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Delta: Secretário confirma primeiros casos da variante do coronavírus em pernambucanos

Casos são de dois homens, moradores de Olinda e de Abreu e Lima. Estado não descarta transmissão comunitária

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 12/08/2021 às 17:02
REUTERS / Agustin Marcarian
Teste de covid-19 - FOTO: REUTERS / Agustin Marcarian
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O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, anunciou nesta quinta-feira (12), em coletiva de imprensa, os dois primeiros casos da variante delta em pernambucanos. O resultado veio de mais uma rodada de sequenciamento genético de amostras de pacientes positivos para a covid-19, e foi feita pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco. Das 52 amostras, duas apresentaram a variante delta, detectada inicialmente na Índia.

Anteriormente, entre julho e a primeira semana deste mês, o IAM já havia identificado cinco casos da variante delta - todos em tripulantes filipinos que precisaram atracar no Estado para atendimento médico. Já os novos casos são de pessoas moradoras no Grande Recife: um homem que reside em Olinda, de 49 anos, e outro em Abreu e Lima, de 24 anos. Eles apresentaram os primeiros sintomas da infecção pelo coronavírus em 15 de julho. Eles foram notificados no sistema e-SUS, voltado para os casos leves da doença, e já se recuperaram, sem necessidade de hospitalização.

Covid-19, vacinação, terceira dose e delta: ouça em podcast

O secretário informou ainda que, a partir desses dois casos em pernambucanos, já foi dado início ao processo de vigilância epidemiológica, a fim de analisar se já existe transmissão local da delta no Estado. "Mas estamos falando de uma variante mais transmissível do que as demais. Então, é provável que haja transmissão comunitária - aquela em que não é possível identificar a origem da infecção."

Na análise preliminar, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) já identificou que os homens tomaram a vacina contra a Covid-19, o que pode ter auxiliado para que os quadros fossem leves. De acordo com o sistema de informação do Ministério da Saúde, o homem de 24 anos completou o esquema vacinal em março com a Coronavac. Já o de 49 anos tomou a primeira dose da Pfizer em maio.

Com a detecção da delta nesses dois moradores de cidades pernambucanas, André Longo frisou que a variante desponta como mais uma questão que exige reforço nos cuidados para se evitar a infecção pelo coronavírus. Ele também reforçou a importância da vacinação. "É uma estratégia de saúde coletiva, e nenhum imunizante tem 100% de eficácia. Por isso, precisamos do maior número de pessoas vacinadas, bem como a manutenção do cuidado, para diminuir a circulação do vírus e garantir proteção a todos. As vacinas comprovadamente protegem e podem salvar vidas", destacou.

O secretário ainda convocou os pernambucanos a completarem os esquemas vacinais. "Quem está em atraso com sua segunda dose em Pernambuco, esse (achado da delta) é mais um motivo para buscar agendar a segunda dose ou buscar o posto de saúde naqueles casos que não exigem agendamento." Também presente na coletiva de imprensa, o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, integrante dos comitês de vacinação contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco, destacou que, para a delta, o escape da resposta à vacina é maior (ela é mais resistente aos imunizantes), em comparação com as variantes anteriores. "Por isso, as duas doses são cada vez mais necessárias", frisou.

Em entrevista a esta coluna Saúde e Bem-Estar, no dia 31 de julho, Eduardo Jorge já havia informado que a delta trouxe maior transmissibilidade. "Uma pessoa infectada por ela passa a doença para quatro pessoas; na variante original, essa transmissão é para até duas pessoas. Então, fazemos um apelo: as pessoas precisam voltar, aos serviços de vacinação, para tomar a segunda dose, especialmente contra a delta", esclareceu o médico, que também é representante regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

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