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HEPATITE MISTERIOSA: internada no Imip, menina de 3 anos é o terceiro caso notificado em Pernambuco; doença é grave e tem causa desconhecida

Criança está internada no Imip desde o dia 3 de maio

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 11/05/2022 às 17:36 | Atualizado em 12/05/2022 às 19:01
SÉRGIO BERNARDO/ACERVO JC IMAGEM
Duas crianças seguem em acompanhamento no Imip - FOTO: SÉRGIO BERNARDO/ACERVO JC IMAGEM
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A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) divulgou, na tarde desta quarta-feira (11), que notificou ao Ministério da Saúde o terceiro caso suspeito de hepatite aguda grave de origem desconhecida no Estado. 

A paciente é uma menina de 3 anos de idade, que mora no município de Glória do Goitá, na Zona da Mata de Pernambuco. Ela foi encaminhada para o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no bairro dos Coelhos, área central do Recife, onde está internada desde o último dia 3 de maio.

A criança, que apresentou quadro de febre, aumento do volume abdominal e icterícia (pele amarelada), recebe assistência na enfermaria da Imip. Na instituição, ela também realiza exames complementares. 

Entre os outros dois casos suspeitos em Pernambuco, já divulgados esta semana, está um menino de 1 ano, residente no município de Toritama, no Agreste, que foi acompanhado no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Ele recebeu alta hospitalar no dia 6 deste mês. 

Além dele, há um adolescente de 14 anos, residente no município de Salgueiro, no Sertão do Estado, que estava internado no Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Cordeiro, Zona Oeste do Recife. Ele foi transferido, na terça-feira (10), para o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, área central da capital pernambucana.

Os médicos devem ficar em alerta para esta situação emergente e precisam ficar atentos às crianças que apresentam sinais e sintomas "potencialmente atribuíveis à hepatite que podem exigir testes de função hepática", diz o alerta da SES.

 

Entre os sintomas, estão descoloração da urina (escuro) e/ou fezes (pálido); icterícia; prurido; artralgia (dor nas juntas); mialgia (dor muscular); pirexia (febre); náuseas, vômitos ou dor abdominal; letargia (cansaço com diminuição da energia, da capacidade mental e da motivação); e/ou perda de apetite.

"Equipes de saúde, principalmente da pediatria, devem estar atentas a crianças e adolescentes com 16 anos ou menos, principalmente com relato de passagem pelos locais afetados, que apresentem icterícia (coloração amarelada da pele e/ou olhos) ou sintomas compatíveis com hepatite aguda", destaca a SES.  

As investigações dos casos, segundo a secretaria, continuam em andamento, com a realização de exames complementares para análise laboratorial das hepatites virais, agentes possivelmente relacionados a este tipo de hepatite e outras doenças, assim como as investigações epidemiológicas realizadas junto aos municípios de residência dos pacientes. A SES também destaca que aguarda novas definições de protocolos pelo Ministério da Saúde.

"Por fim, a SES-PE reforça que segue em contato com toda a rede de saúde (unidades públicas e privadas) para monitoramento das ocorrências no Estado. O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Pernambuco (Cievs-PE) também já emitiu nota de alerta orientando os serviços para que, na observação de casos suspeitos e que atendam às definições, realizem a notificação de imediato.

Adenovírus 41F é uma possível causa da hepatite misteriosa em crianças 

O surto foi divulgado, pela primeira vez, em abril, no Reino Unido - que já registrou mais de 100 casos, principalmente em crianças menores de 10 anos. Entre as principais hipóteses para explicar a causa dessa nova hepatite, está o adenovírus.

No alerta emitido a unidades de saúde públicas e privadas, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) ressalta que existem mais de 50 tipos de adenovírus que podem causar infecções em humanos. "Os adenovírus se espalham de pessoa para pessoa e mais comumente causam doenças respiratórias, mas, dependendo do tipo, também podem causar outras doenças, como gastroenterite, conjuntivite e cistite."

A pasta acrescenta que, embora o adenovírus seja atualmente uma hipótese como causa subjacente, ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. "A infecção pelo adenovírus tipo 41, tipo de adenovírus implicado (na hepatite aguda grave), não foi previamente associada a tal apresentação clínica. O adenovírus tipo 41 geralmente se apresenta como diarreia, vômito e febre, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios. Embora existam relatos de casos de hepatite em crianças imunocomprometidas com infecção por adenovírus, o adenovírus tipo 41 não é conhecido por ser uma causa de hepatite em crianças saudáveis."

O aumento da suscetibilidade entre crianças pequenas, após um menor nível de circulação de adenovírus durante a pandemia de covid-19, o potencial surgimento de um novo adenovírus, bem como a coinfecção pelo coronavírus, precisam ser mais investigados.

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