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Mesmo com aceleração da ômicron, Pernambuco registra queda na taxa de letalidade por covid-19; vacina explica redução

A queda na taxa da letalidade tem relação com o avanço da imunização contra a covid-19

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 21/01/2022 às 11:48
BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Em Pernambuco, a taxa de letalidade pelo coronavírus foi de 0,42% nos últimos 30 dias - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Desde que ômicron começou a circular em Pernambuco, a partir da segunda quinzena de dezembro (considerando as datas em que foram coletadas as amostras dos pacientes infectados pela variante), o número de casos de pacientes com covid-19 só faz aumentar. Agora, a cada 100 testes rápidos de antígeno feitos nos centros estaduais de testagem, 35 têm confirmação para a doença. Ou seja, a taxa de positividade dos testes está em 35% - e era de 3% há um mês. De 20 de dezembro a 19 de janeiro (período de circulação da ômicron), segundo apurou o JC com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foram confirmados 16.259 casos de covid-19 em Pernambuco, sendo 324 registros de quadros graves e 15.935 leves. Nesse período, foram 68 óbitos em decorrência da doença. Com isso, a taxa de letalidade pelo coronavírus foi de 0,42%.

O índice é bem menor do registrado em abril de 2021, quando o Estado teve indicadores em patamares elevados com a predominância da variante gama. Naquela fase da pandemia, foram confirmados 60.552 casos em território pernambucano, com 2.004 mortes - letalidade chegou a 3,3%. Já no pico da primeira onda de covid-19, em maio de 2020, essa taxa foi de 13% em Pernambuco, considerando a proporção a partir de 3.262 óbitos e 25.066 confirmações da infecção causada pelo vírus original, de Wuhan, na China. 

A queda na taxa da letalidade, observada agora, tem relação com o avanço da imunização contra a covid-19, segundo destacam especialistas em imunização. "A pandemia não dá trégua. Em duas ou três semanas em Pernambuco, estaremos vivendo o ague no número de casos novos da ômicron. Mas esse cenário é desassociado da curva de internamentos e óbito, pois as vacinas permitiram que isso acontecesse", explica o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, que é representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) no Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação contra a Covid-19.

Ele acrescenta que, ainda assim, os cuidados devem ser reforçados neste momento. "O número excessivo de casos novos leva a uma pressão nas unidades de saúde, sem dar conta de tantos pacientes doentes ao mesmo tempo. O que vemos hoje é que as pessoas que completaram a imunização contra o coronavírus estão assintomáticos ou com quadros leves, que podem ser tratados em casa. Entretanto a quantidade de pessoas que não tomaram a segunda e a terceira dose ainda é grande", frisa Eduardo Jorge. No Estado, segundo a SES, 517.218 pessoas precisam completar o esquema vacinal da covid-19. Sem a segunda dose, a chance de infecção e de agravamento aumenta bastante. 

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, tem ressaltado que a variante requer medidas de proteção e vacinação. Ele alertou que, diante da circulação da ômicron, a recomendação é seguir com todos os cuidados necessários. "Não podemos baixar a guarda. A covid-19 ainda é uma ameaça, e nosso alerta se volta agora para a variante ômicron, que já é dominante em nosso Estado e tem impactado no aumento da positividade dos casos leves da doença", frisou Longo.

Esse cenário só ratifica que a ômicron tem uma capacidade de transmissão muito superior à de outras variantes e é capaz de infectar de forma recorrente, segundo destacou André Longo, "até mesmo pessoas vacinadas contra a doença". Contudo, o secretário ressaltou que, mesmo que a imunização não nos deixe livres da infecção, a doença em não vacinados tem impacto muito pior. Em vacinados, os sintomas geralmente são leves, muito parecidos com os de uma gripe, com coriza e incômodo na garganta. Já não estar vacinado, ou só parcialmente vacinado, pode significar hospitalização e morte", alertou Longo.

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