COLUNA JC SAÚDE E BEM-ESTAR

Comorbidades aparecem em 70% das mortes por covid-19 em Pernambuco; veja as doenças mais associadas aos óbitos pelo coronavírus

Hipertensão e outras doenças cardiovasculares prevalecem entre os registros de pacientes com comorbidades que foram a óbito por covid-19 em Pernambuco

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 24/04/2021 às 19:30
Análise
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Em Pernambuco, são 8.012 registros de pessoas que faleceram e que, antes de terem sido infectadas pelo novo coronavírus, já apresentavam pelo menos alguma enfermidade especificada. Outros 1.324 óbitos estavam associados a comorbidades não informadas na base de dados - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Leitura:

Dos mais de 13 mil óbitos confirmados por covid-19 em Pernambuco, 3.876 aparecem sem registro de comorbidades (doenças preexistentes), outras 1.324 notificações são de óbitos de pessoas que tinham problemas de saúde prévios, mas que não foram especificados na base de dados e 8.012 são registros de pessoas que faleceram e que, antes de terem sido infectadas pelo novo coronavírus, já apresentavam pelo menos alguma enfermidade informada no sistema de notificação. Com isso, dos 13.213 óbitos registrados por covid-19 no Estado (dados até o último dia 17 de abril), 70,6% tinham comorbidades. 

Na lista dessas comorbidades de pacientes mortos por covid-19, lideram as doenças cardíacas ou vasculares, presentes em 5.882 (73,4%) notificações de óbitos pela infecção no Estado, segundo apurou a coluna Saúde e Bem-Estar com a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES). Em seguida, vem a diabetes, que desponta com 4.067 (50,8%) registros de mortes pela covid-19. Em terceiro, aparecem 902 (11,3%) registros com sobrepeso/obesidade; 864 (10,8%) com doenças respiratórias crônicas; 803 (10,0%) com doença renal crônica; 182 (2,3%) com imunossupressão; 168 (2,1%) com doença hepática crônica e 16 (0,2%) com doenças cromossômicas.

Esses dados, principalmente os relacionados a mortes por covid-19 de pessoas com doenças cardiovasculares e enfermidades associadas (como diabetes), reforçam o alerta dado, por profissionais de saúde, no Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, lembrado nesta segunda-feira (26) em todo o Brasil. Segundo especialistas, os cuidados precisam ser reforçados nesta pandemia, já que pessoas com doenças crônicas, como hipertensão fora de controle, têm mais chances de desenvolver as formas mais graves da covid-19.

"A hipertensão é uma das doenças cardiovasculares e, por isso, é importante os pacientes seguirem orientações médicas e não suspenderem o tratamento, principalmente porque a pressão arterial alta é um dos maiores fatores de risco para desenvolvimento de complicações pela covid-19", destaca o cardiologista Audes Feitosa, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Apesar de os médicos exigirem que reforcemos atualmente os cuidados e a vigilância com a saúde do coração, a pandemia traz obstáculos, já que o medo do novo coronavírus fez com que muitas pessoas postergassem consultas e exames. De acordo com artigo científico publicado pela SBC, com base em dados do DataSUS, na comparação de março a maio de 2020 e o mesmo período em 2019, houve queda no número de exames utilizados para avaliar a evolução e as causas da hipertensão, como eletrocardiogramas (-41%), ecocardiografia (-42%), holter (-51%) e exame de monitorização ambulatorial da pressão arterial (-74%).

De acordo com a endocrinologista Raquel Cristina Coelho, gerente médica da Novo Nordisk, a preocupação com o coração deve ser ainda maior quando hipertensão e diabetes estão associadas (ou seja, quando o paciente tem ambas as doenças). "A pandemia mistura fatores psicossociais do isolamento com uma maior dificuldade em realizar atividade física para controle do peso e uma diminuição no acompanhamento médico. Pensando em doenças crônicas e silenciosas, como a hipertensão e o diabetes, que mesmo fora de controle demoram a dar sinais, temos a receita perfeita para o agravamento dessas pessoas, que pode evoluir para um acidente vascular cerebral (AVC), infarto ou doença renal, entre outras complicações sérias", comenta Raquel. Ela orienta que o primeiro passo é buscar ajuda médica e fazer os exames para melhor avaliação do quadro de saúde.

Vacinação das pessoas com comorbidades 

Pernambuco recebeu 92 mil doses de CoronaVac a menos do que o previsto esta semana,. A expectativa era chegar, ao Estado, via Ministério da Saúde, cerca de 120 mil doses, especificamente para a segunda aplicação da vacina, mas Pernambuco só recebeu 28.400 doses da CoronaVac na sexta-feira (23). Com isso, o início da imunização das pessoas com comorbidades (doenças preexistentes, como hipertensão e diabetes) deve atrasar.

"Isso (o começo da vacinação das comorbidades) recai muito sobre a dinâmica do plano nacional de imunização. Se são cumpridas as entregas, coisa que a gente infelizmente não tem tido mais recentemente, temos uma dificuldade muito grande de prever (quando as pessoas com comorbidades começarão a receber as doses)", disse André Longo. Ele destacou que, pelo o que havia de entrega de doses programada pela Fiocruz e pelo Butantan, acreditava-se que, no começo de maio, era possível terminar a imunização dos idosos e iniciar o grupo das comorbidades. "Estávamos numa reunião do Comitê Técnico Estadual discutindo como vamos fazer esse processo de comunicação para a população. É fundamental informar sobre medidas e definições para caracterização das comorbidades e como a população vai fazer a prova (da presença de doenças preexistentes para se vacinar)."

O secretário também ressaltou que, por parte do Ministério da Saúde, há algumas definições gerais para imunizar esse grupo. "A data ainda deverá ser em maio; a gente acredita ser em maio. Mas não podemos cravar que será na primeira semana do próximo mês, como eu gostaria de fazer. Teremos que esperar terminar as pessoas com 60 anos, o que era esperado até o fim do mês. Pode ser que se prorrogue até a primeira semana de maio para passarmos para as comorbidades."

Além disso, André Longo informou as comorbidades deverão ser divididas em grupos e de acordo com a faixa etária. "Vamos reunir as doenças mais frequentes, como hipertensão, diabetes, doenças respiratórias e câncer. As pessoas com essas comorbidades seriam vacinadas por grupo etário: iniciando entre 55 e 59 anos, depois 54 anos... Esse é o primeiro planejamento colocado, pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações), aos Estados."

Além disso, o PNI tem destacado dois grupos, entre as comorbidades, que devem ser vacinados num primeiro momento: as pessoas com síndrome de Down e as que estão em tratamento por diálise devido à nefropatia (doença renal). "O comitê técnico estadual está avaliando outros grupos, por entender que também são prioridades. Estamos fechando isso, do ponto de vista de planejamento, com a Comissão Intergestores Bipartite (CIB)." O secretário acredita que, dessa forma, serão definidos esses critérios para imunização e o avanço para definir como se caracterizará cada uma das comorbidades, a fim de divulgar os detalhes e as orientações para a população. "Até a segunda-feira (26), devemos ter essa definição", concluiu André Longo.

Comentários

Últimas notícias