HOMENAGEM

Vereador quer mudar nome da Rua Nova, no Recife, para homenagear cantor Augusto César

Ícone da música popular dos anos 80, Augusto César morreu em abril em decorrência de complicações na saúde após contrair a covid-19

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 10/05/2021 às 8:45
Notícia
LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
Cantor pernambucano Augusto César - FOTO: LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
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Um projeto de lei do vereador Fabiano Ferraz (Avante) prevê que o nome da Rua Nova, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife, seja alterado para homenagear o cantor Augusto César que morreu em abril de 2021, em decorrência de complicações na saúde após contrair a covid-19.

Ao justificar o projeto, o parlamentar citou a relação histórica do artista com a rua, relembrando que, diante das dificuldades de sua profissão, o cantor decidiu vender seus próprios discos nas ruas do centro da capital pernambucana. Com uma caixa de som, Augusto interpretava seus sucessos, interagindo com o público que passava por ele.

"Cantava no meio do povo, mostrando que seu talento ia além do palco. Augusto César era mais visto e celebrado no cruzamento entre a Rua Nova e a Rua da Palma, daí a escolha do local para prestar uma Homenagem a esse grande artista", argumenta Fabiano Ferraz.

Trajetória de Augusto

TOM CABRAL/ ACERVO JC IMAGEM
Augusto César - TOM CABRAL/ ACERVO JC IMAGEM

O estilo galã e as melodias românticas de Augusto César conquistaram Pernambuco, que rapidamente o tornou um ícone da música popular dos anos 80, tempo em que suas músicas dominavam as paradas de sucesso. O artista morreu em abril no Recife aos 61 anos, provavelmente por complicações causadas pela covid-19, segundo familiares, e vai deixar saudades — um sentimento recorrente em suas letras.

Ele começou a carreira como "cantor de rádio" ainda criança em programas como Tia Linda, Jorge Chau Show. Foi como calouro do programa de Paulo Marques que ele falou com Roberto Carlos pela primeira vez — um ídolo e uma inspiração para Augusto. Ele também foi amigo pessoal de Reginaldo Rossi, com quem fez grandes parcerias.

Demorou, no entanto, a gravar o álbum de estreia, o que só aconteceu em 1985. Estourou dois anos depois com "Escalada", sucesso nacional, pela gravadora 3M, com direito a Disco de Ouro (na época por cem mil cópias vendidas). Depois de uma breve passagem por São Paulo, voltou para o Recife. Aqui, construiu uma obra de 23 discos, entre LPs e CDs, dois DVDs, um deles gravado no histórico Teatro de Santa Isabel.

Além de "Escalada", outros sucessos foram “Te Desejando Em Silêncio”, “Amor De Verdade”, “Como Posso Te Esquecer?” e tantas outras na coletânea “20 Super Sucessos”, gravado pela Polydisc.

Durante cerca de 20 anos, vendeu os próprios discos nas ruas do Recife. Com as gravadoras tornando-se praticamente distribuidoras de CDs e quase todas as lojas de discos fechando, ele passou a comercializar o que gravava numa Kombi. Além das vendas, a prática ainda chamou atenção para o seu trabalho.

No ano passado, Augusto César foi a grande atração de uma live em homenagem ao Dia das Mães, para a TV Jornal. “Aprendi que se não fossem as mães que se ajoelham que oram, que pedem a Jesus Cristo, e as crianças que são inocentes, este mundo já teria explodido”, comentou o cantor, durante o show.

TOM CABRAL/ ACERVO JC IMAGEM
Augusto César - FOTO:TOM CABRAL/ ACERVO JC IMAGEM

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