COVID-19

Anvisa autoriza aplicação da CoronaVac em crianças de 3 a 5 anos

A vacinação de crianças é vista por sociedades médicas como uma estratégia importante para evitar quadros graves de covid-19 nesta faixa etária

Imagem do autor
Cadastrado por

Amanda Azevedo

Publicado em 13/07/2022 às 19:03 | Atualizado em 13/07/2022 às 19:26
Notícia
X

Com Estadão Conteúdo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (13), o uso emergencial da vacina CoronaVac para crianças de 3 a 5 anos. O imunizante contra a covid-19, produzido pelo Instituto Butantan, já estava liberado para crianças a partir dos 6 anos.

Quando o uso da CoronaVac foi autorizado para crianças acima de 6 anos, em janeiro, o Butantan pleiteava a liberação a partir dos 3 anos de idade. A Anvisa, no entanto, avaliou naquela época que os dados apresentados pelo Butantan ainda eram insuficientes para liberar o uso em crianças mais novas.

Agora, segundo o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, dados mais atualizados foram apresentados. A avaliação técnica levou em consideração uma série de estudos e pareceres. Entre eles, um estudo de efetividade realizado no Chile que mostrou 55,06% de efetividade da CoronaVac na prevenção de hospitalização de crianças de 3 a 5 anos.

Outra pesquisa multicêntrica, realizada no Chile, Malásia, Filipinas, Turquia e África do Sul, também foi apresentada por Mendes. O estudo tem resultados preliminares ainda, mas indicam eficácia da CoronaVac para crianças. Além disso, a vacina também apresenta baixo volume de reações adversas para a faixa etária pediátrica.

A sugestão da área técnica é para que a aplicação da CoronaVac ocorra em crianças de 3 a 5 anos que não sejam imunocomprometidas (como crianças em tratamento para câncer ou transplantadas).

A dosagem para essa faixa etária deve ser a mesma da de adultos e o intervalo entre as doses, de 28 dias.

Para a elaboração do parecer técnico, foram consultadas sociedades médicas e pesquisadores ligados ao projeto de pesquisa Curumim, que testa a eficácia da CoronaVac em crianças e adolescentes.

A pesquisa é realizada pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo, com apoio da Fiocruz, do Instituto Butantan e da Secretaria de Saúde do Estado do Espírito Santo.

A vacinação de crianças é vista por sociedades médicas como uma estratégia importante para evitar quadros graves de covid-19 nesta faixa etária.

Levantamento realizado pelo Observatório da Primeira Infância, da Fiocruz, identificou a morte de duas crianças menores de cinco anos pela covid-19 por dia no Brasil, desde o início da pandemia. Nos últimos meses, grupos de pais organizados nas redes sociais vêm cobrando celeridade para a aprovação da vacina.

A vacinação de crianças menores de 5 anos já ocorre em outros países, como os Estados Unidos, que liberaram o uso emergencial das vacinas da Moderna e da Pfizer em bebês a partir de 6 meses de idade.

No Chile, a CoronaVac é aplicada desde dezembro do ano passado em crianças a partir de 3 anos. China e Hong Kong também aplicam a CoronaVac em crianças menores de cinco anos.

Tags

Autor