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Floribella 15 Anos: o amor de Juliana Silveira, a eterna Maria Flor

A protagonista das duas temporadas da novela 'Floribella' conversa com exclusividade para o JC

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 04/04/2020 às 16:15
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REPRODUÇÃO
Juliana Silveira interpretou a protagonista Maria Flor Miranda nas duas temporadas de 'Floribella'. - FOTO: REPRODUÇÃO
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Há muitas razões para explicar o sucesso na novela Floribella, que completa 15 anos de sua estreia exatamente neste sábado (4) na tela da Band. Mas talvez, a principal delas esteja na protagonista. E coube a Juliana Silveira – que por pouco seria outra atriz – a tarefa de dar vida à Maria Flor Miranda, a Floricienta brasileira.

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Em entrevista ao Jornal do Commercio, a artista, hoje com 40 anos, conta como foi a experiência de viver nesse universo mágico da Flor durante duas temporadas. Ela revela detalhes dos bastidores, sua insegurança com o canto, até o amor que ela sente até hoje, tanto pela história, quanto pelo público, suas “pipocas” que cresceram, mas que guardam carinho pela personagem e a trama até hoje. Além disso, ela fala do desejo que tem de comemorar estes 15 anos de Floribella em grande estilo. Confira.

ENTREVISTA // JULIANA SILVEIRA

JORNAL DO COMMERCIO -  Como a novela Floribella chegou para você?

JULIANA SILVEIRA - Eu recebi o convite para fazer os testes e quase não fui com medo de cantar. Achava que não seria capaz e quase não compareci. Minha empresária que me arrastou até o local do teste e me levou até lá. Eram duas cenas: um monólogo bem ao estilo da personagem falando muito com as fadinhas, outra cena com o Fred - uma curiosidade: acabei fazendo a cena com o Roger Gobeth mesmo sem saber se iríamos passar nos testes - e uma música para cantar a capela mesmo depois de fazer as cenas. Escolhi Coração de Papelão da Simony com Jairzinho bem famosa entre as crianças em 1980. Amava Balão Mágico!

JC - Quais foram suas inspirações para compor a Maria Flor?

JULIANA - Me inspirei naquele filme De Repente 30 com a Jennifer Garner. E segui minha intuição mesmo. Fizemos uma preparação de sete dias com todo o elenco, algumas leituras de mesa, mas o processo foi tão intenso pra mim que, quando eu vi, a Flor já tinha tomado forma e já estava dentro da minha vida.

JC - Como era a rotina de gravações da novela? Qual a melhor lembrança desse período?

JULIANA - As gravações aconteciam de segunda a sábado. Aos domingos eu fazia alguma divulgação: ou de rádio para as músicas, ou algum programa de auditório, alguma ação para os produtos licenciados. Passei um ano e meio trabalhando todos os dias, sem descanso. Bem no final, já na segunda temporada as gravações aconteciam de segunda a sexta e os finais de semana eram reservados para os shows.

JC - Mais que atuar, Floribella também despertou o seu lado cantora. Como foi se aventurar nessa área?

JULIANA - Na época fiquei insegura, achando que não daria conta da responsabilidade. Fui muito bem recebida pelo produtor Rick Bonadio e juntos criamos um ambiente divertido e acolhedor. Me senti bem recebida e fiquei a vontade para cantar, sem vergonha. Coloquei voz em todas as músicas do primeiro CD em quatro dias. Ele me entregava uma versão com uma voz guia, eu estudava a música em casa e só depois entrava em estúdio para cantá-la. Tenho um bom ouvido, pego rápido as notas e a forma que é preciso pra que a história da música seja contada. Quando entendi que não era eu e sim a Flor que estava cantando, me senti protegida e me joguei. Acho que deu certo. As pessoas amam as músicas até hoje e já tivemos mais de 5 milhões de streaming no Spotify.

JC - Em que momento você percebeu que a trama estava fazendo sucesso?

