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AstraZeneca: saiba por que antecipar a segunda dose não compromete a eficácia de vacina contra covid-19

Médico assegura que, passados 60 dias da aplicação da primeira dose da AstraZeneca, a pessoa pode receber a segunda, sem comprometimento da eficácia do imunizante

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 29/07/2021 às 21:30
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HÉLIA SCHEPPA/SEI
Autoridades de saúde, pesquisadores e médicos especialistas em imunização não têm dúvidas de que o caminho é adiantar a finalização do esquema vacinal, se houver doses destinadas para a segunda aplicação - FOTO: HÉLIA SCHEPPA/SEI
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Com a volta da antecipação para 60 dias do prazo de aplicação de segunda dose contra covid-19 da AstraZeneca, há pessoas que estão indecisas sobre a adoção desse intervalo menor para finalizar o esquema vacinal com o imunizante. Muitos acreditam que terão proteção maior com o intervalo de 90 dias entre as duas doses da vacina, como foi estabelecido no início da campanha no Brasil. Contudo, em Pernambuco, autoridades de saúde, pesquisadores e médicos especialistas em imunização não têm dúvidas de que o caminho é adiantar a finalização do esquema vacinal, se houver doses destinadas para essa segunda aplicação.

"Em relação à AstraZeneca, o intervalo pode ser de 60 a 90 dias. Se os municípios recebem lotes para ser usados como segunda dose, neste momento em que há toda uma preocupação com a variante delta, contra a qual são necessárias duas aplicações, a orientação é acelerar e permitir a conclusão do esquema vacinal de forma mais precoce", esclareceu, nesta quinta-feira (29), o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), em entrevista ao programa Balanço de Notícias, da Rádio Jornal. Ele assegurou que, passados 60 dias da aplicação da primeira dose, a pessoa pode receber a segunda, sem comprometimento da eficácia do imunizante.

O médico também comentou sobre o fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicar, em bula da AstraZeneca, que a segunda dose da vacina pode ser recebida depois de passado o intervalo de 4 a 12 semanas da primeira aplicação, com eficácia maior entre a 8ª e a 12ª semana. "Só se houver intervalo menor do que oito semanas, entre as duas doses, é que a resposta de anticorpos será menor", explicou.

Outra informação, trazida por Eduardo Jorge, diz respeito à necessidade de se acelerar também a segunda dose com Pfizer, a partir do momento em que todos os adultos já estiverem recebido a primeira aplicação. "Temos uma probabilidade real de chegar mais lotes de Pfizer em agosto e setembro. Se tivermos vacinas o suficiente para continuarmos com a primeira dose e puder adiantar a segunda, devido a questões das variantes, é correto reduzirmos para 21 dias o intervalo entre a primeira e a segunda aplicação com Pfizer", sublinhou. Em relação à CoronaVac, permanece mantido o espaço de 21 dias ou mais entre as duas doses. E a vacina da Janssen continua sendo aplicada com esquema de dose única .

"Todos os quatro imunizantes disponíveis no Brasil são autorizados pela Anvisa e têm um objetivo em comum, que é proteger contra formas graves da covid-19, internamento hospitalar e óbitos. E para isso, as quatro vacinas são similares; as quatro funcionam", reforça Eduardo Jorge.

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, faz um chamado à população sobre a importância de finalizar o esquema vacinal contra a covid-19. "Com a primeira dose, nosso sistema de defesa começa a produzir os anticorpos. Mas é na segunda dose que a resposta imunológica acontece de forma mais intensa, aumentando a eficácia e a tornando mais duradoura. Assim, as pessoas que não completam o esquema vacinal correm maior risco de contágio e, principalmente, de agravamento do quadro", ressaltou Longo.

Gestantes

A partir desta sexta-feira (30), no Recife, as mulheres grávidas e puérperas (aquelas que tiveram bebê há, no máximo, 45 dias) que tomaram a primeira dose contra a covid-19 da AstraZeneca poderão completar o esquema com a dose da Pfizer. O intervalo entre as duas aplicações deve ser de 90 dias. A Prefeitura do Recife acatou a decisão aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite Estadual de Pernambuco (CIB/PE), depois de uma recomendação do Ministério de Saúde. Na cidade, há 50 mulheres nessa condição. "Elas se vacinaram em outro grupo prioritário ou antes de saber que estavam grávidas", disse o prefeito João Campos.

A combinação das duas vacinas (AstraZeneca e Pfizer) foi recomendada pelo Ministério da Saúde após estudos, aprovados pela Anvisa, comprovarem que a resposta imunológica contra a covid-19 não é comprometida pela intercambialidade dos imunizantes. A vacinação das grávidas e puérperas, na capital pernambucana, teve início em maio já com as doses da Pfizer, conforme orientação do órgão federal. Mesmo assim, a mulher que tomou a vacina da AstraZeneca em outro grupo prioritário, como trabalhadora da saúde, por exemplo, estando grávida ou se descobriu a gravidez após receber a primeira dose, pode agendar a segunda aplicação normalmente no site ou aplicativo do Conecta Recife. No dia da vacinação, será necessário apresentar os documentos que comprovem a gestação ou o puerpério.

Por recomendação do Ministério da Saúde, as gestantes e puérperas só devem tomar a vacina contra covid-19 passados 14 dias da aplicação do imunizante contra gripe e/ou de outro do calendário de vacinação. Caso a puérpera esteja amamentando, deve ser orientada a não interromper o aleitamento materno.

 

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