Música

30 anos de 'É o Amor', sucesso de Zezé Di Camargo e Luciano, graças a persistência de Seu Francisco

Após três décadas, hit do álbum de estreia da dupla goiana segue entre as principais músicas do cancioneiro popular nacional

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 02/05/2021 às 9:00
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Faixa foi a última a entrar no disco, e por insistência de Zezé, conta Luciano - FOTO: REPRODUÇÃO
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Se o amor não tem medida, nem tamanho, podemos mensurá-la em tempo. Mais precisamente, três minutos e vinte e dois segundos, que estão eternizados há 30 anos. Assim é a definição de É o Amor, o primeiro e icônico hit da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano que completou, neste mês, três décadas de sucesso.

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Ninguém imaginava que a última canção a entrar no álbum de estreia dos irmãos de Pirenópolis (GO) fosse a primeira do disco e alcançasse tanto êxito. Na verdade, no início, uma pessoa só acreditava nesta potência: o compositor dela, o próprio Zezé Di Camargo.

Por telefone, seu parceiro de dupla, Luciano Camargo, conversou com o Jornal do Commercio sobre a gênese da canção, que durou, praticamente, um dia inteiro. “Eu lembro do Zezé compondo. Ele saiu o dia todo. E contou que quando estava fora, estava ouvindo a música Negue, da Maria Bethânia. Mas na noite que ele foi compor, eu fiquei com ele observando”, recorda o cantor.

“Eu vi que a primeira parte de É o Amor, ele tirou em menos de meia hora, acho. Mas na hora do refrão, ele tinha a melodia, mas não tinha a letra. Ele demorou mais para escrever essa parte. Com essa demora, fiquei cansado e fui dormir. Mas foi aí que ele terminou a música e, no outro dia, levamos para o produtor. Nós já tínhamos escolhido as doze faixas do disco, e É o Amor foi a décima-terceira a entrar. Por isso o disco saiu com 13 músicas, e não 12”, completou Luciano.

Ao sentir que tinha composto uma canção muito especial, Zezé Di Camargo insistiu com os produtores para colocá-la no disco e interferiu em todo o processo de produção dela. “Quando fomos gravar É o Amor, lembro que o maestro criou um arranjo totalmente diferente no piano. E eu lembro que o Zezé não gostou. E explicou fazendo o som na boca da introdução, sugerindo as duas guitarras. E aí surgiu o famoso arranjo que conhecemos hoje”, relembra o irmão.

Com o disco na praça, e o incentivo da família – através da famosa história das fichas de telefone compradas e distribuídas pelo pai da dupla, Seu Francisco, para pedir É o Amor nas rádios de Goiânia, revelada no filme 2 Filhos de Francisco (Columbia Pictures, 2005) – a canção começou a chamar atenção não só no estado dos irmãos, mas no Brasil inteiro, a ponto de atravessar as barreiras do tempo. Fato esse que orgulha a dupla até hoje.

“Foi um movimento familiar. Meu pai comprou as fichas e deu, não só para os amigos que trabalhavam com ele, mas todo mundo, inclusive a família, e todos foram pedindo a música. Claro, a música não se tornou sucesso só por causa disso, afinal meu pai pedia em Goiânia, mas a música estourou no Brasil inteiro. Mas acho que a atitude do meu pai foi, na verdade, um retrato de como a família queria esse sucesso”, analisa o músico.

“Mas um cara poder compor É o Amor, independente do contexto em que foi composta, é um privilégio único. E tudo nessa música – da letra ao arranjo – o Zezé fez. Ele só não fez a segunda voz. E nós, brasileiros, como ouvintes dessa canção, também somos privilegiados. Porque é uma música que está há 30 anos no mercado, há 30 anos tocando e fazendo sucesso”, reflete Luciano.

ATEMPORALIDADE

Em meio à letra composta por duas estrofes de seis versos e duas estrofes de refrão com quatro, o parceiro de Zezé di Camargo confessa seu trecho preferido: “Eu me identifico com o início do refrão. É lindo demais porque estamos falando que o amor te deixa assim. Não é necessariamente um amor por uma pessoa, mas é ‘o’ amor. É o sentimento que te deixa louco, te faz tremer, chorar, sorrir... Meu irmão foi muito feliz nisso. Iluminado, na verdade. Isso serve para todo mundo”.

Além de ser a marca registrada da dupla, É o Amor também foi (e ainda é) bastante regravada no Brasil. Mas Luciano destaca a força uma releitura em especial. “Maria Bethânia, com certeza. Ela imortalizou essa música na voz dela também. Bethânia conseguiu fazer com É o Amor o que ela fez com Detalhes, de Roberto Carlos. A versão dela foi tema de filmes – inclusive o nosso – e novela. Ela deu uma outra cara para a música e ficou lindo. Ela soube muito bem trazer para a identidade dela. E tocou muito também!”, declara.

Hoje, trinta anos depois, É o Amor segue como uma das músicas mais lembradas do cancioneiro nacional e um capítulo indispensável para a construção da carreira da dupla. “É claro que um artista se define a partir de seu maior sucesso. Mas o que Zezé di Camargo & Luciano tem, e isso é um privilégio, de certa forma, é que além de É o Amor, é que temos outros sucessos tão grandes quanto. […] Mesmo assim, É o Amor vai muito mais além porque ela não ficou só no sucesso. Ela passou a fazer história conosco. Tenho certeza que se fosse outra música não estaríamos aqui falando disso, e sim da carreira como um todo”, conclui Luciano.

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