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Após Hemope relatar risco de fechamento de UTI por falta de médicos, secretaria anuncia seleção em caráter emergencial

SES informou que publicará, em caráter emergencial nesta quarta-feira, seleção interna de profissionais para completar os plantões do serviço

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 13/04/2021 às 18:52
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ABR
Hemope não recebe pacientes com suspeita do novo coronavírus. A maior parte do atendimento, em UTI, é para pacientes com doença falciforme e com leucemia - FOTO: ABR
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Atualizado em 14.04.21, às 7h30

No início da tarde desta terça-feira (13), a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope) procurou a nossa coluna para denunciar o risco de fechamento da unidade de terapia intensiva (UTI), devido à escala incompleta de médicos. Após repercussão de reportagem publicada, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) garantiu que fará seleção para transferência interna de médicos da rede estadual. "A SES vai publicar, em caráter emergencial nesta quarta-feira (14), seleção interna de profissionais para completar os plantões do serviço", diz a secretaria, em nota, enviada à coluna.

O edital da seleção foi publicado na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (14).

A SES ainda garantiu que a UTI tem funcionado normalmente e que não há risco de fechamento nesta quarta-feira (14). "Em dois dias da semana, a unidade tem procurado garantir a assistência com a autorização de plantão extra para médicos." À reportagem, a secretaria frisou que "o Hemope abriu, em janeiro deste ano, processo de seleção simplificada para contratação temporária de 142 profissionais, de níveis fundamental, médio e superior, investindo no incremento de pessoal. Foram classificados 8.650 profissionais. Dos aprovados, 75 profissionais já assumiram seus cargos. Das vagas destinadas a uteístas, os aprovados não assumiram o cargo."

Preocupada com a situação atual do Hemope, a coordenadora da UTI da instituição, Monique Luna, informa que a falta de médicos para completar o plantão vem desde o fim de 2019 e que o Hemope tem tentado preencher o quadro com plantões extras. "De sete médicos para fazermos a escala, temos apenas quatro", diz Monique. Ela alega que o número é insuficiente para completar o quadro e atender os pacientes na UTI. "Se isso não for resolvido, o Hemope está prestes a precisar fechar a UTI. Para amanhã (quarta-feira, dia 14), estava sem plantonista para as 24 horas do dia. Isso é um problema. Mas, após a garantia da SES, na tarde de hoje, de recompor a escala imediatamente, conseguimos excepcionalmente um médico, que habitualmente não daria o plantão. Não posso permitir que a equipe fique dobrando o plantão. Todos estão cansados, desgastados e sobrecarregados."

Para a médica intensivista, o cenário atual do Hemope é emergencial, principalmente se for levada em consideração a situação decorrente da covid-19. "O repasse que recebemos para remuneração dos plantonistas ainda é equivalente ao valor de pré-pandemia. Cada médico recebe R$ 750 (valor líquido) por 12 horas de plantão. É um valor 50% menor do que é pago, em média, a um médico de hospital de campanha que atende pacientes com covid-19. Isso é um dos fatores que tornam difícil manter a escala por contrato de plantão extra", destaca Monique.

A coordenadora de UTI do Hemope frisa que, para tentar solucionar a escala incompleta na UTI, a diretoria do Hemope informou a Secretaria Estadual de Saúde (SES), desde a última semana, sobre a nossa situação emergencial e reforçou a necessidade de plantonista. "Mas não tivemos resposta, e houve tempo necessário para isso. É como se a SES não olhasse para o Hemope", lamenta. Se a UTI precisar ser fechada por falta de médicos, Monique diz que será necessário fazer a regulação e transferência dos pacientes para leitos gerais de outros hospitais. "Nossa UTI é especializada e limpa. Ou seja, não recebemos pacientes com suspeita do novo coronavírus. A maior parte do nosso atendimento, em UTI, é para pacientes com doença falciforme e com leucemia."

Sobre a remuneração dos plantonistas da UTI do Hemope, a SES informou que o valor repassado (R$ 900 bruto) é o preço tabelado por cada plantão extra de 12 horas para UTIs do tipo. A reportagem também questionou a SES sobre a remuneração dos plantonistas concursados nessas unidades e dos médicos que atuam em serviços voltados a pacientes com covid-19, mas não recebeu resposta. 

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