MÚSICA

'Os grandes eventos estão descaracterizando o São João', diz vocalista da Banda de Pau e Corda

'Os administradores desses eventos não estão vendo por esse lado [da tradição], apenas pelo lado comercial', diz vocalista Sérgio Andrade. Grupo celebra 50 anos de carreira com show no Teatro do Parque, no Recife, neste sábado (9).

Emannuel Bento
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Emannuel Bento
Publicado em 08/04/2022 às 21:17 | Atualizado em 08/04/2022 às 21:21
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Banda de Pau e Corda recentemente lançou o álbum 'Missão do Cantador' - FOTO: ESTÚDIO ORRA/DIVULGAÇÃO
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Após quebrar um hiato de 30 anos sem discos com o álbum "Missão do Cantador" (Biscoito Fino, 2021), a Banda de Pau e Corda iniciou uma turnê pelo país em comemoração aos seus 50 anos de carreira. Eles se apresentam no Teatro do Parque, no Recife, neste sábado, às 19h. Em entrevista ao JC, o vocalista Sérgio Andrade comentou sobre a recente discussão em torno das programações do São João em Pernambuco.

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"Vemos com muita preocupação, pois a cada ano que passa a cultura pernambucana vai tendo menos espaço nos grandes eventos. São eventos que poderiam ser vitrines da cultura pernambucana, mas que estão cada vez mais a serviço de uma cultura totalmente inerente à nossa cultura. Esses eventos terminam por descaracterizar um festejo como o São João, que é tão importante para o Nordeste”, disse Sérgio Andrade.

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MÚSICA Banda de Pau e Corda em ensaio para o álbum "Missão de Cantador" - DIEGO ARAÚJO/DIVULGAÇÃO
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MARCO Álbum é o primeiro de inéditas do grupo em quase 30 anos e chega cercado de boas simbologias - DIEGO ARAÚJO/DIVULGAÇÃO

Nesta semana, foram divulgadas as programações de Petrolina, no Sertão, e Caruaru, no Agreste. A presença tímida do forró tradicional nos palcos principais chamou a atenção de figuras ligadas ao meio artístico, sobretudo depois que a empresária e esposa de Jorge de Altinho se manifestou sobre a ausência do cantor na grade de Caruaru.

Ainda sobre o assunto, o vocalista ressaltou o lado turístico que existe com a festa. "O turista vem saborear a cultura pernambucana. Ele não vem ver artistas de fora, mas manifestações da cultura daqui. Não estou aqui desvalorizando os artistas nacionais ou de outros estilos, de forma alguma. Todos são bons, mas é preciso que se saiba colocar cada programação em seu devido lugar", disse.

"Os administradores desses eventos não estão vendo por esse lado, apenas pelo lado comercial. E o que tem chamado mais público no momento não é o forró. Isso descaracteriza totalmente, assim como também tem ocorrido no Carnaval, um pouco em menor escala. Isso está deixando a desejar".

50 anos de história da música pernambucana

Com uma sonoridade inspirada na cultura popular e marcada por lirismo, flauta, viola e vocais, a Banda de Pau e Corda foi responsável por marcar uma certa temporalidade da música pernambucana na historiografia da música brasileira junto com nomes como Quinteto Violado, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

A comemoração de 50 anos de carreira começou no ano passado com o lançamento do álbum "Missão de Cantador". A turnê do disco, no entanto, foi adiada por conta da pandemia. Apenas um show foi realizado em Belo Horizonte, junto ao Quinteto Violado.

Em abril deste ano, a Banda de Pau e Corda passou por Caruaru (07/04), Garanhuns (08/04) e passará pelo Recife no sábado, no Parque. A agenda ainda prevê shows em João Pessoa e São Paulo, entre abril e maio. Na capital paulista, contará com a participação de Zeca Baleiro - um dos convidados do álbum, além de Chico César, Mestre Gennaro e Marcello Rangel.

Atualmente, a banda é composta por Sérgio Andrade (vocal), Alexandre Baros (bateria, percussão e vocal), Júlio Rangel (viola e vocal), Sérgio Eduardo (contrabaixo), Yko Brasil (flauta transversal e pífano) e Zé Freire (violão e vocal). Roberto Andrade (bateria) e Paulo Resende (baixo), da formação original, faleceram em 2017.

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