JÔ SOARES

JÔ SOARES: artista teve peça crítica à ditadura em pleno regime militar. Saiba mais

Em 1978, Jô Soares estreou a peça "Viva o Gordo e Abaixo o Regime!", um grande sucesso do teatro, e nunca deixou de lado a sua verve política

Emannuel Bento
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Emannuel Bento
Publicado em 05/08/2022 às 9:28 | Atualizado em 05/08/2022 às 16:57
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Jô Soares no "Viva o Gordo" - FOTO: Reprodução/Rede Globo
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Jô Soares, que faleceu nesta sexta-feira (5), também foi ator, dramaturgo, roteirista e diretor, para além de apresentador.

Em 1978, ele chegou a estrear uma peça que tinha críticas veladas ao regime militar. "Viva o Gordo e Abaixo o Regime!" foi um grande sucesso do teatro.

O título fazia o trocadilho com a palavra regime alimentar, já que o Brasil estava na fase final da ditadura.

O artista nunca deixou de lado a sua verve política. Quando foi homenageado em 2019, pelo Prêmio Shell, disse: "O Brasil não pode ter uma guinada tão violenta rumo à ignorância".

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Jô Soares faleceu aos 84 anos em São Paulo. O artista deixou livros históricos sobre uma perspectiva política e crítica do Brasil. - REPRODUÇÃO/JP

Aos 81 anos, ele defendia que o caminho da arte e dos artistas brasileiros é o de continuar resistindo.

"Um amigo dizia que o Brasil é um rio, e isso passa. Mas precisamos de um barco muito forte. Eu peguei duas ditaduras. Uma tive de jogar meus livros no lago do Ibirapuera porque tinha vermelho no título, para ver onde vai a paranoia. Isso tem de passar. A gente tem de remar mesmo que seja contra a corrente."

Ao projeto Memória Globo, ele disse: "O meu humor tem sempre um fundo político, sempre tem uma observação do cotidiano do Brasil. Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples".

Jô Soares no teatro

Jô Soares estreou estreou como ator no teatro em 1959, em "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna. Ao longo da carreira, atuou em montagens importantes como "Oscar" (1961), de Claude Magnier, ao lado de Cacilda Becker e Walmor Chagas.

Como diretor, assinou as montagens de Soraia, Posto 2 (1960), de Pedro Bloch; Os Sete Gatinhos (1961), de Nelson Rodrigues; O Estranho Casal (1967), de Neil Simon, com Lima Duarte e Francisco Milani; Romeu e Julieta (1969), de William Shakespeare, com Regina Duarte.

Jô Soares fez história na TV

Reprodução/Rede Globo
Jô Soares em "Faça Amor, Não Faça Guerra" - Reprodução/Rede Globo

A peça "Viva o Gordo e Abaixo o Regime" inspirou o título do programa "Viva o Gordo", a primeira atração solo de Jô na TV Globo, nos anos 1980.

Entre os personagens marcantes que viveu nessa época, estão o Reizinho, uma sátira à situação política do país; o Capitão Gay, super-herói homossexual que usava um uniforme cor de rosa e andava sempre acompanhado de seu ajudante Carlos Sueli (Eliezer Motta); e o Zé da Galera, que ligava para o técnico da seleção brasileira de futebol e pedia “Bota ponta, Telê!".

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