ALERTA

Período de pico de doenças respiratórias na infância acende alerta para covid-19 e outros vírus em Pernambuco

Atualmente, as taxas de ocupação dos leitos de UTI e enfermaria pediátricos estão em aproximadamente 73% e 63%, respectivamente

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 19/02/2021 às 6:02
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RODOLFO LOEPERT/PCR
Atualmente Pernambuco totaliza, desde o início da pandemia, 24.426 casos de covid-19 na faixa etária pediátrica - FOTO: RODOLFO LOEPERT/PCR
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Chegou o período de maior incidência dos vírus respiratórios em crianças e, diferentemente de anos anteriores, agora a sazonalidade (período de aumento de casos de algumas doenças em determinadas épocas do ano) tem um fator a mais para deixar as autoridades e as famílias em alerta: a circulação do novo coronavírus, cujas variantes têm se disseminado pelo Brasil. Atualmente, em Pernambuco, as taxas de ocupação dos leitos de terapia intensiva (UTI) e enfermaria pediátricos repetem os índices de anos anteriores neste período: estão em aproximadamente 73% e 63%, respectivamente, segundo informou nesta quinta-feira (18) a Secretaria Estadual de Saúde (SES) à reportagem do JC.

Em coletiva de imprensa esta semana, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, ressaltou que, da mesma forma que se tem observado incremento, em outros Estados, na solicitação por vagas em hospitais para crianças, há maior ocupação desses leitos em Pernambuco. Mas nesta quinta-feira (18), em nota, a SES ratificou que esse aumento não é sustentado. "A taxa de ocupação apresenta grande variabilidade e está, nesta quinta-feira (ontem), com média de 62% (considerando o índice geral, que congrega UTI e enfermaria). É importante reafirmar que esses leitos são voltados para os mais diversos casos respiratórios, e não só covid-19."

A secretaria ainda acrescentou que "não há, até o momento, um maior avanço da doença no público pediátrico. Atualmente Pernambuco totaliza, desde o início da pandemia, 24.426 casos de covid-19 na faixa etária pediátrica: até os 19 anos. Desse total de confirmações, 23.487 foram casos leves e 939 graves. Além disso, 82 mortes decorrentes do novo coronavírus foram registradas neste grupo etário.

A SES salientou ainda que monitora permanentemente a evolução da doença e que o planejamento de abertura de novas vagas é sempre feito observando os indicadores e dados epidemiológicos. Ao todo, o Estado tem 121 leitos para crianças e adolescentes, considerando vagas em emergência, UTI e enfermaria, que podem atender pacientes que apresentam quadro grave de doença respiratória, caracterizado principalmente por febre, tosse e desconforto respiratório. "Tínhamos taxa de ocupação (geral dos leitos) sempre inferior a 60%. Hoje (quarta-feira, dia 17) está na casa dos 75% dos 121 leitos pediátricos. E chegou a ser de 85% em alguns momentos", disse Longo. Ele acrescentou que os atuais índices de ocupação nos hospitais com vagas na pediatria não têm relação com retorno às escolas. "Estamos falando de leitos do Sistema Único de Saúde. Não tivemos o retorno das aulas pelos serviços municipais de educação, que congregam esse grupo da faixa pediátrica. É certo que essa taxa de positividade para covid-19, nesses leitos, não é alta."

O vice-presidente da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe), Eduardo Jorge da Fonseca Lima, explica que, entre fevereiro e abril, Pernambuco historicamente passa por uma sazonalidade dos vírus respiratórios, o que faz aumentar casos de doenças entre as crianças. "Temos circulação de influenza A e B, de rinovírus e de vírus sincicial respiratório (VSR). O diferencial deste ano é que, além de todos eles, temos também o novo coronavírus. Todos eles causam sintomas parecidos. Por isso, diante de quadros sugestivos, é fundamental descartar covid-19 e fazer identificação viral de outros vírus", diz o pediatra, que é a favor do retorno às escolas neste momento. "Outros países mantiveram as aulas presenciais mesmo na segunda onda da pandemia. Onde se seguiu protocolo sanitário, usou corretamente a máscara e respeitou o distanciamento social, não houve disseminação do novo coronavírus", acrescentou Eduardo Jorge.

 

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