ou complicações potenciais.

Quais são os cuidados pré-operatórios?

  • Realização de exames de laboratório ou avaliação médica;
  • Uso de certos medicamentos ou ajustar seus medicamentos atuais;
  • Parar de fumar bem antes da cirurgia;
  • Evitar tomar aspirina e alguns anti-inflamatórios e medicamentos naturais, pois podem aumentar o sangramento.

Como é feita a cirurgia?

Pedro Pita: Pode ser feita com seringa, ultrassom, lipoaspirador ou com vibrolipoaspiração. A cirurgia precisa ser realizada em um bloco cirúrgico, as clínicas não têm condição de fazê-la. Se tiver uma complicação e não tiver UTI, é um caso gravíssimo, não se pode esperar a ambulância para transferir.

Etapa 1 – Anestesia

Medicamentos são administrados para o seu conforto durante o procedimento cirúrgico. As opções incluem sedação intravenosa ou anestesia geral. Seu médico irá recomendar a melhor opção para você.

Etapa 2 – Incisão

A lipoaspiração é realizada através de pequenas incisões, imperceptíveis.
Primeiramente, solução líquida estéril é infundida para reduzir o sangramento e o trauma. Em seguida, um tubo oco fino (cânula) é inserido através destas incisões para soltar o excesso de gordura, utilizando um controlado movimento de vaivém.
A gordura deslocada é, então, aspirada para fora do corpo, utilizando um aspirador cirúrgico ou seringa ligada à cânula.

Etapa 3 – Resultados

A melhora do contorno corporal será aparente quando o inchaço e a retenção de líquido diminuírem. Com práticas contínuas de dieta saudável e de atividade física, a perda de tecido adiposo em excesso deve ser preservada. No entanto, ganho de peso substancial pode alterar o resultado obtido com a cirurgia.

Quais são os cuidados pós-operatórios?

Na recuperação, malha de compressão ou bandagens elásticas são colocadas nas áreas tratadas na finalização do procedimento, para ajudar a controlar o inchaço e a comprimir a pele. Ademais, um pequeno dreno pode ser colocado nas incisões existentes por debaixo da pele para remover qualquer excesso de sangue ou de fluido.

O que acontece com o profissional que faz uma cirurgia malsucedida?

No caso de Liliane, de acordo com o cirurgião, tudo será avaliado: a causa da morte, as condições da paciente, o procedimento realizado e a conduta médica. Caso seja observada alguma irregularidade, o profissional poderá responder pelo processo do exercício ilegal da especialidade e eventualmente ser condenado pela justiça.

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