JULIANA - Quando fomos fazer uma sessão de autógrafos numa livraria em um shopping de São Paulo e eu não consegui descer do carro, porque a livraria estava lotada de crianças e a segurança precisava de um tempo pra organizar tudo. Quando vi aquele mar de crianças esperando por mim, eu entendi que algo especial estava acontecendo. As crianças cantavam as músicas enquanto esperavam pelo autógrafo e fizeram um lindo coral.

JC - Qual canção da novela é a mais especial para você e porquê?

JULIANA - Pra mim é Porque. Foi a primeira música que estourou nas rádios. Eu chegava no carro, ligava a rádio e lá estava eu cantando. Foi surreal isso acontecer. Achava que a música ficaria apenas ali, naquele universo da novela e das crianças, mas essa canção rompeu essa barreira e chegou a ficar na lista das mais tocadas da semana. Acho boa até hoje! Eu brinco que Porque é os primórdios da “sofrência”. (risos)

JC - Existe alguma cena marcante da novela para você? Qual?

JULIANA - Quando a Flor e o Fred se encontram no primeiro capítulo, na sala cheia de espuma. E eu adoro a sequência de quando a Flor vai ajudar Seu Freezer no escritório. É uma das mais engraçadas da primeira temporada.

JC - Quais foram os aprendizados que a Maria Flor passou para a Juliana?

JULIANA - Pra mim está tudo na letra da música Há Uma Lenda. A Flor me ensinou que a gente tem que fazer a vida valer a pena, precisamos viver nossos sonhos e ilusões. Porque faz parte também desejar algo, vivenciar seu desejo e descobrir que não era bem aquilo que você queria ou que você não ficou tão feliz no final das contas. Todos passamos por esses processos. Que a gente não pode deixar nossa criança interior de lado, precisamos fortalecê-la e sempre lembrar: o que eu gostava de fazer quando era criança? Quais eram os meus sonhos? Eu já cantava, dançava e interpretava junto com as minhas primas, mas dizia que queria ser juíza porque esse era um desejo do meu pai. Como toda criança eu queria agradá-lo e achava que ele poderia decidir isso por mim também. A vida me encaminhou para a minha verdadeira vocação que é ser artista. Ainda bem que eu respeitei os sinais. Siga sempre seu coração, como diria a Flor.

JC - O que poucas pessoas sabem sobre os bastidores de Floribella e você gostaria de compartilhar conosco?

JULIANA - Sobre a família que a gente formou e que sempre se encontrava na maquiagem. Lá era nosso abrigo no meio daquelas horas de trabalho. Era onde a gente cantava, dava risada, jogava algo, comia um pãozinho francês com manteiga e café, recebia um abraço. Ali rolava quase uma sessão de terapia. Tinha semanas em que alguém chorava e era consolado, em outras era só pra ficar junto mesmo sem falar nada. Cada um no seu canto. Foi bem especial passar por esse momento profissional junto com a nossa equipe e elenco. Só quem viveu sabe o quanto foi intenso e bom.

JC - 15 anos depois, porque ainda vale a pena relembrar a novela Floribella?

JULIANA - Acho que a gente deixou uma memória afetiva nas pessoas que assistiram a novela em uma época muito especial: a infância. Você conseguir atingir a criança interior de alguém e deixar uma mensagem de amor é algo muito forte que não morre jamais. Sou grata pelo privilégio e honro esse lugar. Recebi muitas mensagens dos seguidores do Instagram que agora estão em quarentena e resolveram maratonar a novela no YouTube. Dizem que a novela traz a lembrança de um tempo bom, que se sentem mais felizes ao ouvir a música. Saber que você ajudou ou ajuda alguém com a sua arte é o que faz sentido pra mim. Poder ser um conforto em um momento difícil ou para lembrar o que nós realmente viemos fazer aqui: para aprender a amar e aprender a permitir que os outros nos amem. Floribella deixou esse legado no meu coração e no coração de cada Pipoquinha. Por isso merece uma boa comemoração! Vamos ver se conseguimos tirar esse sonho do papel.

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