SAÚDE

Campanha de vacinação contra a gripe começará pelas crianças em Pernambuco, diz André Longo

A escolha se deve à recomendação de autoridades sanitárias em espaçar em no mínimo duas semanas os imunizantes contra a covid-19 e contra a gripe

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 29/03/2021 às 10:25
JAILTON JR./JC IMAGEM
Crianças não estão inseridas nos grupos prioritários de proteção contra o coronavírus - FOTO: JAILTON JR./JC IMAGEM
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No próximo mês, o Brasil dá início à campanha nacional de vacinação deste ano contra a gripe, que acontece entre 12 de abril e 9 de julho. Pernambuco estima que imunizará 3.516.301 pessoas contra a doença no período. Em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o secretário de Saúde, André Longo, informou que as crianças serão as primeiras a serem vacinadas contra a influenza no Estado.

A escolha se deve à recomendação de autoridades sanitárias em espaçar em no mínimo duas semanas os imunizantes contra a covid-19 e contra a gripe. Os pequenos não estão inseridos nos grupos prioritários de proteção contra o coronavírus, ao contrário dos idosos.

"Vamos ter que fazer esse esforço logístico adicional para separar o público-alvo da influenza do da covid-19. Como não estamos vacinando as crianças contra a covid-19, vamos começar por elas, depois os profissionais de saúde e depois os idosos. Esperamos que quando a gente chegue nos idosos a gente já tenha acabado a vacinação contra a covid-19, ao longo do mês de abril", disse o chefe da pasta em Pernambuco.

Nesta mobilização, serão imunizadas crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puérperas, povos indígenas, trabalhadores da saúde, idosos a partir de 60 anos, professores das escolas públicas e privadas, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas com deficiência permanente, forças de segurança e salvamento, forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, trabalhadores portuários, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade.

Confira a entrevista completa

Rádio Jornal: No sábado, foram 60 mortes, e mais 31 no domingo. Considerando que estamos tendo um distanciamento social calculado em torno dos 50%, a médio prazo pode ensejar a necessidade de uma nova quarentena? Qual é a avaliação do governo nesse momento?

André Longo: Nós tivemos 60 óbitos no sábado e 31 no domingo. Estamos tendo, infelizmente, uma aceleração no número de óbitos por causa do maior número de pessoas internadas. Pernambuco, seguindo a ciência, tem buscado adotar medidas restritivas quando da maior aceleração da doença.

Quando percebemos no final de fevereiro que havia uma maior aceleração epidêmica exponencial, adotamos medidas mais restritivas. Isso começou no dia 3 de março, que tivemos restrições mais severas nos finais de semana, só com serviços essenciais em funcionamento, e nos dias da semana os serviços não essenciais parando às 20h.

A gente espera no decorrer desta semana começar a colher os resultados da diminuição da circulação de pessoas e da circulação viral. É certo que nem todos os indicadores de pronto vão mostrar isso. O de óbitos demora mais para que haja uma queda, ainda vai subir para cair, porque é reflexo do maior número de pessoas internadas nas nossas unidades. Esse é um processo que vai ocorrer ao longo das próximas semanas.

É de se esperar que a partir da próxima semana, 13, a gente comece a ter uma diminuição da pressão sobre nosso sistema de saúde. Esse processo vai ser acompanhado, como sempre tem sido, pelo nosso comitê no enfrentamento. Se a gente perceber que o comportamento das pessoas não está positivo em relação às aberturas que estamos fazendo de forma paulatina, é preciso acompanhar e ver se é possível haver algum novo ajuste. A ideia é que a gente tenha essa retomada lenta a partir do dia 1º de abril, como foi anunciado.

Rádio Jornal: Uma crítica que é feita com muita insistência é de que o estado se antecipou no fechamento dos hospitais de campanha e que não deveriam ter sido fechados. O senhor acha que isso não foi bem calculado?

André Longo: Para nós que vivemos a saúde, essa é uma falsa polêmica, na medida em que hospital de campanha é provisório. Tivemos uma campanha no ano passado, a superamos, e todos que lidam com economia e saúde sabem que a estruturação de um hospital de campanha tem um custo similar ao da manutenção.

Quando se tem uma estrutura dessa ociosa, do ponto de vista da economia e saúde é mandatório que as atividades sejam encerradas. Fizemos isso com todos que poderíamos ter feito. Alguns ficaram, como o da Aurora; como o que anexa o Mestre Vitalino, em Caruaru; como a Brites de Albuquerque, que depois trocamos a estrutura provisória para uma o hospital provisório que fica próximo, que é da Prefeitura de Olinda. Obviamente, precisamos trabalhar também com a economicidade desse processo, que é um dos princípios da administração pública, e garantindo assistência.

O que a gente puder montar - e temos conseguido fazer isso - em estruturas definitivas [vamos fazer], como fizemos ao longo do mês de março, abrindo mais de 500 leitos - o maior esforço sanitário e logístico de mobilização de equipamentos e recursos humanos da história de Pernambuco. É mais economia para os cofres públicos do Estado, garantindo a assistência possível para os pernambucanos.

A gente está na época em que normalmente se iniciava no Estado a vacinação contra a influenza. A vacinação contra a covid-19 terá impacto na campanha contra a gripe?

André Longo: Estamos na sazonalidade de maior ocorrência de doenças respiratórias. Precisamos cuidar da covid, como estamos cuidando, buscando vacinar da forma mais célere possível, mesmo com todas as dificuldades de aquisição de vacinas, e esperamos que engrene agora, que o ministro da Saúde esteja certo e que a gente passe a vacinar mais de 1 milhão de pessoas por dia ao longo do mês de abril, o que vai dar, sem dúvida, grande impulso à campanha de vacinação contra a covid-19. Mas não podemos descuidar das outras doenças, especialmente da Influenza.

A gente já sabe que para essa não vai haver escassez de vacina, porque a afirmação é que o Butantan já tem as 80 milhões de doses prontas para iniciar a campanha, de Influenza, a ideia inicial é que ainda nessa primeira quinzena de abril, acho que no dia 10, devemos dar o pontapé inicial.

Vamos começar pelas crianças, que têm uma vulnerabilidade maior para a Influenza, e que não estão sendo vacinadas para a covid-19 nesse momento. A saúde pública vai ter mais o importante trabalho de sincronizar, distanciar a vacinação da covid-19 com a da influenza em pelo menos 2 semanas. Vamos ter que fazer esse esforço logístico adicional para separar o público alvo da influenza do da covid-19. Como não estamos vacinando as crianças contra a covid-19, vamos começar por elas, depois os profissionais de saúde e depois os idosos. Esperamos que quando a gente chegue nos idosos a gente já tenha acabado a vacinação contra a covid-19, ao longo do mês de abril.

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