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ADENOVÍRUS 41F: saiba o que é a possível causa do surto de hepatite misteriosa em crianças

O adenovírus tipo 41 geralmente se apresenta como diarreia, vômito e febre, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 27/04/2022 às 16:40 | Atualizado em 27/04/2022 às 17:11
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O Reino Unido, onde a maioria dos casos foi relatada até o momento, observou recentemente um aumento significativo nas infecções por adenovírus - FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
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Até o momento, em todo o mundo, o adenovírus (um grupo de vírus que normalmente causa doenças respiratórias) foi detectado em, pelo menos, 74 casos de hepatite aguda grave em crianças. Já há quase 200 casos inexplicáveis da doença relatados em 12 países. O surto foi divulgado, pela primeira vez este mês, no Reino Unido - que registrou 111 casos, principalmente em crianças menores de 10 anos. Entre as principais hipóteses para explicar a causa dessa nova hepatite, está o adenovírus

Do número de casos com informações sobre testes moleculares, 18 foram identificados como adenovírus F tipo 41. O coronavírus foi identificado em 20 casos dos testados. Além disso, 19 foram detectados com uma coinfecção por coronavírus e adenovírus. 

O Reino Unido, onde a maioria dos casos foi relatada até o momento, observou recentemente um aumento significativo nas infecções por adenovírus (particularmente detectada em amostras fecais em crianças) após baixos níveis de circulação no início da pandemia de covid-19. A Holanda também relatou um aumento simultâneo da circulação de adenovírus.

No alerta emitido a unidades de saúde públicas e privadas, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) ressalta que existem mais de 50 tipos de adenovírus que podem causar infecções em humanos. "Os adenovírus se espalham de pessoa para pessoa e mais comumente causam doenças respiratórias, mas, dependendo do tipo, também podem causar outras doenças, como gastroenterite, conjuntivite e cistite."

A pasta acrescenta que, embora o adenovírus seja atualmente uma hipótese como causa subjacente, ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. "A infecção pelo adenovírus tipo 41, tipo de adenovírus implicado (na hepatite aguda grave), não foi previamente associada a tal apresentação clínica. O adenovírus tipo 41 geralmente se apresenta como diarreia, vômito e febre, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios. Embora existam relatos de casos de hepatite em crianças imunocomprometidas com infecção por adenovírus, o adenovírus tipo 41 não é conhecido por ser uma causa de hepatite em crianças saudáveis."

O aumento da suscetibilidade entre crianças pequenas, após um menor nível de circulação de adenovírus durante a pandemia de covid-19, o potencial surgimento de um novo adenovírus, bem como a coinfecção pelo coronavírus, precisam ser mais investigados.

Hepatite misteriosa: a quais sintomas os profissionais de saúde devem estar atentos?

"Pede-se, aos médicos, que estejam alertas para esta situação emergente e que estejam atentos às crianças que apresentam sinais e sintomas potencialmente atribuíveis à hepatite que podem exigir testes de função hepática", diz o alerta da SES.

Entre os sintomas, estão descoloração da urina (escuro) e/ou fezes (pálido); icterícia; prurido; artralgia (dor nas juntas); mialgia (dor muscular); pirexia (febre); náuseas, vômitos ou dor abdominal; letargia (cansaço com diminuição da energia, da capacidade mental e da motivação); e/ou perda de apetite. 

Em Pernambuco, não há registros de casos de hepatite aguda grave de causa desconhecida, mas a Secretaria Estadual de Saúde (SES) já emitiu alerta a toda a rede de saúde do Estado (unidades públicas e privadas), que deve ficar atenta a crianças e adolescentes com sintomas sugestivos da doença. Na noite da terça-feira (26), um dia após a divulgação do primeiro alerta, a SES soltou uma atualização documento, a fim de compartilhar, com profissionais de saúde, diretrizes de identificação precoce de casos suspeitos, estabelecer medidas controle e prevenção. 

"Equipes de saúde, principalmente da pediatria, devem estar atentas a crianças e adolescentes com 16 anos ou menos, principalmente com relato de passagem pelos locais afetados, que apresentem icterícia (coloração amarelada da pele e/ou olhos) ou sintomas compatíveis com hepatite aguda", destaca o alerta da Secretaria de Saúde de Pernambuco. 

De acordo com o comunicado, serão investigados, por serem considerados como casos suspeitos, pessoas com 16 anos ou menos e que, desde 1º de outubro de 2021, apresentem hepatite aguda em que não estão os vírus que normalmente causam as hepatites (do tipo A, B, C, D ou E), mas que apresentam as seguintes manifestações: 

  • Enzimas hepáticas - aspartato aminotransferase (AST) ou alanina aminotransferase (ALT) - acima de 500 U/L
  • Não apresentem outras explicações para o quadro clínico que apresenta 
  • Também atendem os critérios de inclusão os contatos próximos de casos suspeitos que, independentemente da idade, apresentarem os critérios acima

Segundo o comunicado emitido pela SES, os casos de hepatite aguda grave de causa desconhecida que correspondam com as definições acima devem ser notificados imediatamente através do e-mail cievs.pe.saude@gmail.com ou pelos telefones: 81 3184-0191 (horário comercial). Apenas para profissionais de saúde, o contato pode ser feito também pelo 81 99488-4267.

A pasta informa que, até agora, não estão estabelecidos critérios de definição de caso confirmado.

Veja os exames que devem ser feitos

Recomenda-se que todos os casos suspeitos e contatos próximos realizem testes de sangue, soro, urina, fezes e amostras respiratórias, bem como amostras de biópsia hepática (quando disponíveis), incluindo busca de caracterização adicional de vírus, com sequenciamento.

Entre outras causas infecciosas e não infecciosas de hepatites aventadas pelas equipes locais que atendam casos suspeitos, sugere-se investigar hepatites A-B-C-D-E, adenovírus, coronavírus, leptospirose, norovírus, enterovírus, patógenos bacterianos padrão nas fezes (Salmonella, Shigella, Campylobacter e E. coli 0157)

Hepatite misteriosa: há formas de prevenção? 

A SES frisa que medidas comuns de prevenção para adenovírus e outras infecções comuns envolvem lavagem regular das mãos e higiene respiratória.

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