BRUNO PEREIRA

Velório do indigenista Bruno Pereira é marcado por rituais indígenas. Veja vídeo

Indígenas da aldeia Xucuru entoaram canções e danças fúnebres ao redor do caixão de Pereira, decorado com bandeiras de Pernambuco e do Sport

Emannuel Bento
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Emannuel Bento
Publicado em 24/06/2022 às 15:45 | Atualizado em 24/06/2022 às 16:01
GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
DESPEDIDA Velório do indigenista Bruno Pereira em Paulista, no Grande Recife - FOTO: GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
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Com informações da TV Jornal e da AFP

O funeral do indigenista Bruno Pereira, assassinado aos 41 anos junto com o jornalista britânico Dom Phillips, 57, na Amazônia, foi realizado nesta sexta-feira (24) no cemitério Morada da Paz, em Paulista, Grande Recife. O velório contou com comoventes rituais de membros de povos originários.

Os indígenas da aldeia Xucuru entoaram canções e danças fúnebres ao redor do caixão de Pereira. Com peças tradicionais, eles dançaram em torno do caixão decorado com uma foto de Pereira, bandeiras de Pernambuco e de seu time de futebol, o Sport Clube do Recife. Assista:

"A cerimônia que viemos fazer aqui foi uma despedida para trazer da mata sagrada do território Xingu a força do encantamento, porque hoje ele se torna um encantado para nós. É uma grande perda não só para nós, mas para todo o Brasil, todos os que lutam em defesa da vida, porque defender a mãe terra é defender a vida", disse à AFP o cacique Marcos Xucuru.

O corpo, devolvido à família na quinta-feira após procedimentos de perícia e identificação em Brasília, foi cremado nesta sexta-feira, por volta das 15h.

Ele foi assassinado a tiros em 5 de junho com o jornalista Dom Phillips quando retornavam de uma expedição ao Vale do Javari, uma região remota da floresta amazônica considerada perigosa devido ao tráfico de drogas, pesca e mineração ilegais. O corpo de Phillips, que vivia há 15 anos no Brasil, será velado e cremado no domingo em Niterói.

Indígenas, amigos e familiares lamentam morte

"Hoje, a terra onde ele nasceu o recebe, seu corpo reencontra o barro, as raízes das plantas, a água e o calor do solo", disse em nota o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados, para o qual Pereira trabalhava. "Seu corpo carrega o perfume salgado do mar e o aroma denso da mata que ele defendeu até que os destruidores da floresta o mataram de forma traiçoeira", acrescentou a organização.

GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
DESPEDIDA Velório do indigenista Bruno Pereira em Paulista, no Grande Recife - GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
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DESPEDIDA Velório do indigenista Bruno Pereira em Paulista, no Grande Recife - GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
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DESPEDIDA Velório do indigenista Bruno Pereira em Paulista, no Grande Recife - GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
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DESPEDIDA Velório do indigenista Bruno Pereira em Paulista, no Grande Recife - GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL
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DESPEDIDA Velório do indigenista Bruno Pereira em Paulista, no Grande Recife - GABRIEL FERREIRA/TV JORNAL

Casado e pai de três filhos, Bruno Pereira trabalhou por um longo período na Funai, onde dirigiu um departamento especializado na proteção dos povos isolados e de pouco contato com o mundo exterior.

"Sem dúvida, é uma perda que não tem como explicar o porquê de tudo isso. Como uma pessoa tão feliz pelo que fazia com empatia gigantesca com seu povo desaparecer da pior forma que poderia acontecer. É inaceitável, principalmente, pela omissão de quem deveria se responsabilizar", disse Manoel Santos, um amigo de faculdade de Bruno.

"Todas essas pessoas que se envolvem com essas questões territoriais, a denúncia de mineração nas terras indígenas, tudo isso coloca em cheque os direitos dos povos indígenas. Eles estão no alvo como o que aconteceu com o Bruno e com o Dom", afirmou Vânia Fialho, representante da Rede de Monitoramento de Direitos Indígenas em Pernambuco.

Quem foi Bruno Pereira?

Natural do Recife, Bruno Pereira estudou no Colégio Contato. Após o anúncio da sua morte, um perfil de estudantes fez uma homenagem a ele. "Uma homenagem a Bruno Pereira, que foi concluinte Saúde no Contato Zona Sul em 1998. Nossos sentimentos aos amigos e familiares", disse o perfil, numa publicação no Instagram.

REPRODUÇÃO DE VÍDEO
Aldeias indígenas já se despedem de Bruno Pereira com rituais - REPRODUÇÃO DE VÍDEO
Acervo Pessoal/Reprodução
Ex-alunos postam fotos com Bruno Pereira no Colégio Contato - Acervo Pessoal/Reprodução

Seguindo seu sonho, Bruno Pereira saiu de Pernambuco aos 22 anos. Seguiu carreira atuando em territórios contra os invasores, como garimpeiros e madeireiros da região. Em 2019, ele foi exonerado do cargo de coordenador-geral de Índios Isolados da Funai.

Mas continuou atuando como assessor na União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). O local, que é a segunda maior terra indígena do País, é foco de disputa do tráfico de drogas, roubo de madeira e o garimpo.

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