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Crescimento da produção industrial em Pernambuco é frustado pelo coronavírus

Especificamente em no mês de fevereiro, a alavancagem da produção veio a partir da indústria de alimentos, bebidas e têxtil

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 09/04/2020 às 0:19
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Foto: ARQUIVO - AGÊNCIA BRASIL
O Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 0,8 ponto de janeiro para fevereiro de 2019 - FOTO: Foto: ARQUIVO - AGÊNCIA BRASIL
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No último mês antes da chegada do coronavírus ao País e seus efeitos devastadores para a saúde e a economia, a indústria de Pernambuco pôde comemorar um resultado considerado "surpreendente" em relação à produção. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial do Estado cresceu 12,3% no mês de fevereiro frente o mesmo período de 2019, sagrando-se como o melhor resultado do País no período. Impulsionado pela sazonalidade do Carnaval e a redução do estoque produtivo, o mês de fevereiro animava quanto uma retomada mais intensa da produção, expectativa que deu lugar à frustração após o avanço da covid-19.

"O ano de 2019, de modo geral não foi bom. Pernambuco fechou com um recuo de 2,2% na produção industrial. No último mês de janeiro, a indústria começou a ensaiar uma recuperação, chegando a esse resultado surpreendente em fevereiro, quando comparado com o mesmo período do ano passado", diz o economista da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Cezar Andrade.

Especificamente em no mês de fevereiro, a alavancagem da produção veio a partir da indústria de alimentos, bebidas e têxtil, com, respectivamente, 41,7%, 19% e 13% de crescimento, mas desde a virada do ano o movimento positivo vinha sendo sentido pelos empresários. No acumulado de 2020 (janeiro e fevereiro) a produção no Estado cresceu 7,6%, com alta de 4,5% na passagem de janeiro para fevereiro.

"Basicamente o resultado teve impacto sazonal do Carnaval. No ano passado, o resultado foi ruim porque tinha ainda muito estoque, as empresas estavam se desfazendo dos estoques. Já em 2020, começamos o ano precisando produzir para repor o estoque, isso também é um fato que explica o resultado de fevereiro este ano ter sido melhor", detalha Andrade.

Para ele, provavelmente a produção de março já virá com resultados "totalmente diferentes", poupando apenas alguns poucos setores. "Fazer projeção e estimar algo é difícil. Talvez os únicos setores que tenham resultado positivo (na pesquisa de março) sejam alimentos e produtos químicos. Eles podem ter resultado positivo porque a demanda desses bens tidos como de primeira necessidade aumentou muito. Especificamente nesses setores, provavelmente, conseguimos resultados positivos, mas todos os outros, deverão ter uma queda bem grande. Não está tendo demanda, a população não sai para comprar, e isso impacta. Apesar de não precisarem para a produção, a maioria das indústrias tem sentido o baque", avalia o economista.

Indústria no Brasil

No Brasil, houve queda de 0,4% na produção industrial de fevereiro de 2020 ante o mesmo mês de 2019, tendo o resultado negativo se concentrado em cinco dos 15 locais investigados na pesquisa. Em São Paulo, maior parque industrial do País, a queda foi de 3,1%.Minas Gerais (-6,3%) e Espírito Santo (-4,5%) assinalaram os recuos mais intensos. Os demais Estados com desempenho negativo foram Amazonas (-3,0%) e Goiás (-1,4%).

Na contramão, além de Pernambuco, estavam Rio de Janeiro (9,7%), Pará (7,5%) e Região Nordeste (6,4%) apontaram os avanços mais acentuados ante fevereiro de 2019.

Paraná (3,6%), Bahia (3,3%), Mato Grosso (3,2%), Santa Catarina (2,3%), Rio Grande do Sul (2,2%) e Ceará (1,9%).

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