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"Precisamos de gestos concretos", diz secretário sobre inércia do ministério diante de solicitações de Pernambuco para combater pandemia

Segundo André Longo, Pernambuco pediu ao ministério 500 concentradores de oxigênio (só chegaram 9 até agora), mil cilindros, 200 mil testes de antígeno e ajuda para investigação de novas variantes. "Temos nada de concreto", diz o secretário

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 03/06/2021 às 5:44
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HÉLIA SCHEPPA/SEI
Secretário estadual de Saúde, André Longo, participou de audiência pública promovida pela Alepe - FOTO: HÉLIA SCHEPPA/SEI
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Diante da reaceleração da pandemia de covid-19 no Agreste, o governo de Pernambuco fez uma série de solicitações ao Ministério da Saúde para reforçar o trabalho de enfrentamento à escalada de casos e óbitos na região. Com a hipótese de circulação de nova cepa do novo coronavírus em municípios do Agreste, o Estado pede um tratamento que vem sendo dado a outros locais onde há casos suspeitos de variantes de preocupação do vírus, como a Delta, detectada inicialmente na Índia e já identificada no Maranhão e em São Paulo. 

"Pedimos ao ministério, diante dessa aceleração do Agreste, o envio de 500 concentradores de oxigênio. Até agora, temos o anúncio de 148. E nós já distribuímos 155, num esforço próprio do Estado. Dos 148 anunciados pelo Ministério da Saúde, só chegaram nove, até agora, e apenas para Caruaru. Os demais estão vindo por via terrestre, com perspectiva de chegada entre os dias 6 e 10 de junho", informou o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2). O gestor ainda disse que foi feito pedido de mil cilindros de oxigênio ao ministério. "Ainda não temos resposta sobre isso; não há disponibilidade imediata destes."

Além disso, André Longo frisou que, para aumentar a vigilância da covid-19 no Agreste, foi solicitado, ao governo federal, 200 mil testes de antígeno (conhecido também como teste rápido, pois não necessita de infraestrutura laboratorial, podendo ser realizado inclusive em farmácias). "Também não há resposta positiva em relação a isso. Pedimos reforço para a vigilância genômica para que o ministério desse agilidade na avaliação dessas amostras (de pacientes do Agreste que tiveram teste positivo para o vírus). Até agora, temos nada de concreto, embora a Fiocruz Pernambuco esteja nos ajudando, e consideramos que isso é um esforço do ministério." O secretário ainda destacou que o Estado também precisa, caso seja confirmada a presença de nova variante, de mais vacinas, assim como foram disponibilizadas para o Maranhão, que recebeu 300 mil doses extras contra a covid-19.

"Precisamos bastante de mais testes de antígeno. É preciso olhar também para essa situação especial que estamos vivendo em Pernambuco, principalmente no Agreste. O ministro da Saúde (Marcelo Queiroga) esteve aqui (no último fim de semana), eu estive com ele. Mas infelizmente não se anunciou nada de muito concreto para atender a necessidade do Agreste. Ainda estamos na expectativa de que possa ter um anúncio de um esforço adicional", afirmou Longo. 

O secretário salientou que os concentradores que estão a caminho, via ministério, não vêm por causa do momento vivido por Pernambuco, dando a entender que os equipamentos já estariam na previsão do governo federal, independentemente da escalada de casos da doença no Agreste. "Acontece a mesma coisa com os testes de antígeno. Foram 600 mil testes desse tipo para o Maranhão e, para Pernambuco, está prevista uma chegada de aproximadamente 84 mil exames. Não há esforço adicional para entender o momento mais delicado que vivemos. Reconhecemos a solidariedade do ministro, que esteve aqui. Admiro o gesto, mas precisamos de medidas concretas para melhorar a situação da nossa população", finalizou André Longo. 

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