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Realizador pernambucano lança campanha para ajudá-lo a estudar na maior escola de cinema da América Latina

Alysson Souza é natural de Vitória de Santo Antão e foi selecionado para o Curso Regular de Roteiro da Escuela Internacional de Cine y TV, a EICTV

Nathália Pereira
Nathália Pereira
Publicado em 16/09/2020 às 21:09
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O desejo de Alysson Souza é compartilhar o conhecimento adquirido na escola principalmente com pessoas das periferias e cidades do interior - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A história do envolvimento entre um jovem realizador audiovisual do interior pernambucano e as possibilidades de ampliação da produção cinematográfica está prestes a ganhar um novo capítulo. Selecionado para estudar no curso regular de roteiro na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV), em Cuba, Alysson Souza precisa, no entanto, de uma ajudinha para concretizar o feito. Por isso elaborou uma campanha de financiamento coletivo para poder arcar com os custos das aulas, estadia, alimentação e demais cuidados pessoais no país durante os três anos de duração da formação.

Considerada a escola de cinema mais importante da América Latina – e uma das maiores do mundo –, a EICTV foi fundada em 1986 por ninguém menos que o escritor Gabriel García Márquez e já teve os diretores Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e George Lucas como professores. Tanto prestígio se reflete também em valor financeiro: o governo cubano arca com 75% das mensalidades, mas um ano de curso sai por seis mil euros, despesa que mesmo com o auxílio governamental Alysson não tem como pagar.

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Natural de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, Alysson conta em conversa com o JC que o interesse em trabalhar com cinema despontou logo no início da graduação em Rádio, TV e Internet, que cursou em uma universidade de Olinda, a 60 km de sua cidade natal. A dificuldade causada pela distância entre casa e sala de aula foi só um dos pontos que o motivaram a querer fazer das telas expoente de realidades pouco retratadas pelo olhar de quem as vivencia.

“Sempre gostei muito de ver filmes, mas achava que era algo que só poderia ser desenvolvido por pessoas mais abastadas, de grandes capitais. Achava que era algo de rico, simplesmente falando. Tendo contato com as disciplinas da faculdade eu me percebia muito diferente diante dos filmes. Fui descobrindo produções e festivais que mudaram minha visão diante do mundo e achava que era muito possível mudar outras realidades também. Comecei a trabalhar como assistente de produção e escrever roteiros a partir, daí”, relembra.

O interesse não demorou a ser materializado em movimentações como a organização da Mostra de Cinema da Vitória de Santo Antão, e o envolvimento com amigos articuladores do Cineclube Avalovara, da mesma cidade. “Acredito muito que essas ações podem fazer mais gente querer trabalhar com cinema, essa arte que é elitista, mas que também tem um poder grande de impulsionar mudanças em uma sociedade tão LGBTfóbica e racista com a em que a gente vive”, diz Alysson.

Daí até ouvir falar pela primeira vez sobre a prova para ingresso na EICTV não demorou. Foi durante uma oficina com o assistente e engenheiro de som Moabe Filho, ex-aluno da escola. A ideia de experimentar um ensino imersivo pareceu encantadora e Alysson decidiu se submeter a um intenso processo seletivo, que incluiu uma prova de roteiro e conhecimentos gerais em arte, uma entrevista filmada com profissionais da área e a entrega do portfólio e carta de intenção.

Alysson Souza passou pela bateria de exames quatro vezes até ser um dos menos de dez brasileiros aprovados na etapa 2019-2020. Agora, está perto de se tornar um dos 40 alunos de uma turma exclusivamente formada por latinoamericanos.

A VAQUINHA

Para alcançar a última e mais importante etapa desse sonho, Alysson precisa arrecadar R$ 50 mil, como explica no vídeo descritivo presente no link do financiamento (benfeitoria.com/alyssonemcuba). Lá é possível colaborar com doações a partir de R$ 10. Cada valor contém uma recompensa, como o nome do colaborador nos créditos de filmes realizados por ele, prints de artistas visuais, cartazes, ecobags, camisetas e masterclasses.

Uma vez atingida a meta, Alysson Souza quer retornar ao Brasil munido de bagagem e experiência que serão motores para compartilhar o conhecimento adquirido, principalmente com pessoas das periferias e dos interiores, como ele. Também pretende incentivar essas pessoas a escrever suas próprias histórias e fazer os próprios filmes.

“Acredito que meu maior objetivo é mostrar que realizadores interioranos também têm valor nas produções cinematográficas. Cinema não é só o que é feito na capital. Esses dias recebi e-mails de pessoas que não conheço dizendo que estou indo realizar o sonho de muitos. Fiquei emocionado, na verdade. Estou muito grato a todas as pessoas que estão me ajudando com doações para poder conseguir estudar lá.Porque a vaquinha é minha única forma de ir no momento”, encerra.

As doações também ser feitas através de transferências ou depósitos para os seguintes dados:

ALYSSON DOUGLAS BORGES SOUZA
BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA: 0233-X
CONTA POUPANÇA: 52213-9
VARIAÇÃO: 51

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