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Gripe H3N2 Darwin: 79,4% das mortes em Pernambuco foram de idosos com 60 anos ou mais

Idosos já podem ir a salas de vacinação, em todo o Estado, para receber a dose atualizada contra gripe

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 05/04/2022 às 16:38
BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Em Pernambuco, o grupo de idosos a partir dos 60 anos, formado por 1.252.642 pessoas, já pode receber a vacina contra gripe - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Pessoas de todas as idades são suscetíveis à infecção pelos vírus da gripe, mas há grupos que são mais propensos a desenvolver formas severas da enfermidade. Entre eles, estão os idosos, que podem  evoluir com complicações respiratórias (como a pneumonia viral ou bacteriana), desenvolver um quadro de descompensação de alguma doença com a qual já convivem e, dessa maneira, ter maior risco de ir ao óbito. 

Por isso, durante as campanhas nacionais de imunização contra a influenza, os idosos fazem parte dos grupos prioritários. Especialmente nesse público, a vacina reduz a gravidade de sintomas, hospitalizações e mortes pela gripe. Dessa maneira, os idosos já podem ir a salas de vacinação para receber a dose contra a doença. 

Em Pernambuco, desde a segunda quinzena de dezembro de 2021 (quando se identificou a circulação da cepa H3N2 Darwin) até agora, foram registrados 294 óbitos prováveis por influenza A (H3N2), segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES). A proporção de mortes aumenta com o avançar da idade: as pessoas a partir de 80 anos tiveram maior mortalidade que as com 60 a 79 anos.

Do total de 294 óbitos prováveis por influenza A (H3N2), 79,4% foram de idosos a partir dos 60 anos no Estado. Dentro dessa faixa etária, 13,9% foram de pessoas entre 60 e 69 anos; 27,3% de 70 a 79 anos; 38,2% a partir dos 80 anos. 

Abaixo dos 60 anos, as proporções de mortes, entre o total das prováveis por influenza A (H3N2), foram as seguintes: 2% (0-5 anos); 0% (6-9 anos); 2% (10-19 anos); 1,7% (20-29 anos); 3,4% (30-39 anos); 4,4% (40-49 anos); 7,1% (50-59 anos).  

A SES informa que, dos 294 óbitos prováveis por influenza A (H3N2), 123 tiveram a doença como causa da morte e 171 estão em investigação. 

Dos óbitos confirmados por influenza A (inclui H3N2 e outros casos em que não se identificou o subtipo do vírus), 35 ocorreram em 2021 e 93 em 2022; 128 no total. E em relação aos fatores de risco para gravidade, observou-se que 126 deles (98,4%) apresentaram fatores de risco para complicação por influenza, como idade menor que 5 anos, idosos, puérpera, cardiovasculopatias, diabetes, pneumopatias, nefropatias, doenças neurológicas, neoplasias, doenças hematológicas, tuberculose e obesidade. 

Importância da vacinação contra gripe 

"Não podemos esquecer que vivenciamos, entre a segunda quinzena de dezembro do ano passado e a primeira quinzena de janeiro deste ano, uma forte epidemia de influenza em Pernambuco. O impacto da influenza A H3N2, provocada pela variante Darwin, foi, inclusive, pior que a variante ômicron do coronavírus em nosso Estado", afirmou o secretário Estadual de Saúde, André Longo. 

"Assim, a vacinação contra o vírus da influenza é fundamental para reduzir o número de internações e complicações pela gripe, especialmente nos grupos mais vulneráveis, que são as pessoas idosas, as crianças e as gestantes. Infelizmente, no ano passado, a cobertura vacinal contra a influenza em Pernambuco ficou abaixo de 80%, propiciando um grande contingente de suscetíveis", acrescentou.  

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