NOVA SAFRA

Com mais de 73 mil vagas a serem abertas, 2022 promete ser o ano dos concursos federais; saiba como se preparar desde já

As oportunidades estão previstas na proposta de orçamento (PLOA) para 2022, enviada na última terça-feira (31) ao Congresso Nacional

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 05/09/2021 às 8:00
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YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
Concursos - FOTO: YACY RIBEIRO/JC IMAGEM
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Se 2021 trouxe uma excelente safra de concursos, principalmente neste segundo semestre, o próximo ano inteiro tende a ser ainda melhor. Isso porque a proposta de orçamento (PLOA) para 2022, enviada na última terça-feira (31) ao Congresso Nacional, traz 73.640 vagas a serem preenchidas por meio de concurso público em órgãos e autarquias federais no âmbito dos três Poderes, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União.

Desse total, 4.097 são para a criação de novos cargos. Além disso, podem ser contratados até 69.543 servidores para ocupar cargos que já existem e estão vagos ou para substituir terceirizados, seja por meio de convocação de aprovados em seleções já realizadas ou por meio de novos concursos.

De acordo com o secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau, há autorização em "diversos órgãos públicos e agências reguladoras". O gestor afirmou que, após três anos sem concursos públicos, identificou-se a necessidade de recomposição de força de trabalho. “Temos um volume grande para agências reguladoras e para o Ministério da Educação. Não houve espaço no orçamento para reajustes [de salários], apenas recomposição da força de trabalho”, declarou Culau.

A novidade animou concurseiros como Amanda de Medeiros, 28 anos, que dedica sete horas diárias se preparando para provas do setor financeiro. Ela conta que quase desistiu do sonho de entrar no serviço público por frustração. A não publicação de um edital sequer para áreas importantes, como o Banco Central, INSS, CGU e Ibama, havia feito a esperança dele minguar.

"Não é como vestibular, que a gente estuda e sabe o que vai fazer na prova todo ano. Com concurso, a gente fica na expectativa", explica. “Aí vieram notícias de autorização de alguns concursos de julho para cá, e eu me animei um pouco. Agora, com essa novidade, estou mais que esperançosa para conquistar de vez minha vaga”, diz ela.

ACERVO PESSOAL
Concursos - Amanda de Medeiros, concurseira - ACERVO PESSOAL

A 'enxurrada' de concursos, porém, já era esperada por professores de cursinhos preparatórios, como professor Juliano Bumgartenn, coordenador pedagógico do Sigma Cursos. Segundo ele, que dá aula de disciplinas administrativas e pedagógicas, é comum que em anos eleitorais governos dos três níveis, federal, estadual e municipal, anunciem concursos públicos.

“Ao contrário do que a maioria imagina, os concursos não são interrompidos durante o período de eleições nem são proibidos. Eles podem ser autorizados, abertos, editais podem ser publicados, abrir inscrições, aplicar provas, acontecendo antes, durante ou depois do pleito”, explica o professor, afirmando que, por isso, muitos municípios abriram vagas em 2020, o que deve se repetir em 2022 com Estados e União. “A única restrição está nas nomeações dos aprovados, mas esta regra específica fica restrita apenas às esferas do governo interessadas diretamente no pleito eleitoral”, emenda.

Essa prática preocupa economistas, que temem um impacto negativo das contratações nas contas públicas. “Muitas vezes, a adoção de uma política eleitoreira traz prejuízos fiscais enormes no futuro. Torço muito para que o governo, de fato, não esteja autorizando concursos pensando nas eleições”, argumenta o economista e professor da Unit-PE Edgard Leonardo.

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Economista Edgard Leonardo - Divulgação

O especialista, contudo, ressalta que o país necessita de novos concursos para preencher vagas que, desocupadas, precarizam o serviço público. Para suprir a demanda, o economista sugere planejamento para evitar desequilíbrio fiscal. “Muitos órgãos estão defasados, isso é um fato. No entanto, não se pode abrir vagas de toda forma, é preciso planejamento, inclusive para, lá na frente, não trazer um déficit nas contas públicas”, diz Edgard.

