Entrevista

Segundo secretário, Pernambuco foca na retomada da construção civil e depois o comércio "de forma gradual"

Responsável pela pasta de Desenvolvimento Econômico do Estado, Bruno Schwambach explica que as coisas não vão abrir do dia para a noite

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 23/04/2020 às 12:31
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Setor da construção pressiona o Estado para retomada das obras - FOTO: DIVULGAÇÃO
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De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach, não é possível ainda definir uma data para que as atividades voltem ao normal no Estado, diante da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Ainda assim, ele destacou em entrevista à Rádio Jornal, nesta quinta-feira (23), que há estudos para a reabertura de setores como a construção civil e, em seguida, o comércio, mas de forma gradual.

"Não se sabe quando, mas temos um dever de trabalho articulado para ver como será a volta. Isso não será do dia para a noite, será gradual, com uma série de cuidados para evitar pico de contaminação. O esforço agora é para equipar leitos, pois em algum momento vamos precisar flexibilizar e veremos quais seguimentos podem voltar sem ter proliferação maior. Estamos vendo o protocolo de como será, na construção civil e fazendo, também, um protocolo para a retomada do comércio, mas é preciso ver qual o tipo que podemos flexibilizar", explicou Schwambach.

Devemos retomar a construção civil. Já o comércio é mais complexo de estabelecer parâmetros. Talvez não vamos conseguir voltar todo de uma vez, podemos voltar algum setor para ter uma atividade funcionando, mas com o mínimo de aglomeração.
Bruno Schwambach, secretário de Desenvolvimento de Pernambuco.

Hoje, o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE), além de outros empresários da construção civil já tem pleiteado a liberação das atividades nos canteiros de obra antes do encerramento da vigência do atual decreto, que proíbe a realização de obras que não sejam públicas ou emergenciais. O setor tem cravado essa semana como decisiva para início de demissões, já que a maioria dos trabalhadores começarão a retornar das férias coletivas.

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A gestão do governador Paulo Câmara (PSB) está discutindo com o setor produtivo do Estado a elaboração destes protocolos para definição de como se dará a retomada. Assim, uma série de determinações como cuidados de higiene, distanciamento e fluxo de pessoas devem ser tomadas. A expectativa é estar com um documento pronto até o fim deste mês.

Ouça a entrevista com Bruno Schwambach

Paulo Guedes

Durante a entrevista na Rádio Jornal, Bruno Schwambach também fez críticas à atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes. "O ministro da Economia concentrou uma série de ministérios no seu guarda-chuva, é o que tem mais poder nos últimos 50 anos, mas é o que menos entregou. No último ano o crescimento do PIB foi pífio. Precisamos que o estado invista na atividade econômica, mas ele passa o tempo cuidando das contas públicas. Conta é uma coisa, política econômica é outra e está acéfala. Não tem ninguém cuidando. Só agora que vimos uma primeira sinalização de alguém querer cuidar, mas Guedes tem atuado mais como tesoureiro das contas do que como indutor da atividade econômica", disse.

O governo federal anunciou, nessa quarta-feira (22), o programa Pró-Brasil, um conjunto de medidas que têm como pivô a retomada do investimento público para a geração de empregos. O plano foi rejeitado por Paulo Guedes, que defende uma agenda liberal, centrada em ações de mercado e com mais investimento privado na economia. O anúncio foi feito pelo ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, que comandará o programa.

O secretário ainda disse que medidas do Governo Jair Bolsonaro como o auxílio emergencial de R$ 600 são positivas, mas afirmou que as micro e pequenas empresas têm dificuldade de acesso a credito nesse período em que o isolamento traz queda de receita. "Outros países têm feito esforço maior, esperamos que o governo central dê uma sinalização e mude a perspectiva", afirmou.

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