Rnest alavanca exportações

BALANÇO Novo óleo combustível produzido na Refinaria Abreu e Lima contribuiu para alta de 10,2% das vendas externas no 1º semestre

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 06/08/2020 às 6:00
THIAGO LUCAS/ARTES JC
Exportações - FOTO: THIAGO LUCAS/ARTES JC
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O início da comercialização de óleo combustível com baixo teor de enxofre, para motores de navios, pela Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca, puxou para cima as exportações de Pernambuco no primeiro semestre. A despeito da pandemia do novo coronavírus, as vendas externas do Estado cresceram 10,2% na comparação com igual período do ano passado, saindo de US$ 606 milhões para US$ 667,6 milhões.

No início deste ano, entrou em vigor a nova especificação mundial dos combustíveis marítimos (IMO 2020), que reduziu de 3,5% para 0,5% o limite de teor de enxofre no óleo combustível. Como a Petrobras já produzia óleo combustível com baixo teor de enxofre, tornou-se competitiva no mercado mundial.

"Há uma demanda global pelo produto e foi boa parte por ele que as exportações estaduais cresceram. O óleo combustível ocupa o primeiro lugar na pauta", destaca o gerente de Relações Industriais da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira. Na lista dos produtos embarcados, o óleo combustível aparece com participação de 25%. O avanço das vendas externas ficou perto de 50% no semestre, totalizando US$ 170 milhões. O valor é US$ 56,2 milhões maior do que em igual período do ano passado.

A Abreu e Lima integra uma lista de seis unidades de refino no País que estão produzindo o chamado Bunker 2020, como foi batizado o óleo combustível menos poluente.

Com o novo produto, a Petrobras vem batendo recorde nas exportações. Segundo a companhia, a redução global da demanda por petróleo e derivados obrigou a empresa a repensar a estratégia e diversificar o destino das exportações de óleo combustível, que tem se tornado eficiente.

Estudos da Agência Internacional de Energia mostram que o combustível marítimo utiliza cerca de 4% do consumo mundial de petróleo, representando uma grande oportunidade para as refinarias.

Além do bom momento para o óleo combustível, a alta do dólar também ajudou a turbinar o faturamento das exportações e animar empresários a vender no mercado internacional. Ao longo do primeiro semestre, a moeda acumulou alta de 35,56% frente ao real. "O açúcar, por exemplo, apresentou alta nas exportações (57%). Mas é preciso lembrar que, para além da pandemia, ainda falta apoio aos empresários de maneira geral para estimular o comércio exterior, que também ajudaria a economia a se recuperar", defende Laranjeira.

VEÍCULOS

O embarque de veículos ainda aparece negativo no primeiro semestre, mas percebe-se uma discreta retomada para a Argentina, principal parceira brasileira neste setor. Segundo dados de comércio exterior do Ministério da Economia, as exportações encolheram mais de 50%, totalizando US$ 56,6 milhões, o que significa US$ 69 milhões a menos do que em 2019.

Já para a Argentina, houve um crescimento de 13% de janeiro a junho, passando de US$ 92 milhões para US$ 104 milhões. "É um avanço, mas ainda muito discreto se comparado a anos anteriores", pontua Laranjeira, lembrando que o número no primeiro semestre de 2018 foi de US$ 236,8 milhões.

Este ano, o Polo Jeep, em Goiana, ficou 48 dias parado, voltando a operar, gradativamente, a partir de 11 de maio. A capacidade de produção da montadora é de mil veículos por dia. De acordo com a assessoria da empresa, a planta fabril está trabalhando perto da capacidade, mas a empresa não informou o número. Em 2019, a produção foi de 221 mil unidades.

IMPORTAÇÕES

Na contramão das exportações, as importações do Estado apresentaram queda de 27,2% de janeiro a junho, com valor de US$ 1,8 bilhão. "O dólar alto fez com que as empresas adotassem a substituição das importações. A redução da demanda foi outro fator e a dificuldade de comprar da China, que parou antes de nós por conta do coronavírus, também influenciou", observa Laranjeira.

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