Apesar da percepção dos professores, o secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau, afirmou, em entrevista coletiva, que não há "finalidade eleitoreira" na autorização por novas vagas, mas sim o "atendimento de políticas setoriais nos vários órgãos de administração".

Como se preparar

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Saber que área ou carreira seguir é essencial para quem quer prestar concurso. Então não adianta o concurseiro apostar em todas as provas que abrirem, porque cada edital exige um determinado tipo de conhecimento", explica o professo Abner Mansur. - ACERVO PESSOAL

Diante das mais de 73,6 mil vagas a serem preenchidas, especialistas afirmam que quem estiver interessado em se tornar servidor público deve começar os estudos antes mesmo do ano virar.

“Para isso, você deve escolher uma área de concursos do seu interesse. Depois, pode começar a estudar as matérias básicas, ou seja, as matérias que caem em todos os concursos daquela área”, aconselha o professor do Nuce Concursos, Abner Mansur. "Estudar sem definir o objetivo [órgão e cargo pretendidos] é como sair de carro sem saber aonde quer ir. Isso é perder tempo e dinheiro", completa.

Além disso, outra dica é solucionar questões de provas anteriores, principalmente se elas forem da mesma banca organizadora do próximo concurso. É o que sugere o professor Juliano Bumgartenn. “Uma das técnicas principais, praticamente obrigatórias para se estudar para um concurso, é a resolução de questões de concursos anteriores. Além de, sempre que possível, fazer provas, testes ou simulados facilmente encontrados na internet”, afirma.

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Nós enxergamos que agora vai ter uma grande enxurrada de concursos. Por mais de um ano ficaram represados. Tivemos um represamento federal e, às vezes, há uma coisa regionalizada, mas nunca tudo ao mesmo tempo. Agora, deve vir aos montes", explica o professor Juliano Bumgartenn. - ACERVO PESSOAL

O profissional explica ainda que o concurseiro deve estudar o conteúdo "da melhor forma possível" para que não esqueça no futuro. Ela indica que os estudantes comecem e terminem a rotina de estudo pelos conteúdos que têm facilidade e, no caminho, insiram a matéria que consideram mais complicada.

O professor Abner Mansur conta que, apesar de ser importante se dedicar aos estudos desde já, é preciso dosar o tempo para não prejudicar o desempenho. "É importante que se evite o esgotamento físico e psicológico adaptando a rotina. Os concurseiros devem ter boas horas de sono e de vez em quando uma pausa para poder retornar as forças", diz ele.

Distribuição de vagas

Poder Executivo
67.783 vagas

Poder Judiciário
4.231 vagas

Defensoria Pública da União
1.248 vagas

Ministério Público da União
229 vagas

Poder Legislativo
149 vagas

Dicas para se preparar

  • Defina a área que você quer concorrer;
  • Responda provas antigas;
  • Defina uma rotina;
  • Separe momentos de descanso;
  • Comece e termine estudando assuntos que você considera mais fáceis.
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Saber que área ou carreira seguir é essencial para quem quer prestar concurso. Então não adianta o concurseiro apostar em todas as provas que abrirem, porque cada edital exige um determinado tipo de conhecimento", explica o professo Abner Mansur. - FOTO:ACERVO PESSOAL
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Nós enxergamos que agora vai ter uma grande enxurrada de concursos. Por mais de um ano ficaram represados. Tivemos um represamento federal e, às vezes, há uma coisa regionalizada, mas nunca tudo ao mesmo tempo. Agora, deve vir aos montes", explica o professor Juliano Bumgartenn. - FOTO:ACERVO PESSOAL
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Economista Edgard Leonardo - FOTO:Divulgação
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Concursos - Amanda de Medeiros, concurseira - FOTO:ACERVO PESSOAL

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