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CANDIDA AURIS: tudo sobre o surto do temido superfungo responsável por atingir pacientes em hospitais de Pernambuco

O maior problema relacionado ao superfungo Candida auris é a multirresistência dele a diversos medicamentos

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Cinthya Leite

Publicado em 16/08/2022 às 11:54 | Atualizado em 16/08/2022 às 12:06
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Pernambuco tem 36 casos confirmados de Candida auris, superfungo resistente a medicamentos e responsável por infecções hospitalares. Por isso, ele é um dos que mais ameaçam a saúde pública no mundo. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgou, na noite da segunda-feira (15), 41 notificações este ano. Entre elas, 36 pacientes tiveram diagnóstico confirmado, um foi descartado e quatro permanecem em investigação. Os casos foram registrados nos hospitais da Restauração (HR), no Derby, área central da capital pernambucana, e Miguel Arraes, em Paulista, no Grande Recife.

No Estado, os primeiros casos reconhecidos oficialmente aconteceram em janeiro deste ano. Um homem de 67 anos e uma mulher de 70 anos, internados no HR.  

A reportagem do JC solicitou à Secretaria Estadual de Saúde (SES) informações sobre o estado de saúde dos pacientes e aguarda uma posição. 

Superfungo: infectologista tira dúvidas sobre surto de Candida Auris 

O infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, coordenador do Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que a Candida auris ocorre como infecção hospitalar, que pode causar casos graves de septicemia (condição de resposta exagerada a uma infecção, seja por bactérias, fungos ou vírus) ou apenas colonizar a pele de pacientes. "Mas ela facilmente se mantém dentro de hospitais onde é detectada. É muito difícil de ser erradicada", frisa.

O maior problema relacionado ao superfungo Candida auris, de acordo com o infectologista Filipe Prohaska, é que esse agente infeccioso é multirresistente a diversos medicamentos antifúngicos. "É um micro-organismo exclusivamente hospitalar", diz o médico, que se preocupa com o potencial agressivo desse fungo.

Estudos apontam que até 90% dos isolados de Candida auris são resistentes às seguintes medicações: fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas. Outro motivo de preocupação é que a Candida auris pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes, inclusive os que são à base de quaternário de amônio.

O infectologista Arnaldo Lopes Colombo, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e referência nacional em contaminação com fungos, informa que o tratamento da Candida auris é feito com antifúngico. "O único problema é que é um micro-organismo com capacidade de persistir no ambiente hospitalar por muito tempo. Se não forem instituídas medidas de desinfecção adequada, o fungo pode colonizar esses pacientes por tempo prolongado e se tornar resistente a medicações", alerta o médico.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) informa que a investigação de surto de Candida auris no Estado está sendo acompanhada por equipes do Ministério da Saúde (MS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além do próprio órgão estadual. "Todas as medidas preconizadas estão sendo adotadas para enfrentamento do fungo", garante.

A SES diz que já apresentou e colocou em operação o Plano de Resposta à Ocorrência de C. auris em Pernambuco, "documento elaborado e validado pelas demais instâncias parceiras no controle desse fungo com o objetivo de coordenar as ações de resposta, contendo orientações sobre os aspectos relacionados à identificação, notificação, prevenção, interrupção, monitoramento e resposta à ocorrência de surto de C. auris nas unidades hospitalares".

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